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31/08/2012

A irracionalidade do ser racional

Tem coisas que você realmente gostaria que dessem certo, mas não dão. Apesar de tentar, se dedicar, correr atrás, não gruda. Não dá cola. Não engrena. No trabalho, na amizade, nos planos para o futuro, nas relações amorosas...

E quero falar sobre estas últimas. A gente passa a vida inteira procurando alguém que realmente se preocupe com a gente e, quando encontra uma pessoa de coração e alma abertos, ela não toca nosso coração. Não o faz balançar, tremer e eriçar nossos pelos. E a gente tem que dizer tchau a oportunidades únicas.

Por que será que, racionalmente, procuramos alguém que goste cegamente da gente, se, na prática, estimulamos nossa irracionalidade atrás de pessoas que, invariavelmente, nos machucarão? A gente gosta de viver em frangalhos?

Papo trash esse de pensar que, de repente, estou (ou estamos?) fazendo tudo errado. Pessoa tão emocionalmente independepente também pode perder a cabeça por alguém, não é mesmo? E os inseguros poderão se sentir maduros em relações fortes e duradouras. É certo. Mas será que a sensação de estar com alguém não se confunde com a posse, e isso é o que realmente permeia a maioria das relações? Uátemsomdiú? Setembrochove?

Muitas dúvidas nesse dia. E hoje tem Blue Moon. E em dezembro o mundo vai acabar. Será?

"João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém"

04/11/2011

"Gosto de homens que se vestem de forma natural"


Outro dia estava com muuuito sono – essa praga tem me atacado no fim da tarde. E às vezes salta para a noite e me deixa completamente bêbada de sono. É nesse estadinho que eu estava assistindo a algum programa de gastronomia (pra variar) no Glitz. Estava com preguiça de ir para a cama, mas caindo de sono. Então, na hora do intervalo, fechava os olhos para ficar de preguicinha. Foi assim que escutei: "Eu gosto de homens que se vestem de forma natural", ou "de um jeito natural" – algo assim. Não deu tempo de abrir os olhos para saber quem falou tamanha abobrinha, mas imaginei várias coisas:

= homem nu (ou seja, não se veste)
= Adão, com apenas uma folha de uva para cobrir as vergonhas
= vive na praia e só usa sunga, camiseta e chinelo
= aquele que só se veste com fibras naturais
= homem que não penteia o cabelo nem faz a barba
= quem abre o guarda-roupa e pega a primeira roupa que vir, sem ligar para a combinação
= homem que já nasceu engomado e continuará assim para a eternidade

...

Que raios ela quis dizer com "natural"?? Presumindo que cada homem tem seu próprio ar "natural", esse conceito é totalmente flexível. Cada uma...

26/11/2010

Transcrições II

Também não são meus, mas são. :)

Nas leituras da vida...

"Especialistas são pessoas que sabem cada vez mais sobre cada vez menos até saberem tudo sobre nada."

"Várias das grandes ruínas que hoje decoram os desertos e as florestas são monumentos às armadilhas do progresso, lápides de civilizações que se converteram em vítimas de seu sucesso" - Ronald Wright, em "Uma breve história do progresso"

"O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso" - Mario Quintana

"- Qual é sua medida de tempo preferida?
- Não entendi.
- A medida de tempo. Qual você prefere?
- Os lustres.
- Lustres?
- Sim, a cada cinco anos. E você?
- Às vezes.
- Às vezes é lustres? [não achei "lustres" no dicionário]
- Não, às vezes. É a minha medida de tempo preferida." - Diálogo em O abraço partido, filme argentino


"Estela era um túnel que desembocava na minha morte (...) Agora percebo que vou morrer e ela não estará fazendo cafuné na minha cabeça." - O abraço partido, filme argentino


"A menina escreveu um conto. 'Mas seria muito melhor se você escrevesse um romance', disse a mãe. A menina construiu uma casinha de boneca. 'Seria muito melhor se fosse uma casa de verdade', disse a mãe. A menina fez um pequeno travesseiro para o pai. 'Seria mais útil se fosse uma colcha', disse a mãe. A menina cavou um buraquinho no jardim. 'Seria muito melhor se tivesse cavado um buraco grande', disse a mãe. A menina cavou um buraco grande e foi dormir dentro dele. 'Seria muito melhor se você dormisse para sempre', disse a mãe." - A mãe, de Lydia Daris, saiu na Piauí


A insustentável leveza do ser
Milan Kundera

"Eu poderia dizer que a vertigem é a embriaguez causada pela nossa própria fraqueza, mas não queremos resistir a ela e nos abandonar. Embriagamo-nos com nossa própria fraqueza; queremos desabafar em plena rua, à vista de todos, queremos estar no chão, ainda mais baixo que o chão!!"

"Não encontro outra explicação senão a de que o amor não era para ele, o prolongamento, mas sim a antítese de sua vida pública. O amor era para ele o desejo de se entregar às vontades e caprichos do outro. Aquele que se entrega ao outro como um prisioneiro de guerra deve antes entregar todas as armas. Vendo-se sem defesa, não pode deixar de se indagar quando virá o golpe. Posso, portanto, dizer que o amor era para Franz a espera contínua do golpe que iria atingi-lo."

"Enquanto as pessoas são ainda mais ou menos jovens e a partitura de suas vidas está somente nos primeiros compassos, elas podem fazer juntas a composição e trocar os temas. Mas quando se encontram numa idade mais madura, suas partituras musicais estão mais ou menos terminadas, e cada palavra, cada objeto, significa algo de diferente na partitura do outro."


Cama de gato - filme

"O capitalismo é autofágico."

"As pessoas vão ver que é pior ter todo o espaço do mundo para se expressar e porra nenhuma para dizer."

25/11/2010

Da série: Escritos antigos de 1989/91

Redação para o Dia das Mães (adoooro!!), maio de 1989 (7 anos)

Dia da Mamãe

Minha mãe é bonita, legal e bondosa.
Ela tem olhos castanhos, cabelos meio vermelhos, meio alta, um pouco branca e com muita sarna.
Minha mãe gosta de sopa, batatinha frita, salada de alface tomate e pipino, arroz e feijão.
Ela gosta de ficar lendo livro com a televisão ligada.
A parte da casa que ela mais gosta é o quarto.

(sic)

PS.: Cabelos "meio vermelhos"? Ela tinha cabelos vermelhaços, ferrugem, ninguém tinha dúvida de que era ruiva. "Um pouco" branca? Muito branca. Alva. "meio alta"?? Hahaha. 1,57m e meio, como ela dizia.
PS.2: Sarna??? WTF?? Sardas, como a professora Carolina, da 2ª série A, bem me corrigiu.
PS.3: pEpino.



Redação: "Meu brinquedo preferido", 1991, 4ª série A, professora Chenorik (10 anos - pensava que podia escrever diferente dos outros...)

Meu brinquedo preferido é brincar com a alegria, é passear no bosque, na praia, na floresta, em qualquer lugar, mas sempre com amor. [Obs. da profª.: Que bom!]
Meu brinquedo preferido é ter amigos, amizade, e sentir amor ao próximo.
Meu pior brinquedo é o ódio, a maldade, a raiva, tudo o que nos atinge, nos fazendo mau.
Meu brinquedo preferido é estudar e tirar boa nota na prova. [Obs. da profª.: Maravilha!! Estudar e conhecer é muito interessante].
Meu brinquedo que eu mais gostava era brincar no parquinho, de boneca, com meus primos que eu mais gosto, que eu mais amo.
Ainda eu adoro brincar, fazer tudo de bom para meus primos.
Eu não gosto de ler, só leio de vez em quando, mas sei que uma das melhores brincadeiras, uma das melhores coisas de se fazer quando está só: é ler um "livro".

Comentário da professora Cheno:
Laura, você não terá nota máxima simplesmente porque não respeitou os parágrafos (alinhamento), o que a tia Cheno alertou bastante!! Você escreve muito bem e tem ótimo coração!

(sic)

PS.: Por que não falar de brinquedo físico, né? Ah, canceriana...
Ps.2: Se a redação é brinquedo preferido, por que falar do pior brinquedo? Eu-sou-do-contra.
PS.3: Será que a catequese me influenciou tanto para me fazer uma pré-adolescente que ama tanto o próximo?
PS.4: Sentia-me tão adulta que tinha que dizer que gostaVA de brincar de boneca e com os primos?
PS.5: Minha mãe deve ter tido uma síncope ao ler que eu não gostava de ler. Fora que eu escrevo "livro" no fim. WTF aspas?
PS.6: Adorei o comentário da tia Cheno. Eu só pulava a linha para começar o parágrafo, não deixava o espaço antes do texto, o que, normalmente, naquela época, teria que fazer. O legal é que na internet não tem mais essa de espaço do parágrafo, né? É tudo JUSTIFICADO.

24/11/2010

Ela

Ela olhou para trás e viu a porta bater. Sentiu como se um fio gelado passasse por dentro de sua espinha; tremeu. Deveria ter olhado pouco antes de ele sair? Como se aquela fosse a última vez? Seria aquela a última vez?

Ela voltou o olhar à revista que estava aberta à sua frente. Meneou a cabeça, sentiu o estômago torcer, a garganta, trancar. Será que ele havia olhado para ela antes de sair? No que ele pensou? Sim, porque ele pensou em alguma coisa. Impossível não pensar...

Ela havia sido fria. Fria, cruel, extremamente desprovida da exaltação que lhe era inerente. Não precisava ser assim, não queria. Mas como iria se defender se não o fizesse? Reagiu mal, bem mal. Sabia disso. Ela só o ignorava porque ele era incapaz de reconhecer sua tristeza, ou de entendê-la.

Ela pensava e lia a revista. As palavras, as linhas, os parágafos, pareciam surgir de acordo com seus pensamentos, como se estes tivessem sido traçados previamente por algum jornalista. Percebeu que não conseguia se concentrar se a cabeça não descansasse. Não fazia ideia do que havia lido nos últimos 20 minutos. Fechou a revista e se levantou.

Ela caminhou. Sentiu os pés descalços no chão de taco, meio geladinho, meio confortante. Como um abraço de verdade, um carinho que relaxa. Recordou-se da última vez em que ele a havia abraçado com força, do último momento em que se sentiu protegida, amada. Foi difícil buscar na lembrança, parece que eles estavam distantes há tanto tempo...

Ela se jogou no sofá e arrumou as almofadas do jeito que fazia todas as vezes que desejava que o mundo a esquecesse. Sentiu que os únicos braços que poderiam ampará-la eram os do sofá. Ali permaneceu, com a cara enfiada na montanha de almofadas. E quase dormiu.

Ela despertou com o barulho da porta se abrindo. Era ele. Voltara com uma garrafa de vinho e o almoço comprado, como combinado. Ela demorou a levantar, ele pensou que estava cansada. Ela não tinha muito apetite, ela achava que estava fazendo regime. Ela não o olhava diretamente, ele achou que era pelos olhos inchados. Ele não perguntou, ela também não. Mesa posta, ela foi comer com a certeza de que algo havia se transformado. Ela.

19/11/2010

Meu mundo em perigo

Passar uns dias num hotelzinho meia bomba no centro para fugir e esquecer os problemas, mesmo sabendo que eles não serão esquecidos. É algo que mais ou menos 99% das pessoas gostariam de fazer. Clicar no "reiniciar", fazer o que o tempo mandar, colocar a cara ao vento livre de preconceitos, fingir ser quem não é ou ser você mesmo com o máximo de autenticidade.

Chorar, gritar, esquecer. Dormir sem hora para acordar. Confiar naquele que mal conhece, esquecer aqueles que te conhecem bem.

Meu mundo em perigo, de José Eduardo Belmonte e que estreia no dia 10 de dezembro, é um pouco isso. É o mesmo diretor de Se nada mais der certo, PUTA filmaço. O novo longa segue a mesma linha "tragédia humana". Não chega a ser superior ao anterior, mas, ainda assim, muito bom.


O enredo dá uma forçadinha, mas é tudo muito bem feito, pensado. As falas são densas, cheias de significados. A trilha se mistura aos diálogos, a película, a retratos. A concepção estética casa ao tormento das personagens, nada é muito colorido, apenas as lembranças – saturadas. É tudo muito dolorido, sofrido. As lágrimas são de desespero, um pedido de socorro.

É a história de um homem perturbado, que acaba de perder a guarda do filho e atropela e mata um sujeito. O homem, Elias, é um fotógrafo (Eucir de Souza). A vítima, pai de Fito (Milhem Cortaz), que fica inconsolável e jura vingança. As atuações são ótimas.

Meu mundo em perigo ganhou os prêmios de Melhor Filme segundo a Crítica e Melhor Ator no Festival de Brasília de 2007. Demorou, mas agora ele veio.

18/11/2010

Combo 3-D, não!

Eu recebo várias promoções no meu email do Hotmail. Americanas, Submarino, Fast Shop, Livraria Cultura... um sem fim de malas diretas contemporâneas-virtuais. A Fast Shop anda me enviando promos espetaculares de combos: TV 3-D + PlayStation + kit 3-D: transmissor, óculos 3-D, jogos e filme Blu-Ray.

Fast Shop, querida, eu não me dou bem com 3-D (dá uma lida nisso aqui. Minha experiência com Avatar não foi nem um pouco boa). Me dá arrepios, revertério e vertigem só de pensar. E você já me mandou trocentos emails com o mesmo pacote! E, se as opções entre 40 ou 46 polegadas parecem interessantes (R$ 7,2 mil ou R$ 9 mil), só parecem interessantes a outros clientes. TejE ciente que na minha casa não cabe uma TV maior que 32 polegadas. Quer me vender algo realmente bom? Faça uma promoção de 32', sem 3-D e sem nada dessas outras coisas. E de microondas pequeno. E de DVD player.

Além disso, eu sou péssima no PS. Tosca. O controle não me entende e eu não entendo ele. Adoro ver os outros matando no GTA, mas eu não sou boa aluna. No Wii eu me saio um pouco menos pior.

Capisce?

12/10/2010

O cravo brigou com a rosa

Hoje tentei me lembrar dessa música, mas não conseguia. Confundia a primeira com a segunda estrofe. Foi uma música muito presente na minha infância, e nem sabia o que ela significava. Agora, lendo sua letra, percebo que ela - que é tão cética - muito tem a ver comigo - na fase adulta, sempre tão pessimista e ao mesmo tempo sensível, sentimental. É uma letra despretenciosa, mas de uma verossimilhança incrível. Fica aqui um pouco da ingenuidade da infância, de quando não sabíamos o que significavam as letras, e cantávamos sem indagar. Um pouco daquilo que não podemos perder nunca.

O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada
O cravo saiu ferido
E a rosa despedaçada

O cravo ficou doente
E a rosa foi visitar
O cravo teve um desmaio
E a rosa pôs-se a chorar

10/10/2010

Quando a vida começa a patinar

Eu sou "contra" a depressão. O que eu aturo, no máximo, é uma melancolia, mas a depressão não me pega. Acho que o indivíduo deprimido produz um tipo de endorfina da tristeza que o faz ficar bem. Sabe? Ele precisa daquele estado para se sentir bem. Não que a depressão seja algo bom, mas os deprimidos meio que precisam dela, se acolhem nela, se identificam com ela... Eles ficam patinando, não saem do lugar, e não conseguem sair porque essa droguinha fica falando que ali está bom, que ali é conhecido, que ali é quentinho.

Essa semana foi péssima para mim. Se caísse um raio em São Paulo, ele escolheria minha cabeça como alvo. Outro dia fui tirar dinheiro do caixa eletrônico e veio uma nota de 20 reais rasgada ao meio. "Quando o negócio está ruim, o urubu de baixo caga no de cima", diria minha mãe. Sábia.

Mas eu tenho um negócio que não me deixa ficar quieta. Eu, naturalmente, transfiro a energia negativa para outra coisa: trabalho mais, bebo mais, estudo mais, gasto mais dinheiro... Nem sempre canalizar para outra coisa traz um saldo positivo. Mas é assim que acontece. A ideia de ficar no mesmo lugar me assusta, dá medo mesmo, gera os mais deprimentes pensamentos. Para mim, o estado de não sair do lugar é depressivo, por isso eu o afasto.

Só que há momentos na vida (que frase mais horrorosa, credo! Vou começar de novo). Só que às vezes eu me sinto patinando ao mesmo tempo em que quero voar. Esmagada por um muro de concreto, ou afundando na areia movediça com uma força para sair dela maior do que eu. Estou assim. Sapateando no mesmo lugar, como fazem os deprimidos, sentados em sua poltrona de veludo do desgosto. Mas, diferente deles, eu não gosto e não quero ficar assim. Me sinto com as asas cortadas e com toda a energia para voar - toda ela sendo subjugada, reprimida.

E esses dias de frio, chuva, a tendência é só piorar. Sou como sapo ou o lagarto, pecilotérmico. Preciso do sol para me esquentar.

23/09/2010

... tenha piedade de nós

Hoje aconteceu uma coisa que me deixou bem triste. Estava em um farol na Avenida Queiróz Filho com a Gastão Vidigal, onde um homem que tem alguma problema na coluna (ele vive curvado) pede dinheiro todos os dias. O sinal abre e eis que uma senhora, de cabelos loiros avolumados por laquê e óculos com detalhes dourados, avança sobre o moço, que terminava de atravessar a avenida em frente ao carro dela. Não contente em acelerar o carro, ela ficou esbravejando, batendo com as mãos sobre o volante. O estadardalhaço foi tanto que consegui ver tudo isso estando atrás dela. O moço se locomove com dificuldade, acho que isso só piorou o mau humor da perua velha.

Ele está ali todos os dias, sempre pedindo dinheiro. Nunca ameaçou ninguém, nunca o vi ser incoveniente. Tem pessoas que já o conhecem e levam roupas e comida. Ele é muito do bem, com um semblante sempre simpático, fala baixo. Nunca dei dinheiro, e ele nunca se ofendeu ou fez cara feia com a minha negação (o que, infelizmente, não é comum hoje em dia).

Depois que a mulher avançou o carro para cima dele, o olhei diretamente no rosto. Estava com cara triste, macambúzio. Não sei se por isso ou outro tropeço do destino, mas o moço não estava bem. Aquilo me atingiu ainda mais. Viver no farol pedindo dinheiro não deve ser a melhor coisa do mundo, mas ele sempre me pareceu animado. Hoje a perua loira avança contra ele e então ele entristece. Se já estava mal, só piorou.

Parabéns, senhora. Espero que, ao longo do seu caminho estressado, não faça mais vítimas da sua pressa egocêntrica.

18/09/2010

Chuvas, homens e equilíbrio

Se o tempo ousa ser esquizofrênico - num dia faz calor de verão, no outro venta, chuvisca e o frio é de arrepiar o pelo mais escondido do corpo -, por que, então, exigir que os homens sejam coerentes e equilibrados? Se a grande, e sábia, mãe natureza tem permissão para agir como um demente na ala mais perigosa do hospital psiquiátrico, por que nós, pobres coitados, formiguinhas diante do cosmos infinito, devemos nos comportar como um exército disciplinado?

Alguns dirão que o que separa a nuvem de chuva, ou uma massa de ar quente, do homem é o fato de sermos um organismo mais complexo. E, mais além, o que nos diferencia dos animais pimpolhos que se acasalam em qualquer lugar, sem nenhum pudor, é a racionalidade e, mais ainda, a escolha.

Ok, ok, mas eu quero ir além. A desestabilidade, e a incoerência, do ser humano o leva a criar, a investigar, a tentar voar, a construir, a se aventurar e, também, a fazer muita cagada. Se todos seguissem uma mesma linha ideológica, falássemos a mesma língua, fossemos todos especializados no mesmo assunto, então talvez eu nem estivesse escrevendo essas bobagens aqui. Porque não existiria o computador, e talvez nem eu existisse.

What I'm trying to say is: seres humanos equilibrados não fazem evolução, não são charmosos e não exprimem paixão. Assim como à natureza, o desequilíbrio é inerente ao ser humano. Os equilibrados são importantes para puxar os desequilibrados para o chão. Mas não são eles que levam à transformação.

08/08/2009

Especial dia dos pais

De uma jornalista que não quis se identificar. O que o Dia dos Pais significa para ela?


"Eu nasci em julho. Mas fui registrada em 8 de setembro. Minha mãe morava em São Paulo e, meu pai, no interior. Eles namoraram, foram, voltaram e terminaram definitivamente. Depois, minha mãe descobriu que estava grávida. E não contou para ele. Eu nasci e, com a pressão da família, ela decidiu contar. Mas não por telefone, por carta. Quando ele soube, correu para a capital e eu fui registrada.

Quando eu ainda era criança, voltamos para o interior. Ele nunca aparecia, nem nos aniversários, nem nunca. Eu ficava pronta esperando a visita e ele dava o cano. Minha mãe não queria que eu nutrisse raiva, então dava desculpas, mil desculpas. Certa vez ele me deu uma boneca de aniversário. Eu a deixei de lado e fui brincar com outra coisa. Até hoje minha tia se lembra disso com orgulho. Os presentes do Dia dos Pais que fazia na escola eram sempre nomeadas a ela, o que causava certa apreensão nas professoras.

O tempo passou e ele nunca se aproximou, nem mesmo ajudou com os gastos - eu estudava em colégio particular e fazia todas as aulas que uma criaça poderia fazer: de ballet a karatê, passando por natação, coral, flauta... Minha mãe era tudo para mim: além de inteligente e culta, esclarecida e batalhadora.

Ela morreu quando eu tinha 22 anos. Nessa época, meu pai resolveu ajudar e me deu uma grana para eu comprar um apartamento. Uma ajuda, apenas, porque ela tinha feito um seguro de vida (embora nunca tenha conseguido comprar a sonhada "casa própria"). Ele nunca foi de luxos, mas sempre viveu bem. A gente (eu e minha mãe) sempre teve uma vida econômica, e com algumas dívidas. Uma, aliás, que eu tive que pagar quando ela se foi. Depois da compra do apê, e isso já vai fazer sete anos, ele me ajudou outra vez. E depois passou a me ignorar: não atendia o telefone, não retornava, mesmo quando eu ia visitá-lo (e ele nunca estava).

Decidi que ele nunca fez e nunca fará parte da minha. É triste, mas uma decisão realista. Sinto falta de alguém para me dar colo e conselhos, mas acho que consigo ter muito do que ele não me deu por meio da minha família, amigos e namorado. A relação que eu tinha com minha mãe jamais terei com qualquer pessoa. Éramos próximas, amigas, mas com todo o respeito que existe entre mãe e filha - e vice-versa. Minha mãe foi extraordinária até onde pode. Meu pai, inexistente. Isso deixará sequelas para sempre, por mais que eu tente afastá-las.
"

30/07/2009

xixi no escuro

Você já fez xixi no escuro?

Hoje um poste caiu na região do prédio onde eu trabalho e, por isso, peguei um congestionamento mala - 25 minutos no que eu faria em 2. Também subi sete lances de escada - tudo bem, isso deveria ser um hábito, mas não é. E, no banheiro, só a luz de emergência (que mal ilumina a pequena área sobre a porta, onde foi instalada).

Como eu bebo muita água, foi inevitável fazer xixi no escuro. E sabe que foi bom? Depois que eu limpei bem a tampa do vaso, e me certifiquei de que estava 101% limpa, eu sentei. E, sem a visão para nos distrair, uma vez que estava tudo meio dark, eu comecei a pensar na vida. É gostoso. O xixi saindo e, você, pensando na vida; nos bastonetes (células do olho) trabalhando a milhão, na bexiga mandando o xixi embora, na porta que, antes, era branca e, agora, cinza-empretecida.

É algo interessante fazer xixi no escuro. Você se sente mais suscetível a coisas que jamais aconteceriam - com a luz acesa ou apagada. Dá um pouquinho de medo porque você não enxerga com tanta desenvoltura. Medinho bom.

29/07/2009

não tenho um favorito

Eu não sei eleger uma coisa favorita. Não sei o meu filme favorito, meu livro favorito, minha música favorita, o homem mais bonito, a comida mais gostosa, o diretor mais importante... Eu simplesmente não sei! Não sei, não sei, não sei!!!!

Minha amiga Magá disse que, para ela, é ruim ficar fazendo listas (ela é viciada em listas!!). Já do meu lado, também é ruim não chegar a uma conclusão do que é mais legal ou não. Talvez seja pelo mesmo fato de eu não ter tido ídolos...

É uma coisa a se pensar. Essa de eu não ter favorito. Bem melhor ter favoritos, com "s", e poder mudar frequentemente!!!

26/06/2009

Infâncias e lembranças



Ontem eu fiquei muito triste. Ainda estou hoje, mas ontem foi um baque. Saber da morte de Michael Jackson parece ter tirado uma partezinha da minha infância, aquela parte gostosa, dançante e espevitada. Trabalhei até tarde por conta disso, mas nem achei ruim - como acharia se fosse qualquer outra celebridade. Saí do trabalho e fui para um show de blues e jazz maravilhoso. E lá tocaram Michael. Foi bonito.

Hoje as tevês, rádios e sites noticiaram uma enxurrada de informações sobre ele. Viciado em morfina, gênio, envolvido em escândalos sexuais, bizarro, histórico... Uma salada de frutas sobre uma vida que ninguém sabe ao certo como foi vivida. A gente só via o Michael estrela e o Michael comedor de criancinhas. Parece que não tinha um meio termo.

Ele inovou. Ele foi genial. E, mesmo quem acha que não gosta dele, certamente sabe pelo menos meia dúzia de músicas suas, sem saber a autoria. Porque ele era assim: cada álbum novo, uma inovação, um tipo de música diferente. Ele jamais fez um trabalho regular. Mas sempre bom, muito bom.

Disseram que agora só falta dizer que a Xuxa morreu para acabar com as ricas lembranças de infância. Eu não concordo. Fui fã da Xuxa, mais do que do Michael, quando criança. Mas tenho a plena consciência de que ela é resultado de investimentos pesados em marketing. Michael não. Ele tinha uma genialidade fora do comum. A Xuxa apresentava um programa infantil e vivia beliscando as crianças. Coisa esquisita essa. Mas eu gostava dela mesmo assim. E, no alto dos meus anos muito mais avançados, tenho a certeza de que a vida e obra de Michael Jackson teve muito mais impacto na minha vida, e no mundo, do que a Xuxa.

Xuxa, perdoe-me a sinceridade. Impossível você não ter se espelhado na explosão musical e performática que ele foi enquanto você vendia milhões de discos infantis - nos áureos anos 80.

Diria, então, que se Bolaños morresse, a nossa memória infantil realmente seria decepada. Roberto Gómez Bolaños, cuja importância foi por mim realizada tardiamente, também foi um gênio. Chavo del Ocho, por favor, ainda não é a sua hora.

06/06/2009

celulite na top

Finalmente, volto a escrever! Uhhh!

Chamada na Globo.com: "Fashion Rio: celulite na top", foto de Ana Claudia Michels. É claaaro que eu fui ler. E fiquei muito feliz.

Tem um momento em que somos gordinhas. Mas é só fazer um regiminho que se volta à plena forma. Depois de uma certa idade, as celulites aparecem, a não ser que você emagreça muito e faça muito exercício. Hoje, com 27 anos (semi-28), as celulites pipocam mesmo. Ok, não sou rata de academia, mas faço meus exercícios em casa. Às vezes corro pelo bairro também (aqui é só morro). Não adianta creme especial para celulite, ainda mais porque curto uma cervejinha... Mas a vida é assim. Sempre tive celulite, mas precisava apertar para ver, principalmente quando vivi uma fase magra. Hoje elas aparecem sem eu apertar. Diabos? Será só eu??? Nãooooooo. Ana Claudia Michels também tem, meu bem. É lindo ver isso na passarela. E ela é tão linda, tão magra e curvelínea... Minha mãe me falou que não teve celulite até engravidar. Eu nasci com ela. Óbvio: morrerei com ela.

Quero mais é que modelos aparecem com furinhos, menores que sejam, para mostrar ao mundo que "não!!! Beleza também engloba celulite". Oh yes. No meio do ano passado, Karolina Kurkova, angel da Victoria´s Secret, também mostrou, além da celulite, gordurinhas extras na cintura. Que delícia!! Delícia pra mim, pobre mortal. Ufa!

17/04/2009

10 perguntas e respostas ordinárias

1. Por que as crianças estão cada vez mais gordas?
Porque as garrafas de Coca estão cada vez maiores.

2. Por que você nunca viu um filhote de pomba?
Porque não mora perto de um ninho.

3. Por que toda modelo-atriz faz jornalismo?
Porque elas querem ganhar dinheiro mostrando a bunda para fotógrafos, mas precisam mostrar que têm "conteúdo". Sei...

4. Por que as pessoas temem a morte?
Porque elas não sabem cavar covas.

5. Por que Obama quis um cachorro preto?
Para combinar com o resto da família e se destacar na Casa Branca. (preconceituoso, eu sei. mas não me contive)

6. Por que fumar maconha é mais permissivo (e mais descolado) que fumar cigarro?
Porque a ilegalidade não pode ser combatida com leis.

7. Por que pessoas que leem demais são limitadas em certas áreas?
Porque elas não tiram os olhos dos livros para observar a vida à sua volta.

8. Por que os carros estão cada vez maiores?
Porque órgão sexual masculino está cada vez menor.

9. Por que as televisões estão cada vez maiores?
Porque o cérebro da humanidade está cada vez menor (ou ela está cada vez mais cega).

10. Por que o avião não é feito do material da caixa preta?
Porque ele não voaria, de tão pesado.

Rá!

15/04/2009

Sade, o cigarro e as coisas 'certas'

Esse texto (abaixo, apenas o final), que saiu na Ilustrada de segunda (13 de abril), vai ao encontro do que eu escrevi aqui, há poucos dias. É do colunista Luiz Felipe Pondé (pode ser lido aqui, se você assinar Folha ou Uol).

O cigarro de Sade
"Temo pessoas que não têm vícios. O novo hipócrita é magérrimo, "verde" e antitabagista"

(...)Acho mais interessante imaginar o que Sade teria escrito hoje, se vivesse em nossa época, dada a delírios de uma nova "pureza". Imagine, caro leitor, que existem pessoas que "salvam" o mundo comendo alface! Um exército de rúculas! O que seria transgressivo no caso da "nova pureza"? Tiraria ele sarro do "pai Obama"? Ou talvez ele fumaria um cigarro no meio de um templo onde se reúnem os fascistas da saúde?

Mas tabaco faz mal! Claro que sim, mas ser violentada por cinco caras também faz mal. Fazer sexo nos telhados, como gatos, também faz mal. Por que achar que isso é libertador e fumar não? Vamos adiante, quem é o novo Sade? Que tal comer gordura trans? Ou será que a "ciência da comida saudável" já mudou de novo e agora comer gordura trans combate ataques cardíacos? Vejo um Sade gordo, dilacerando uma picanha em meio a um restaurante de comedores de rúculas. Chorariam? Ou o espancariam? Vaquinhas jamais, mas sádicos comedores de carne e fumantes merecem uma surra? Ou apenas desprezo e nojo? Os nazistas também eram defensores dos animais...
Sua Sodoma seria deliciosamente poluída, rindo das "medições" do aquecimento global. No lugar da teoria Gaia da "mãe terra", a "devoradora terra" gargalhando de nossa "devoção verde".

O Sade do sexo envelheceu. Hoje todo mundo acha chique achá-lo chique. O novo Sade é aquele que, talvez, debocharia de uma sociedade da saúde. O que nos humaniza são os vícios, não as virtudes. Temo pessoas que não têm vícios. O novo hipócrita é magérrimo, "verde" e antitabagista.
"

08/04/2009

mundo muito "boa moça"

Agora não se pode mais fumar em lugar nenhum. Nem na área de fumantes, porque ela já não existe mais; foi proibida. Eu sou daquelas fumantes que não quer incomodar os outros, fumo pouco em casa, fumo nada durante o dia e só acendo o cigarro quanto tomo uma cervejinha. E está cada dia mais difícil fazer isso. O motivo: a sociedade está cada vez mais policamente correta, moralmente correta, insuportavelmente "boa moça". Tá um saco!

Não se pode mais fumar, nem transar sem camisinha, nem beber no trote universitário, nem contar piada de negro (de gay ou obeso), nem falar palavrão, nem dirigir depois de tomar um copo de cerveja, nem achar cachorro um bicho chato, nem achar a maternidade algo assustador, nem falar mal do Natal, nem achar ovo de páscoa um desperdício, nem falar que homens brancos de olhos azuis são culpados pela crise... Porra!!!! O mundo tá parando de rodar, não é possível. As pessoas estão decepando as emoções que viviam diariamente e vão se transformar em zumbis loucos e violentamente reprimidos. Eu quero estar morta quando isso acontecer.

06/04/2009

terremoto, míssil, massacre e dia feio. o mundo vai acabar hoje

Hoje o mundo podia acabar: eu acordei muito cedo e com frio, o céu está cinza-depressão e chove aquela garoa fina, como se alguém lá em cima não parasse de choramingar. Isso só é o tempo meteorológico?

Acordei de manhã e fiquei sabendo do terremoto na Itália. Antes 50, agora 100 ou sei lá quantos mortos. de 10 a 15 mil prédios caíram. Visão do inferno mesmo. A segunda notícia é ainda pior porque é fruto direto de ações humanas: teria a Coreia do Norte lançado um míssil de longo alcance, para atormentar o mundo ocidental - e de mãos dadas com a China e Rússia? Meu Deus!! É o fim dos tempos!! E o pesquisador brasileiro que morreu no massacre de um vietnamita maluco nos Estados Unidos?

E nem estou falando da crise financeira mundial. Tá todo mundo louco, doidão. O tempo, as placas tectônicas, as pessoas... E eu estou desenvolvendo uma rinite alérgica de não sei o quê. Estou com medo do que pode acontecer amanhã...