Hoje aconteceu uma coisa que me deixou bem triste. Estava em um farol na Avenida Queiróz Filho com a Gastão Vidigal, onde um homem que tem alguma problema na coluna (ele vive curvado) pede dinheiro todos os dias. O sinal abre e eis que uma senhora, de cabelos loiros avolumados por laquê e óculos com detalhes dourados, avança sobre o moço, que terminava de atravessar a avenida em frente ao carro dela. Não contente em acelerar o carro, ela ficou esbravejando, batendo com as mãos sobre o volante. O estadardalhaço foi tanto que consegui ver tudo isso estando atrás dela. O moço se locomove com dificuldade, acho que isso só piorou o mau humor da perua velha.
Ele está ali todos os dias, sempre pedindo dinheiro. Nunca ameaçou ninguém, nunca o vi ser incoveniente. Tem pessoas que já o conhecem e levam roupas e comida. Ele é muito do bem, com um semblante sempre simpático, fala baixo. Nunca dei dinheiro, e ele nunca se ofendeu ou fez cara feia com a minha negação (o que, infelizmente, não é comum hoje em dia).
Depois que a mulher avançou o carro para cima dele, o olhei diretamente no rosto. Estava com cara triste, macambúzio. Não sei se por isso ou outro tropeço do destino, mas o moço não estava bem. Aquilo me atingiu ainda mais. Viver no farol pedindo dinheiro não deve ser a melhor coisa do mundo, mas ele sempre me pareceu animado. Hoje a perua loira avança contra ele e então ele entristece. Se já estava mal, só piorou.
Parabéns, senhora. Espero que, ao longo do seu caminho estressado, não faça mais vítimas da sua pressa egocêntrica.
23/09/2010
18/09/2010
Chuvas, homens e equilíbrio
Se o tempo ousa ser esquizofrênico - num dia faz calor de verão, no outro venta, chuvisca e o frio é de arrepiar o pelo mais escondido do corpo -, por que, então, exigir que os homens sejam coerentes e equilibrados? Se a grande, e sábia, mãe natureza tem permissão para agir como um demente na ala mais perigosa do hospital psiquiátrico, por que nós, pobres coitados, formiguinhas diante do cosmos infinito, devemos nos comportar como um exército disciplinado?
Alguns dirão que o que separa a nuvem de chuva, ou uma massa de ar quente, do homem é o fato de sermos um organismo mais complexo. E, mais além, o que nos diferencia dos animais pimpolhos que se acasalam em qualquer lugar, sem nenhum pudor, é a racionalidade e, mais ainda, a escolha.
Ok, ok, mas eu quero ir além. A desestabilidade, e a incoerência, do ser humano o leva a criar, a investigar, a tentar voar, a construir, a se aventurar e, também, a fazer muita cagada. Se todos seguissem uma mesma linha ideológica, falássemos a mesma língua, fossemos todos especializados no mesmo assunto, então talvez eu nem estivesse escrevendo essas bobagens aqui. Porque não existiria o computador, e talvez nem eu existisse.
What I'm trying to say is: seres humanos equilibrados não fazem evolução, não são charmosos e não exprimem paixão. Assim como à natureza, o desequilíbrio é inerente ao ser humano. Os equilibrados são importantes para puxar os desequilibrados para o chão. Mas não são eles que levam à transformação.
Alguns dirão que o que separa a nuvem de chuva, ou uma massa de ar quente, do homem é o fato de sermos um organismo mais complexo. E, mais além, o que nos diferencia dos animais pimpolhos que se acasalam em qualquer lugar, sem nenhum pudor, é a racionalidade e, mais ainda, a escolha.
Ok, ok, mas eu quero ir além. A desestabilidade, e a incoerência, do ser humano o leva a criar, a investigar, a tentar voar, a construir, a se aventurar e, também, a fazer muita cagada. Se todos seguissem uma mesma linha ideológica, falássemos a mesma língua, fossemos todos especializados no mesmo assunto, então talvez eu nem estivesse escrevendo essas bobagens aqui. Porque não existiria o computador, e talvez nem eu existisse.
What I'm trying to say is: seres humanos equilibrados não fazem evolução, não são charmosos e não exprimem paixão. Assim como à natureza, o desequilíbrio é inerente ao ser humano. Os equilibrados são importantes para puxar os desequilibrados para o chão. Mas não são eles que levam à transformação.
11/09/2010
Receita de feijoada
Receita de feijoada: feijão preto, porco (lombo, pé, orelha, costelinha, bacon, paio e calabresa), carne seca, cebola, alho, louro, pimenta e sal a gosto. Coloque as carnes salgadas de molho durante um dia, trocando algumas vezes. Depois, dê uma aferventada nelas e, então, jogue-as na panela com feijão e louro, as macias por último. Cozinhe durante horas, checando o cozimento das carnes, e, por fim, jogue o alho e a cebola refogados. Coma com arroz branco e couve fininha e refogada. Torresmo e laranja também.

Vegetarianos, não se iludam. Feijoada sem carne jamais terá o mesmo gosto, ainda que a receita leve tofu defumado. Quem quer emagrecer é melhor se contentar com outro prato, porque a feijoada com as carnes cozidas separadas do feijão é uma lástima. Porque o bom mesmo é o gostinho (e a gordura) que o feijão pega das carnes de porco e boi. Sem isso, é feijão preto normal, também bom, mas jamais uma feijoada. Eu mesma não curto muito as carnes, mas o feijão fica simplesmente outra coisa. Diliça!
Então por que alguns lugares servem essa feijoada golpista, em que o feijão fica de fora da feijoada? Tudo bem servir tudo separado, mas eles devem ser feitos juntinhos. E aquele sabor inigualável da banha do porco que tempera os grãos pretinhos? E o caldo, com seu aroma e consistência característicos? Protesto aos estabelecimentos que não respeitam a receita tradicional! Quer comer feijão com carne seca e linguiça? Não perca tempo dizendo que é feijoada. Feijoada é G-O-R-D-U-R-A. E tenho dito.
Uma música para os amigos aprenderem a fazer feijuca direito.
Feijoada completa (Chico Buarque)
Mulher
Você vai gostar
Tô levando uns amigos pra conversar
Eles vão com uma fome que nem me contem
Eles vão com uma sede de anteontem
Salta cerveja estupidamente gelada prum batalhão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Não vá se afobar
Não tem que pôr a mesa, nem dá lugar
Ponha os pratos no chão, e o chão tá posto
E prepare as lingüiças pro tiragosto
Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar
Arroz branco, farofa e a malagueta
A laranja-bahia ou da seleta
Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Depois de salgar
Faça um bom refogado, que é pra engrossar
Aproveite a gordura da frigideira
Pra melhor temperar a couve mineira
Diz que tá dura, pendura a fatura no nosso irmão
E vamos botar água no feijão

Vegetarianos, não se iludam. Feijoada sem carne jamais terá o mesmo gosto, ainda que a receita leve tofu defumado. Quem quer emagrecer é melhor se contentar com outro prato, porque a feijoada com as carnes cozidas separadas do feijão é uma lástima. Porque o bom mesmo é o gostinho (e a gordura) que o feijão pega das carnes de porco e boi. Sem isso, é feijão preto normal, também bom, mas jamais uma feijoada. Eu mesma não curto muito as carnes, mas o feijão fica simplesmente outra coisa. Diliça!
Então por que alguns lugares servem essa feijoada golpista, em que o feijão fica de fora da feijoada? Tudo bem servir tudo separado, mas eles devem ser feitos juntinhos. E aquele sabor inigualável da banha do porco que tempera os grãos pretinhos? E o caldo, com seu aroma e consistência característicos? Protesto aos estabelecimentos que não respeitam a receita tradicional! Quer comer feijão com carne seca e linguiça? Não perca tempo dizendo que é feijoada. Feijoada é G-O-R-D-U-R-A. E tenho dito.
Uma música para os amigos aprenderem a fazer feijuca direito.
Feijoada completa (Chico Buarque)
Mulher
Você vai gostar
Tô levando uns amigos pra conversar
Eles vão com uma fome que nem me contem
Eles vão com uma sede de anteontem
Salta cerveja estupidamente gelada prum batalhão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Não vá se afobar
Não tem que pôr a mesa, nem dá lugar
Ponha os pratos no chão, e o chão tá posto
E prepare as lingüiças pro tiragosto
Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar
Arroz branco, farofa e a malagueta
A laranja-bahia ou da seleta
Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão
Mulher
Depois de salgar
Faça um bom refogado, que é pra engrossar
Aproveite a gordura da frigideira
Pra melhor temperar a couve mineira
Diz que tá dura, pendura a fatura no nosso irmão
E vamos botar água no feijão
09/09/2010
Último dia em Buenos Aires
No último dia em que estive em Buenos Aires, queria fazer um piquenique nos parques de Palermo. Mas o dia estava gelado, ameaçando chover. Melhor não. As meninas tinham o que fazer, afinal, era segunda-feira, e eu fui conhecer a livraria El Ateneo, na Avenida Santa Fé. Depois fique perambulando, fui até ao Buenos Aires Design, na Recoleta (adooooro, comprei um minidespertador retrô para mim) e voltei para a casa das meninas.
(ah, na manhã desse dia eu comprei frutilla, o mejor, frutillones!)
Almoçamos tartas com ensalada, na casa delas, e depois fui a um supermercado ver se encontrava um vinho que um amigo havia pedido. Não encontrei e comprei os meus no chino, que era mais perto da casa das meninas e mais barato. Depois, eu e a Gabi fomos ao Malba a um debate do livro do mês. O autor do dia era o Liniers e, o livro a ser discutido, El Arte, de Juanjo Sáez. Para quem não conhece, Liniers é um quadrinhista (ou quadrinista? rs) argentino, famoso naquele país e que escreve (desenha) para a Folha. Ele escolheu o livro de um espanhol, o Sáez, que fala de arte de forma muito corrosiva, perspicaz e humorada. Tudo em quadrinhos. Amei!!! No fim, teve degustação de vinho - e, gente, o debate era de graça.
(o debate foi incrível!)
Pois bem, saímos de lá e fomos para um bar perto da casa das meninas encontrar com Vicky. Estava frio, mas o bar tem um sofá na calçada, não tinha como ficarmos em outro lugar. Foi um fim de noite lindo, ótimo! Pena que fui dormir às 2h30 e tive que acordar às 4h40 para pegar o táxi de volta para o Brasil. Agora, fico pensando, quando volto a Buenos Aires? Que saudades!! E que estadia linda!! Muito obrigada às queridas Gabi e Vicky.
(bar com o sofá dos 'Friends')
O Peru é aqui - Abasto, Buenos Aires
No mesmo dia da Feria de Mataderos (post anterior) fomos a um restaurante tradicional peruano, o Mamani. Fica no bairro de Abasto, atrás do shopping de mesmo nome. Apesar de chique, o centro comercial (que fica num incrível prédio restaurado, onde funcionava um mercado) não conseguiu revitalizar todo o entorno. Não é nem um pouco parecido com uma "villa" (favela), mas podia ser mais bem cuidado. Afinal, Buenos Aires é uma cidade tão linda! O bairro é tomado por peruanos, por isso o fato do restaurante estar ali - e, por favor, não julguem isso pela descrição do bairro. Há peruanos da cozinha ao caixa, no salão e sentados à mesa. Bom sinal - prova de que a comida deve ser bem fiel ao país de origem.

(o ceviche gigante)
Pedimos ceviche mixto - com peixe, lula, camarão, polvo, marisco, milho, papa, batata, cebola e leche de trigo. Papa aqui é batata, e batata, batata doce. Uma delícia. Só o peixe não estava 100% porque tinha umas nervuras - acho que não foi cortado como ceviche. Mas tudo estava deliciosamente combinando e fresco. A porção é enorme, com várias texturas...

(meu prato de ceviche... até parece que só comi ele...)
De principal, fomos de tacu-tacu (não tirei foto, estava tão empolgada...) - arroz com caldo de feijão e lomo (mignon em tiras) com cebolla y morrones (pimentões). Tomamos Heineken de 1 litro (26 pesos, cara). Achei engraçado que no cardápio há vários pratos chineses. E eu pensando que a comida nipo-peruana era bem representativa do país... E a chino-peruana? Cadê esse tipo de cozinha no Brasil?

(Vicky e Gabi, fofas!)
(o ceviche gigante)
Pedimos ceviche mixto - com peixe, lula, camarão, polvo, marisco, milho, papa, batata, cebola e leche de trigo. Papa aqui é batata, e batata, batata doce. Uma delícia. Só o peixe não estava 100% porque tinha umas nervuras - acho que não foi cortado como ceviche. Mas tudo estava deliciosamente combinando e fresco. A porção é enorme, com várias texturas...
(meu prato de ceviche... até parece que só comi ele...)
De principal, fomos de tacu-tacu (não tirei foto, estava tão empolgada...) - arroz com caldo de feijão e lomo (mignon em tiras) com cebolla y morrones (pimentões). Tomamos Heineken de 1 litro (26 pesos, cara). Achei engraçado que no cardápio há vários pratos chineses. E eu pensando que a comida nipo-peruana era bem representativa do país... E a chino-peruana? Cadê esse tipo de cozinha no Brasil?
(Vicky e Gabi, fofas!)
Feria de Mataderos - Buenos Aires
(ovejaaaaasssss)
Dando continuidade à minha curta viagem no fim de agosto para Buenos Aires...
Mataderos não é um bairro muito amigável. Fica no extremo norte de Buenos Aires, ao lado de Ezeiza, cidade onde está o aeroporto internacional que leva o mesmo nome. A perifa da "cidade mais europeia da América Latina" não tem nada do glamour do centro. Perifa é sempre Perifa. Pegamos o 141 rumo à Feria de Mataderos e, logo no início, o motorista nos disse que nos deixaria num ponto e que teríamos que pegar outro ônibus para chegar até lá. E que não era para irmos a pé. Fomos saindo do centro e a cidade foi ficando cada vez mais interiorana, mais simples, mais pobre. Muito movimento e, depois, quase ninguém na rua. Era quase 1 da tarde de um domingo. O motorista nos deixou no ponto e nos fez prometer que não iríamos a pé. Tá bom, não fomos. Esperamos o 80 (linha que ele havia indicado) e ele não chegava. Em menos de 10 minutos, dois carros pararam para falar conosco. Melhor pegar um táxi.
(A Gabi ficou brother do minicavalo e da minillama)
O único que passou por nós logo nos perguntou: "Vocês sabem onde estão? Já vieram aqui?" Enfim, não. Uma quadra adiante começava uma favela imensa, a maior de Buenos Aires, segundo o motorista, uma "villa" (pronuncia-se vixa) - me disseram aqui nos comentários que é a Villa 15, conhecida como Ciudad Oculta. O motorista disse que era arriscadíssimo ficarmos ali, no ponto, sozinhas. Por isso o ônibus nos deixou ali, antes da "villa". Não que eu tenha medo de passar na frente de uma, mas não tínhamos pensado que isso aconteceria, e não havíamos escolhido a roupa mais sussa para tal. Estava na cara que não éramos dali, mas tudo bem - pegamos o táxi e fomos. O taxista nos disse para sairmos pelo outro lado da feira, menos perigoso e com mais linhas de ônibus para o centro. Descobrimos que o 92 para ali também - e nos deixou a uma quadra de casa.
(alfajores diferentes)
A feira é o máximo. A Gabi queria visitá-la há muito tempo, mas ninguém queria ir com ela. Essa fama de perigosa é real mesmo, mas jamais afetou nossa vontade, mesmo porque não passamos medo real algum. Eu também queria ter visitado da outra vez que estive em Buenos Aires, mas era tão longe...
(tamales)
Lá tem gente de tudo quanto é tipo: branco, índio, pobre, não-pobre, turista (poucos, os mais descolados), muitos idosos, adultos e jovens. Comemorava-se o Dia Internacional do Folclore (22 de agosto). No palco, várias atrações regionais, e nada de tango. Quem manda ali é a cultura criolla, do campo. Também tinha um minicavalo e uma llama em miniatura para levar crianças para passear, no meio da galera. Para comer, parrillada, choripan (pão com linguiça), tamales, locro e um sem fim de doces fritos ou assados, além, é claro, das empanadas. Há muita coisa de lã e couro na feira, e muitos artesanatos bonitos. As comidinhas artesanais também nos fizeram perder bastante tempo: milhares de tipos de queijos, salames, mel, compotas doces e salgadas, licores, chocolates, doces regionais (descobri que há vários tipos de alfajores), doce de leite, vinhos, azeites! É tudo artesanal e bonito; tem bastante produto de Mendoza e Jujuy - duas províncias do país.
(Pachamama)
Depois de horas de caminhada, sentamos em um restaurante bem simples, instalado em uma construção antiga. A feira fica em frente desse casarão lindo, que parece a casa da fazenda de uma antiga fazenda. A Gabi pediu locro, uma espécie de feijoada mais suave, com feijão branco, canjica e grãos de milho gigante, com tempero leve e carne vermelha com algum osso. Chegamos à conclusão de que a feijoada realmente não tem nada de original: puchero e cassoulet já existiam antes dela. Talvez o locro - a versão latina dos Andes - tenha sido contemporâneo. Eu pedi tamales, uma pamonha enrolada na folha do milho, mas com massa mais parecida com a polenta e recheada de carne. Com o molho chimichurri fica uma delícia! E Quilmes. Siempre. Compramos uns cubanitos de sobremesa, em uma barraca. Uns tubetes gigantes recheados de doce de leite. Delícia! Vimos parte do show (lotado) de um senhor índio simpático que cantava à Pachamama (não lembro o nome dele e perdi o link do evento, dãr).
(cubanitos)
(quesos)
(eu e a placa)
24/08/2010
A orquestra atrás dos banheiros

(flor sem flor)
Eu estava em outro pique nessa viagem. Não comprei alfajores Havanna, não comi parrillada nem ojo de bife ou chorizo. Só tomei vinho, bastante, e cerveja de 1 litro, idem. Fiquei na casa das fofas da Gabi e da Vicky, numa avenida gostosa da Villa Crespo. Queria me sentir em casa, sem as paranoias de turista, muito menos a sua pressa e ânsia de conhecer tudo.
No sábado (21/ago) fomos almoçar em um natural, Pura Vida, que vende saladas e wraps no centro viejo. Pedi um combo com 1/2 wrap e sopa do dia por 24 pesos. Assistimos (tentamos) ao concerto gratuito da Orquesta West-Eastern Divan, regida por Daniel Barenboim. Nós e meia Buenos Aires, que lotou a Avenida 9 de Julio na altura do obelisco. A organização foi muito lusitana de montar uma "corrente" de banheiros químicos em volta do palco, que estava num nível inferior - ou seja, as casinhas tapavam toda a visão. Não foi muito relaxante escutar música clássica olhando para banheiros químicos. Engraçado é que as pessoas faziam shhhhhiu para as outras que falavam num tom um pouco mais alto que o cochicho. Era preciso sussurrar em plena 9 de Julio, olhando para um monte de banheiro. Bizarro.
(alguém vê o palco aí?)
Saímos de lá e fomos ao Museo Nacional de Bellas Artes, atrás do cemitério da Recoleta. Eu não conhecia, gostei muito. Nosso guia foi Nico, um amigo das meninas peronista até o último fio de pelo do corpo. Um cara muito inteligente, sabe tudo da história de seu país, divertido e que, a cada 20 minutos, soltava um Perón, para não perder o costume... ahahah
Fomos ver a exposição de Antonio Berni, artista famoso que nasceu no início do século XX e morreu no fim do emsmo siglo. Ignorante da arte argentina, eu não o conhecia. Sua obra gira em torno de uma mesma temática, e não de uma técnica. É o conflito de classes, a desigualdade social, a enxurrada capitalista do consumo, os exageros e as faltas é que chamam sua atenção. Muito bacana. Mas cada quadro tem uma linha, um traço, uma técnica - o que é muito curioso. Olhando para as telas, vê-se Frida Kahlo, Portinari, desenhos naïfs e, vá lá, até Toulouse Lautrec ou a pop art. Além da temática, o que persiste em todos os quadros é a tristeza no olho de suas personagens. Olhares baixos, longe, de desalento.

(eu e a Gabi em frente à Faculdade de Direito e da flor, que se abre pela manhã e fecha no por-do-sol)
Demos uma volta no museu, para ver a exposição permanente, e saímos em direção a um bar não muito caro - porque a Recoleta é alto nível. O sol era uma bola laranja no horizonte, na direção contrária à que nascia a lua. Andamos um pouco para chegar ao La Milanesa, na Avenida Las Heras. O bar é bem bonitinho, pensamos que fosse caro. Para a nossa surpresa, Quilmes de 1 litro por 16 pesos, 8 reais. Baratíssimo. Além de tomarmos várias, pedimos uma batata para petiscar. Era gratinada com molho de queijo e cebolla de verdeo, uma espécie de broto de uma cebola roxa em formato de alho poró. Delícia.
Bebemos todas e fomos para casa. As meninas moram em um apê fofo, pertinho do Parque Centenário. Antes de subir, passamos no chino (gosto cada vez mais dos chinos) para comprar vinho, massa e outras cosas para o jantar. Comemos, bebemos vinho e a Vicky saiu para o aniversário de uma amiga. Ia rolar um esquenta na casa dela e depois cerca de 20 amigos embarcariam no 'trenzito de la alegria'. Sério. É um trezinho mesmo, desses parecidos com bonde, mas a motor, que circula pelas ruas de Palermo. O povo se embebeda dentro do trenzito e fica berrando e mexendo com os transeuntes. Meio bizarro, mas parece ser divertido (se você não estiver sóbrio, é claro). Resolvi dormir antes de sair, e quem disse que consegui acordar? Barriga cheia e fígado atarefado combinam com cama. E só acordei de madrugada, deitada de calça jeans, blusa e sutiã, espirrando, atrás de um antigripal. Tomei e voltei a dormir. Lindo dia!
(sol laranja. rico!)
A caminho de Buenos Aires
O serviço das Aerolíneas Argentinas é infinitamente melhor que da Gol. Eles oferecem vinho e cerveja e aquela bolacha nojenta com recheio radioativo não existe. No lugar, misto frio no pão de ervas; e bolo (meio sequinho, é certo) com cobertura delícia de limão. O preço é bem parecido e você ainda pode dar sorte de embarcar ou desembarcar no Aeroparque, que fica muito mais perto que o aeroporto de Ezeiza (e bem mais barato - 25 pesos x 118 pesos).
Para chegar a Cumbica foi um caos! Saí às 17h15 do trabalho e cheguei mais de duas horas depois. Puta congestionamento na marginal Tietê. No aeroporto, desci uma Heineken e uma Devassa ruiva. Porque, afinal, é sexta-feira.
Li alguma coisa no avião, que demorou mais de meia hora para decolar. Não consegui descobrir como faz para colocar o banco para trás e fiquei a viagem toda ereta. É horrível! O pior de tudo é começar a dormir com a cabeça despencando no ombro do vizinho. Indigno.
====
Sim, fui novamente a Buenos Aires. Renovar o meu ar.
Para chegar a Cumbica foi um caos! Saí às 17h15 do trabalho e cheguei mais de duas horas depois. Puta congestionamento na marginal Tietê. No aeroporto, desci uma Heineken e uma Devassa ruiva. Porque, afinal, é sexta-feira.Li alguma coisa no avião, que demorou mais de meia hora para decolar. Não consegui descobrir como faz para colocar o banco para trás e fiquei a viagem toda ereta. É horrível! O pior de tudo é começar a dormir com a cabeça despencando no ombro do vizinho. Indigno.
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Sim, fui novamente a Buenos Aires. Renovar o meu ar.
18/08/2010
"Possuídas pelo pecado" me possuiu

Ontem eu estava zapeando e passei pelo Canal Brasil. Passava o filme Possuídas pelo pecado, de Jean Garret (dos tempos áureos do cinema da Boca do Lixo), na sessão "Como era gostoso...". Os principais nomes do elenco eram David Cardoso e Agnaldo Rayol, este último com menos importância. Fazia um artista boêmio, que desenhava clientes de uma boate de strip tease no Rio de Janeiro. Acabou que desenhou a "secretária" de um ricaço alcoólatra, que o chamou para uma estadia em sua mansão para pintar um quadro. Coisa de mecenas mesmo...
Eu dei tanta, mas tanta risada com o filme, que não consegui desligar a TV e ir dormir. O protagonista é André, David Cardoso, com todos os músculos à mostra, motorista do ricaço, Leme (Benjamin Cattan) - um velho louco, preconceituoso, sádico, que bebe 24 horas por dia e não pode ter filho. Bem estereotipado. Ele tem duas 'secretárias', Jussara (Zilda Mayo) e Anita (Helena Ramos), que moram em sua casa, escondidas da mulher, e às custas dele, que as faz de gato e sapato. Anita bebe como uma porca e até beija o pé do patrão para dar um gole no uísque.
André é amante da mulher do ricaço, os dois planejam matá-lo para ela ficar com a fortuna do velho. A mãe dela desaprova. Roteiro clássico, sem surpresas. Acontece que a filha da empregada, Dorinha (Nicole Puzzi), vai morar na casa e se envolve com André. Engravida e ele tem a brilhante ideia de armar contra Leme: fingir que o filho é fruto de uma noite romântica com a menina depois de uma bebedeira. O ricaço cai na armadilha, pede "desquite" (assim mesmo, como nos velhos tempos) da mulher e começa a planejar o futuro de pai. Larga a bebida.
O melhor não é o roteiro, óbvio, mas as falas, caras e bocas e o jogo de câmeras. Tem uns momentos em que rolam uns cortes secos, e super closes, que lembram filmes de terror - e até um pouco da loucura de Godard e Antonioni. Tem muita nudez, cenas de strip, gordurinhas mais do que salientes para os padrões atuais, sexo, álcool, violência psicológica... só coisa imoral. E um monte de cenas bizarras, provocantes, apavorantes, diálogos desprezíveis e a fenomenal dublagem característica da época. Tudo errado. Mas muito bom. Tem uma cena em que Leme fica torturando Anita com uma garrafa de uísque, e a joga dentro de um chiqueiro. Sim, porcos. Inacreditável. Ela bebe a garrafa inteira num gole só, e a imagem dela pisca com a da cara do porco. Inesquecível. Sabe que eu acho que realmente existem pessoas assim, talvez um pouco menos estereotipadas, mas completamente submissas ou tiranas ou ambiciosas ou fúteis.
No final, o filme dá uma guinada meio séria, diferente do começo irônico e torpe. Fiquei sem saber por que. Não entendi também o nome do longa, o que pode ter sido explicado no começo - que perdi.
*Foto do estranhoencontro.blogspot.com
17/08/2010
Como as músicas se fixam em nossa memória (ou só na minha...)
Para tirar o blog do "nadismo" (ato ou efeito de fazer nada, por Pula Onishi), resolvi escrever um post sobre memória. A minha memória musical.
É engraçado como algumas das músicas que aprendi nas aulas de inglês e espanhol ficaram impregnadas na minha cabeça. Solto a voz sempre que as escuto, sem vergonha, por mais brega que sejam. "Las cartas que escribi, nunca las envie, no querras saber de mi. No puedo entender la tonta que fui, es cuestion de tiempo y fe..." (Shakira, Estoy aqui - alguém se lembra dela como está na foto?). Há outra: "So tell me have you ever really, really really loved woman... To really love a woman, to undernstand her, you've got to known what deep inside..." (Brian Adams -!!!-, Have you ever really loved a woman) – essa última eu escutei hoje no carro, vindo para o trabalho. Óbvio, berrando cada verso. Tem umas não-vergonhosas, como Woman in chains (Tears for fears) ou The fool on the hill (Beatles). São essa quatro, basicamente, que ficaram marcadas por causa da escola e do curso de inglês.
Há outras, também, que me vêm fácil fácil à lembrança. Elas têm a ver com a infância infância mesmo, quando eu malemá sabia o que era música. Minha mãe gostava muito de Chico e Elis. E eu ficava animada, pulando, com Boi voador, seguido, na gravação, por Não existe pecado do lado de baixo do Equador.João e Maria e Noite dos mascarados, interpretadas pelos dois, também estavam no meu top ten.
Minha mãe também tinha um disco duplo (é, minha gente, disco) chamado "Um homem, uma mulher", que, obvimante, trazia faixas cantadas por um homem e... uma mulher. A versão brasileira de Endless love (Amor sem fim, em português), cantada por não sei quem, me arrebatou o coração. Eu quase choro toda vez que ouço. Minha mãe achava brega, mas eu não. Um toco de gente e romântica. O que diria eu daquela época sobre eu de agora? Certo, é brega.
Tem uma bem legal, que eu acompanhava com o encarte do disco no colo (porque tentava ler a letra). Boquita de cereza, do Tarancón. "Besa que te besa, boquita de cereza, sueña que te sueña que no eres para mí. Llora que te llora mis ojos de tristeza, no tengo riqueza, mi alma es para tí". Não é fofa? Eu fui a um show do grupo quando eu tinha uns dois anos. Minha mãe não queria me deixar com ninguém e me levou. Quando ela viu, eu tinha subido no palco e a vocalista estava me olhando desconfiada. (Ah, sim, quando eu era pequena eu tinha o péssimo hábito de subir nas coisas, em todas)
E me lembro muito bem de uma música irritante que eu aprendi logo nas primeiras lições da flauta doce. Faz muuuito tempo, acredite. "Que é da margarida, o quê? O quê? O quê? Que é da margarida, o que se vai fazer?" A música era só isso, uma das mais difíceis do livrinho. Fiquei treinando um dia inteiro para conseguir tocar sem tropeços na próxima aula. Só que minha tia resolveu passar a tarde em casa, coitada. Ela ficou louca com a música, até hoje ela se recorda da margarida. Impregnou. Total.
É engraçado como algumas das músicas que aprendi nas aulas de inglês e espanhol ficaram impregnadas na minha cabeça. Solto a voz sempre que as escuto, sem vergonha, por mais brega que sejam. "Las cartas que escribi, nunca las envie, no querras saber de mi. No puedo entender la tonta que fui, es cuestion de tiempo y fe..." (Shakira, Estoy aqui - alguém se lembra dela como está na foto?). Há outra: "So tell me have you ever really, really really loved woman... To really love a woman, to undernstand her, you've got to known what deep inside..." (Brian Adams -!!!-, Have you ever really loved a woman) – essa última eu escutei hoje no carro, vindo para o trabalho. Óbvio, berrando cada verso. Tem umas não-vergonhosas, como Woman in chains (Tears for fears) ou The fool on the hill (Beatles). São essa quatro, basicamente, que ficaram marcadas por causa da escola e do curso de inglês.Há outras, também, que me vêm fácil fácil à lembrança. Elas têm a ver com a infância infância mesmo, quando eu malemá sabia o que era música. Minha mãe gostava muito de Chico e Elis. E eu ficava animada, pulando, com Boi voador, seguido, na gravação, por Não existe pecado do lado de baixo do Equador.João e Maria e Noite dos mascarados, interpretadas pelos dois, também estavam no meu top ten.
Minha mãe também tinha um disco duplo (é, minha gente, disco) chamado "Um homem, uma mulher", que, obvimante, trazia faixas cantadas por um homem e... uma mulher. A versão brasileira de Endless love (Amor sem fim, em português), cantada por não sei quem, me arrebatou o coração. Eu quase choro toda vez que ouço. Minha mãe achava brega, mas eu não. Um toco de gente e romântica. O que diria eu daquela época sobre eu de agora? Certo, é brega.
Tem uma bem legal, que eu acompanhava com o encarte do disco no colo (porque tentava ler a letra). Boquita de cereza, do Tarancón. "Besa que te besa, boquita de cereza, sueña que te sueña que no eres para mí. Llora que te llora mis ojos de tristeza, no tengo riqueza, mi alma es para tí". Não é fofa? Eu fui a um show do grupo quando eu tinha uns dois anos. Minha mãe não queria me deixar com ninguém e me levou. Quando ela viu, eu tinha subido no palco e a vocalista estava me olhando desconfiada. (Ah, sim, quando eu era pequena eu tinha o péssimo hábito de subir nas coisas, em todas)
E me lembro muito bem de uma música irritante que eu aprendi logo nas primeiras lições da flauta doce. Faz muuuito tempo, acredite. "Que é da margarida, o quê? O quê? O quê? Que é da margarida, o que se vai fazer?" A música era só isso, uma das mais difíceis do livrinho. Fiquei treinando um dia inteiro para conseguir tocar sem tropeços na próxima aula. Só que minha tia resolveu passar a tarde em casa, coitada. Ela ficou louca com a música, até hoje ela se recorda da margarida. Impregnou. Total.
O que eles querem delas
De um amigo, deveras sabedor das coisas da vida, sobre as mulheres (a mocinha ao lado parece se encaixar, para ele, nesses requisitos):A gente sempre leva em consideração alguns pontos básicos. Digamos que exista um limite máximo de assimetrias.
Limite de assimetria: não pode ter o cérebro menor que o coração; não quero só amor e afeto, aliás, só um tantinho mínimo; quero desafio.
Pontos básicos (fisicamente falando): proporção razoável de ombros e quadris; a bunda é mais importante que o peito; rosto (bonito) flexível, isto é, nem cara de puta constante, nem cara de santa permanente.
15/08/2010
Patacho - dia 4
04/abril
Estou cheia de bolinhas vermelhas na canela, parece alergia. Não sei do quê, mas desconfio que seja da água do mar quente. Tá coçando muito.
[as fotos de hoje estão horríveis pq foram feitas no meu celular]
Tomamos café e eu voltei para o ar condicionado do quarto. O Thomaz está lendo na varanda. Daqui a pouco saímos para as piscinas naturais.
O Fábio, que nos levou às piscinas, disse que nos viu ontem passando na estrada, a pé = andarilhos!! [certeza que NENHUM turista andou tanto assim, e na beira da estrada] Disse que nós devemos ter andado uns 25 quilômetros. Não é a toa que hoje minha batata da perna está dolorida...
As piscinas são lindas! Aproveitamos a maré alta para ultrapassar os corais. A água se apresenta em todas as tonalidades de verde, verde-azulado. Vimos muitos peixes: palhaço, pretos, azulados, vermelhos, roxinhos, riscados, cinzas, peixes que pulam (juro), corais roxos e vermelhos e até lagostim! O Fábio abriu um ouriço e os peixes vieram comer suas ovas. Assim nem precisa sujar o mar com migalhas de pão! Ele disse que sai muito para caçar lagosta e polvo em alto mar, a bordo de sua jangadinha. Mas contou que certa vez foi pescar de verdade, nesses barcos que passam 15 dias no mar, e não aguentou. Ele e um primo passaram mal a viagem toda, as ondas eram enormes, e o capitão do barco resolveu voltar no segundo dia. Se é duro para gente que vive no mar e do mar, imagine para nós, da cidade...
O passeio foi uma delícia e voltamos à pousada às 13h. Vamos almoçar por aqui mesmo. Ficamos com preguiça de ir para algum restaurante a pé ou de bike. As coisas aqui são longe para quem está a pé e cansado!
O Thomaz-olho-maior-que-a-barriga quis pedir 3 petiscos no almoço, em vez de um prato para cada. Macaxeira frita, polvo vinagrete e filé de aratu, que vieram à mesa nessa ordem. As porções são grandes, ou seja, muita comida. A mandioca estava crocante e macia, o polvo, delicioso (foto do Thomaz querendo pegar a mandioca antes do clique). Quando o aratu chegou, coitado, não tínhamos mais fome! Aratu é um caranguejo vermelho do mangue e estava muito bom: a carne é meio desfiada e o prato parece uma espécie de fritada. Comemos feito bois e fomos ler.
Eu estava muito queimada e dolorida, então fui tomar banho frio e arrumar minhas coisas. Depois, só mofamos. À noite, o céu estava estreladíssimo, coisa comum por aqui. É muito agradável ficar sentado no jardim, sentindo a brisa e olhando as estrelas. Depois assistimos a uma sessão de fotos de um fotógrafo e uma modelo que estavam hospedados na pousada. O Christian estava animadíssimo. Mais tarde, pagamos a nossa estadia e mais uma brincadeira do Christian: imprimiu a conta em números minúsculos, para perecer menor... ahahhah Quando íamos voltar para o quarto e esperar o transfer, ele chamou toda sua brigada e fez com que cada funcionário se despedisse de nós. Normalmente rola gritaria, buzinaço. Mas como iríamos embora meia-noite, ele achou por bem não fazer barulho. Preferiu me dar 348324 beijos de tchau. rs (na foto, a porta dos fundos do nosso quarto-casinha)
Eu dormi e depois colocamos um filme, Em Paris. Logo já era meia-noite e fomos esperar o transfer, que se atrasou um pouco. Ah, pagamos 140 reais. Muito mais do que R$ 11 de cada passagem do busão, mas infinitamente melhor. Ele demorou 2h para percorrer os 120km. Juro que não dava para ir mais rápido, é uma estradinha safada, cheia de curvas, e, óbvio, não conseguimos pregar o olho. Ainda em São Miguel dos Milagres, o moço atropelou um gato siamês. Ele ficou mal. "E era daqueles de raça..." O bicho estava bem no meio da rua, deitado. O motorista diminuiu a velocidade e o gatinho veio direto para baixo do carro. As duas rodas, da frente e de trás, passaram por cima dele. Tum, Tum. Foi triste, pobre gato.
Começou a dar fome no meio da viagem e ainda bem que o aeroporto de Maceió tem restaurante aberto de madrugada (ao contrário de Cumbica, que só tem lanche). Comemos e fomos embarcar. Óbvio que não dormimos direito. Chegamos perto das oito horas de uma manhã chuvosa, feia, fria e cheia de congestionamentos. Bem-vindos a São Paulo.
Estou cheia de bolinhas vermelhas na canela, parece alergia. Não sei do quê, mas desconfio que seja da água do mar quente. Tá coçando muito.
[as fotos de hoje estão horríveis pq foram feitas no meu celular]
Tomamos café e eu voltei para o ar condicionado do quarto. O Thomaz está lendo na varanda. Daqui a pouco saímos para as piscinas naturais.O Fábio, que nos levou às piscinas, disse que nos viu ontem passando na estrada, a pé = andarilhos!! [certeza que NENHUM turista andou tanto assim, e na beira da estrada] Disse que nós devemos ter andado uns 25 quilômetros. Não é a toa que hoje minha batata da perna está dolorida...
As piscinas são lindas! Aproveitamos a maré alta para ultrapassar os corais. A água se apresenta em todas as tonalidades de verde, verde-azulado. Vimos muitos peixes: palhaço, pretos, azulados, vermelhos, roxinhos, riscados, cinzas, peixes que pulam (juro), corais roxos e vermelhos e até lagostim! O Fábio abriu um ouriço e os peixes vieram comer suas ovas. Assim nem precisa sujar o mar com migalhas de pão! Ele disse que sai muito para caçar lagosta e polvo em alto mar, a bordo de sua jangadinha. Mas contou que certa vez foi pescar de verdade, nesses barcos que passam 15 dias no mar, e não aguentou. Ele e um primo passaram mal a viagem toda, as ondas eram enormes, e o capitão do barco resolveu voltar no segundo dia. Se é duro para gente que vive no mar e do mar, imagine para nós, da cidade...O passeio foi uma delícia e voltamos à pousada às 13h. Vamos almoçar por aqui mesmo. Ficamos com preguiça de ir para algum restaurante a pé ou de bike. As coisas aqui são longe para quem está a pé e cansado!
O Thomaz-olho-maior-que-a-barriga quis pedir 3 petiscos no almoço, em vez de um prato para cada. Macaxeira frita, polvo vinagrete e filé de aratu, que vieram à mesa nessa ordem. As porções são grandes, ou seja, muita comida. A mandioca estava crocante e macia, o polvo, delicioso (foto do Thomaz querendo pegar a mandioca antes do clique). Quando o aratu chegou, coitado, não tínhamos mais fome! Aratu é um caranguejo vermelho do mangue e estava muito bom: a carne é meio desfiada e o prato parece uma espécie de fritada. Comemos feito bois e fomos ler.
Eu estava muito queimada e dolorida, então fui tomar banho frio e arrumar minhas coisas. Depois, só mofamos. À noite, o céu estava estreladíssimo, coisa comum por aqui. É muito agradável ficar sentado no jardim, sentindo a brisa e olhando as estrelas. Depois assistimos a uma sessão de fotos de um fotógrafo e uma modelo que estavam hospedados na pousada. O Christian estava animadíssimo. Mais tarde, pagamos a nossa estadia e mais uma brincadeira do Christian: imprimiu a conta em números minúsculos, para perecer menor... ahahhah Quando íamos voltar para o quarto e esperar o transfer, ele chamou toda sua brigada e fez com que cada funcionário se despedisse de nós. Normalmente rola gritaria, buzinaço. Mas como iríamos embora meia-noite, ele achou por bem não fazer barulho. Preferiu me dar 348324 beijos de tchau. rs (na foto, a porta dos fundos do nosso quarto-casinha)Eu dormi e depois colocamos um filme, Em Paris. Logo já era meia-noite e fomos esperar o transfer, que se atrasou um pouco. Ah, pagamos 140 reais. Muito mais do que R$ 11 de cada passagem do busão, mas infinitamente melhor. Ele demorou 2h para percorrer os 120km. Juro que não dava para ir mais rápido, é uma estradinha safada, cheia de curvas, e, óbvio, não conseguimos pregar o olho. Ainda em São Miguel dos Milagres, o moço atropelou um gato siamês. Ele ficou mal. "E era daqueles de raça..." O bicho estava bem no meio da rua, deitado. O motorista diminuiu a velocidade e o gatinho veio direto para baixo do carro. As duas rodas, da frente e de trás, passaram por cima dele. Tum, Tum. Foi triste, pobre gato.
Começou a dar fome no meio da viagem e ainda bem que o aeroporto de Maceió tem restaurante aberto de madrugada (ao contrário de Cumbica, que só tem lanche). Comemos e fomos embarcar. Óbvio que não dormimos direito. Chegamos perto das oito horas de uma manhã chuvosa, feia, fria e cheia de congestionamentos. Bem-vindos a São Paulo.
07/08/2010
Patacho - dia 3
03/abril
Acordamos às 8h50. Pedimos misto quente com queijo coalho (luxo em SP, ordinário, aqui), frutas e suco e saímos em caminhada, longa caminhada. Decidimos que iríamos até Porto da Rua, em São Miguel dos Milagres (cidade vizinha). Até o Tiago, da pousada, achou muito longe irmos e voltarmos a pé. Mas a gente é forte e aguenta tudo. Vamo que vamo...
A paisagem é linda, o mar tem várias tonalidades de verde e, em alguns lugares, as piscinas são límpidas (a maré contribui para o mar ficar mais ou menos agitado). Quase ninguém pelo caminho, encontramos até um casal enamorado demais na praia... Caminhamos cerca de 2h30 até chegarmos ao Rio Tatuamunha. Para atravessá-lo, com a mochila na cabeça, tivemos que enfrentar uma puta correnteza. Enfim, passamos. Logo depois do rio, outra surpresa: havia um banco de areia que era um verdadeiro berçário de caranguejos ou siris... não soubemos classificar. Tinha bicho de tudo quanto é tamanho, dos menores possíveis. Dava até dó de pisar no chão com medo de machucar algum recém-nascido. Mas parece que as pessoas de lá não ligam muito pra isso. Tinha uma manezão jogando frescobol em cima do berçário! Quantos caranguejos ele não matou em uma tarde?
Logo estávamos em Porto da Rua (na foto, logo depois que conseguimos atravessar o rio). Ali, os barcos pareciam encalhados na praia. E estavam, por causa da maré baixa. Se eles não saem para passeio de manhã, só no fim da tarde, quando a maré subir. Paramos no Restaurante do Elídio, sugestão da Carla do peixe-boi, e tomamos dois cocos deliciosamente doces e gelados. É outra coisa tomar água de coco onde eles nascem... a melhor, ever. Depois de duas caipirinhas cada um, a R$ 3 cada, pedimos casquinha de siri (R$ 4), polvo ao coco com farofa (R$ 20, uma entrada) e porção de pirão (R$ 4). O pirão é diferente, acho que feito com farinha de tapioca, com mais 'sustância'. O polvo, delicioso, fez provar que o Thomaz gosta desse molusco - e ele não gosta de frutos do mar, só peixe e lula. Comemos e tudo ficou R$ 48.
Infelizmente, resolvemos voltar a pé. A maré já tinha subido e o rio estava intransponível para quem carrega mochila. Tivemos que fazer metade do percurso pela estrada e, acredite, não é a coisa mais legal do mundo tomar sol na cabeça sobre o asfalto. O vento da beira-mar nem deu sinal de vida. Fiquei muito irritada, de cansaço, calor, dor nos pés... No fim de nossa jornada pela estrada, passamos por um mangue (é, na beira da estrada) e me diverti com os caranguejinhos entrando em suas tocas. Incrível, porque há tocas a 30 cm do asfalto!
Passamos numa mercearia onde seis mulheres tagarelavam alto para comprar água e cerveja (mais baratas, é claro, do que na pousada). Entramos no acesso à Praia da Lage e finalmente encontramos o mar. Andamos mais ou menos uma hora e chegamos à pousada, às 17h30. No total, foram quase seis horas de caminhada. Voltamos podres!! Tomamos uma ducha merecida e ficamos tomando vento. Estamos na varanda do quarto onde o sapinho normalmente ficaria. Mas ele não está. Acho que o assustamos.
Mais tarde, comemos salada com molho de mostarda (eu) e sopa de peixe (TO+), que estava deliciosa - a melhor de todas as sopas que provamos aqui. Pegamos um filme (Mutum) e combinamos o transfer com o Christian. Sairemos amanhã à meia-noite.

(Caminha, desgraçada! Nessa hora, passamos por um assentamento de camponeses sem-terra)
Acordamos às 8h50. Pedimos misto quente com queijo coalho (luxo em SP, ordinário, aqui), frutas e suco e saímos em caminhada, longa caminhada. Decidimos que iríamos até Porto da Rua, em São Miguel dos Milagres (cidade vizinha). Até o Tiago, da pousada, achou muito longe irmos e voltarmos a pé. Mas a gente é forte e aguenta tudo. Vamo que vamo...
Infelizmente, resolvemos voltar a pé. A maré já tinha subido e o rio estava intransponível para quem carrega mochila. Tivemos que fazer metade do percurso pela estrada e, acredite, não é a coisa mais legal do mundo tomar sol na cabeça sobre o asfalto. O vento da beira-mar nem deu sinal de vida. Fiquei muito irritada, de cansaço, calor, dor nos pés... No fim de nossa jornada pela estrada, passamos por um mangue (é, na beira da estrada) e me diverti com os caranguejinhos entrando em suas tocas. Incrível, porque há tocas a 30 cm do asfalto!
Passamos numa mercearia onde seis mulheres tagarelavam alto para comprar água e cerveja (mais baratas, é claro, do que na pousada). Entramos no acesso à Praia da Lage e finalmente encontramos o mar. Andamos mais ou menos uma hora e chegamos à pousada, às 17h30. No total, foram quase seis horas de caminhada. Voltamos podres!! Tomamos uma ducha merecida e ficamos tomando vento. Estamos na varanda do quarto onde o sapinho normalmente ficaria. Mas ele não está. Acho que o assustamos.
Mais tarde, comemos salada com molho de mostarda (eu) e sopa de peixe (TO+), que estava deliciosa - a melhor de todas as sopas que provamos aqui. Pegamos um filme (Mutum) e combinamos o transfer com o Christian. Sairemos amanhã à meia-noite.
(Caminha, desgraçada! Nessa hora, passamos por um assentamento de camponeses sem-terra)
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