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27/09/2011

O dia em que saí do interior de SP para a Croácia. De trem

Meu sonho de hoje foi doidão. E, para tirar novamente as traças deste blog, torno-o público.

Eu estava fazendo uma matéria sobre transporte, trens, e tive a brilhante ideia de seguir uma linha do começo até o fim. Eu, um pouco de dinheiro e uma câmera fotográfica cuja memória já estava no fim. A linha do trem não era uma linha comum: ela ia do litoral de São Paulo, passava pelo interior e depois ia para a França. É, para a França.

Peguei o trem em uma parada qualquer e fui. Mas não era exatamente um trem, pareciam uns carros de mina de carvão, e eles batiam muito uns nos outros – e havia miniprecipícios ao lado. Fiquei com medo, mas o piloto (porque nessa hora não existia maquinista) era bom de manobra arriscada.

Cheguei a uma estação grande, elevada, com uma espécie de hortifruti embaixo. Ali encontrei um editor executivo da Época fazendo reportagem de campo com um primo meu que é fisioterapeuta (!!). E, no meio do hortifruti, minha avó, que segurava uma caixa com morangos e blueberries. A essa altura, eu já estava no interior paulista. E minha abuela tinha vindo de Piracicaba com uma van fretada. Parece que a feira ali era a melhor da região. Eu e meu primo falamos com ela, filamos uns morangos, e saímos. E fotografava tudo, tudo.

Alguns quilômetros dali havia outra estação de trem, a estação internacional que levava para a França. Peguei um táxi para lá. Ele deu uma volta enorme, o taxímetro quebrou (teve uma hora em que olhei e estava marcando preço negativo), o taxista ficou puto e eu descobri que não tinha mais um real no bolso. Da minha carteira saíam várias notas, muito dinheiro: peso argentino e dólar. A corrida deu 9 reais, e, para o meu alívio, um outro primo meu de repente se materializou dentro do táxi e pagou minha conta. Ufa!

Entrei na estação e peguei o primeiro trem. Para a França? Sem um puto na carteira, exceto pelos pesos ou dólares – que ali não tinham nenhuma utilidade. Levei um susto quando desci do trem e não vi nenhuma França. Era a Croácia. E não sei também por que era Croácia. Mas era. E não havia meios de eu achar um caixa eletrônico. Eu andava por aquelas ruas, que pareciam mais labirintos de camelôs, e não conseguia encontrar nada. É horrível você se perder no sonho. As lojas não aceitavam cartão. Foi tenso. No fim do sonho, achei um ATM. Mas acordei antes de saber se ele serviria para alguma coisa.

25/11/2010

Escritos antigos - se eu fosse atriz...

Ficção - 3/4 de mentira

Não falo que fiz papel... (de idiota. Mas eu acho engraçado o que eu direi.)

"O teatro"

Para mim é tudo prosa. (e tudo sonho)

Ia fazer uma peça de Shakespeare (me incomoda conhecer Shakespeare aos 11 anos). Peguei minha fantasia e fui ao teatro. [e tudo isso é mentira, agora é só prosa] ! Lá encontrei vários amigos, ensaiei, tirei 10 (no sonho). No ensaio, chegou a hora - fiquei com medo, pois nunca tinha apresentado em um Teatro Municipal (dê-me licença para eu gargalhar, hahahahha. O que eu queria fazer com esse diário??? Todo ano ia ao teatro para dançar ou tocar flauta, e cantei no Municipal de SP, Campinas, sob a regência de Benito Juarez...). Fiquei envergonhada, então o professor disse "Se não for vc, colocarei outro no lugar". Como assim?? "Chegou a hora?". Ninguém pode me substituir (no quê?). Ninguém. E eu entrei. (tudo isso ficção, no sonho) Entrei, disse minha fala e o tempo foi passsando, horas, e o público, gostando, aplaudindo.

Agora, acorda!

Saindo do sonho, Carmina (na vida real, no coral em que cantava, digo) é foda. E tenho a honra de ter participado do coral aqui no Municipal de SP e em Campinas tb. "Oh, oh, oh, totus floreo, iam amore virginali totus ardeo". E se você gosta de música boa, vai assistir ao vídeo aqui debaixo até o final.



Chegou a hora da última fala (do sonho):

"Ser ou não ser?"

"Você é quem decide".

Acho que eu era muito mais importante na vida real, em Carmina Burana.

24/11/2010

Da série: Escritos antigos sob crítica

Adoro a ingenuidade e a credulidade da adolescência


Último parágrafo da resenha de 1998 (quando tinha 17 anos) sobre Morte e vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.

Essa peça, com quarenta e quatro anos de idade, ainda é moderna e serve de exemplo para muitos retirantes anônimos da atualidade que vivem em contato com a morte e tentam melhorar suas condições subumanas alargando ainda mais as favelas nas grandes cidades. Será que João Cabral tentou nos avisar?

PS: servem de exemplo ou são exemplo?
PS.2: "da atualidade"? Que horror, Laura.


Resenha do texto "Refém do verde", publicado na Veja em 9 de abril de 1997, de autoria de Franco Iacomini e sobre Guaraqueçaba (PR).

O meio de sobrevivência, segundo
Franco Iacomini, consiste na pesca artesanal e na produção de bananas (o autor se esquece que os bananais não são naturais da mata atlântica, portanto, estando em área de preservação, os bananais estão cada vez mais extintos na região, diminuindo os recursos econômicos da cidade). Porém, pode-se citar mais dois meios de sobrevivência: a produção de palmito, muitas vezes proibida pelo IBAMA, dependendo da idade da árvore, e a Reserva do Boticário, que emprega 20 habitantes.

(...)

O artigo foi bem abrangente, porém, superficial. O jornalista poderia ter falado mais sobre a reserva de Guaraqueçaba, além de entrar mais em detalhes sobre a extensão do município. A localização também deixou a desejar.

[Aí falo onde fica, sua extensão, quando foi fundada, coordenadas...]

Observação do professor:
Laura: Muito bem desenvolvida sua resenha, abordando o assunto inclusive com o próprio conhecimento de quem esteve no local.

Obs.: O autor do artigo da Veja (
Franco Iacomini) foi aluno do Medianeira há uma década!

PS.: Desde pequena criticando os outros...
PS.2: Tomei na cabeça, porque sei que nem sempre é possível escrever tudo o que quer no espaço exíguo dedicado a uma reportagem impressa. Viva a internet!
PS.3: Que diferença faz saber que Guaraqueçaba tem 2 mil km² de extensão? O quanto isso representa é muito mais eficiente. E a localização exata? Só critiquei porque desenhei dois mapas, do litoral paranaense e paulista e um recorte da região de Guaraqueçaba. Foi para me valorizar, óbvio.
PS.2: Nota que me deram: 9,5
PS.2: Que raio de pessoa não falaria da sua experiência pessoal em uma resenha? Tive sorte de ter conhecido Guaraqueçaba antes do professor passar esse trabalho?

11/10/2010

A palavra experenciar não foi encontrada.

Experienciar... eu sempre nutri ódio incomensurável por essa palavra. Tive a infelicidade de escutá-la pela primeira vez na faculdade, dita por um professor com vários títulos e respeitado em sua área. Pior: foi repetida diversas vezes por alguns alunos menos contestadores que eu. Olhe como um professor pode levar seus pupilos ao fracasso: se um dia eu estiver conversando com um sujeito e ele disser "experenciar", ou qualquer uma de suas conjugações, vai perder credibilidade. E isso pode ser bem ruim, principalmente se ele for uma fonte.

"Experenciar" não só é horrenda como não existe. Que tal usar "experimentar", "testar", "aproveitar", "avaliar", "praticar", "sentir"... há um sem número de palavras que podem ser usadas no lugar desta, que foi inventada por algum imbecil e caiu no uso cotidiano. O Houaiss me diz: "A palavra experenciar não foi encontrada." Eu acredito nele. Ah, você não gosta do Houaiss? Que tal o Michaelis? Ou o Aulete (de acordo com a nova ortografia)?

O inglês "try" congrega todas as possibilidades para esse verbo-fantasma, e os moradores de países de língua inglesa têm a sorte de nunca terem ouvido "experenciar" na vida. Queria ter nascido "Lóra", não "Láura".

Em tempo, retomei a minha antiga guerra contra esse verbete porque hoje escutei Paulo Bonfá, na Oi FM, se corrigindo após um ato falho - dele ou do redator da nota que ele leu. "... experenciar, aliás, essa palavra que não existe,..."

Aprendeu?

23/09/2010

... tenha piedade de nós

Hoje aconteceu uma coisa que me deixou bem triste. Estava em um farol na Avenida Queiróz Filho com a Gastão Vidigal, onde um homem que tem alguma problema na coluna (ele vive curvado) pede dinheiro todos os dias. O sinal abre e eis que uma senhora, de cabelos loiros avolumados por laquê e óculos com detalhes dourados, avança sobre o moço, que terminava de atravessar a avenida em frente ao carro dela. Não contente em acelerar o carro, ela ficou esbravejando, batendo com as mãos sobre o volante. O estadardalhaço foi tanto que consegui ver tudo isso estando atrás dela. O moço se locomove com dificuldade, acho que isso só piorou o mau humor da perua velha.

Ele está ali todos os dias, sempre pedindo dinheiro. Nunca ameaçou ninguém, nunca o vi ser incoveniente. Tem pessoas que já o conhecem e levam roupas e comida. Ele é muito do bem, com um semblante sempre simpático, fala baixo. Nunca dei dinheiro, e ele nunca se ofendeu ou fez cara feia com a minha negação (o que, infelizmente, não é comum hoje em dia).

Depois que a mulher avançou o carro para cima dele, o olhei diretamente no rosto. Estava com cara triste, macambúzio. Não sei se por isso ou outro tropeço do destino, mas o moço não estava bem. Aquilo me atingiu ainda mais. Viver no farol pedindo dinheiro não deve ser a melhor coisa do mundo, mas ele sempre me pareceu animado. Hoje a perua loira avança contra ele e então ele entristece. Se já estava mal, só piorou.

Parabéns, senhora. Espero que, ao longo do seu caminho estressado, não faça mais vítimas da sua pressa egocêntrica.

18/12/2008

Madonninha

Vou tirar o chapéu pro Gustavo (além de jornalista, toca numa banda de gatchénhos). Ele me introduziu a um novo mundo: a dos covers que não são a cara do ídolo e que não cantam nem dançam igual a ele. Percam um pouquinho de tempo e vejam esses vídeos. Profundamente emocionantes. Do começo retrospectivo/dramatização ao grand finale de glória a Deus. Chorei. Grande Gizele! Se você também amou a menina-que-não-tem-nada-a-ver-com-a-Madonna, entre neste site: www.freewebs.com/humba6. Humba-humba-humba-hey!





25/09/2008

a tal da sra. Pau

Tem coisas que a gente recebe por email e realmente fica sem saber se é verdade ou mentira. Na dúvida, a gente repassa. Porque, no fim das contas, se não for verdade, é, no mínimo, muito engraçado.

No recorte abaixo, que eu recebi do Thi, temos a história da Maria José Pau, que queria tirar o pau da sua vida. Ela entrou na Justiça para pedir mudança de nome e recebeu uma resposta petulante e machista do desembargador encarregado, mas que é digna de um prêmio. Divirtam-se. (clique na imagem para aumentá-la)

20/08/2008

O Mayco levou fora por SMS...

... ou será que ele que deu migué na menina? Acompanhe, aqui, mais um capítulo da série "confundiram meu celular de novo".

19/08/2008 - 16:22

"Mayco dsculpa mais agnte num tah mais namorando eu e vc num podmos fkr juntos"

e o Mayco não respondeu, obviamente...

20/08/2008 - 17:52

"Mayco sei td oq eu te falei e era td verdade mas agora td mudou tm um garoto da minha igreja q gosta d mim e eu axo q gosto dele tbm perdao mais eu qro terminar dsculpa"

e a vítima do pé na bunda nem tchum...

20/08/208 - 18:06

"Agnte num pod mais fk junto num vai dar certo por favor incista ta sendo dificil p mim perdao mais akbou"


Diante do acontecido, tenho alguns pontos a levantar:
1. Se sou eu que estou recebendo as mensagens, e não o Mayco, como ela pede para ele não "incistir". Aliás, parece até que ela pede o contrário, para que ele insista.
2. Eu começo a achar que ele não passou o celular dele correto, uma vez que ela "inciste" em me mandar mensagens. Acho que quem levou o bolo foi ela.
3. Quem é que termina um relacionamento por SMS?
4. A garota assassinou o namoro, o mínimo de dignidade que poderia ter e a gramática.
5. Se ela me ligar atrás do Mayco, acho que eu vou dizer que sou a namorada dele.

Gente!!! Tem mais, acabou de chegar mais uma mensagem:

20/08/2008 - 18:21
"A partir d agora nos somos soh amigos e num adianta fingir q nada aconteceu agnt num tah mais namorando"

Caraca!!! Ele levou um fora e nem sabe!!! Age como se nada tivesse acontecido! Pobre Mayco. Se alguém quiser ligar para essa mal educada e falar para ela que não se termina um namoro desse jeito, fique à vontade. Eu estou constrangida.

(o número: 8536-14XX)

01/07/2008

ling-ling-alô

Hoje eu liguei para o Centro Social Chinês de São Paulo, para falar com algum ser humano sobre, obviamente, a China. Disseram para ligar amanhã, das 10h às 12h, e falar com a secretária – ÚNICA chinesa que trabalha lá. Coisa de louco: só a secretária vai bater ponto, de vez em nunca e em horário apertado. Parece que a diretoria (que tem chineses) nem tchum; não aparece. Desliguei o telefone me perguntando por que uma associação chinesa não tem chineses com quem eu possa conversar. Mas esse problema se resolveu rapidamente.

Liguei, então, para a Associação Cultural Chinesa do Brasil, que parece agremiar o maior número de sociedades chinesas que existem por aqui. Uma tal de Li atendeu. Ela sabia dizer "alô" e "o quê você quer". Me apresentei e disse a que vinha... e nada. O telefone ficou mudo. Mudinho da Silva.

"Alô", disse eu. "Alô", disse a Li. "Você entendeu o que eu disse?". "Você que-loquê?". Que roubada!!! Expliquei de novo e, é óbvio, ela não entendeu bulhufas. "Vou chama-loutla pessoa". E começou a falar em chinês, muito rápido e alto. Escutei um homem respondendo, no mesmo tom, um monte de sons que, para mim, não significam absolutamente nada: chin, shon, shuin, lin, long, gong, chee, lao, lui...%¨@&% $$*(*)$#@ ªº¢£ é a mãe!!

E o homem atendeu o telefone. "Alô? O que quel?". "Q-u-e-r-o f-a-l-a-r s-o-b-r-e c-u-l-t-u-r-a c-h-i-n-e-s-a", bem pausadamente, para não confundir. "No tem ninguém agola. Liga amanhã, fala com a Felnanda".

Incrível! Ou tem porteiro que não sabe nada de China ou tem chinês que não entende uma vírgula de português... até parece que eu estou em outro país...

06/05/2008

desdobramentos fenomenais

Da home do www.unicef.org.br:

O UNICEF esclarece que o Sr. Ronaldo Nazário de Lima não é e nunca foi embaixador do Fundo das Nações Unidas para a Infância e não tem qualquer vínculo oficial com esta agência. A menção ao nome do UNICEF na mídia recentemente foi um equívoco.

30/04/2008

bola pra frente!

Hahahahaahahahahaha!!! Depois do 'Fenômelo' ter admitido contratar três prostitutas (que sede!), ver três travecos (que fome de bola!), pagar irrisórios mil dinheiros, ser chantageado para pagar 50 mil (que, para ele, é trocado) e ser motivo de chacota pelo 'mundinteiro', perdeu a namorada - ex do Nelsinho Piquet.

O engraçado é ler as piadas sobre o caso. Que ele não precisa mais de cirurgia no joelho, mas nos olhos. Que pensar que os travecos, com aqueles braços largos e rosto grande, seriam mulheres é pedir muita complacência da sociedade... melhor ainda os desdobramentos do caso: Andréia Albertine (que nasceu André Luiz Ribeiro Albertino) disse ter feito sexo oral no jogador, registrou a dicussão em seu celular e ainda vai gravar alguns programas de televisão em São Paulo.

É bom que aproveite os 15 minutos de fama, porque terá que dividi-los com Carla (nascida Júnior Ribeiro da Silva) e a outra companheira de bafón. Que loucuuuuura!

28/04/2008

ira social

Virada Cultural. São Paulo, 26 e 27 de abril. Mais de 800 atrações por toda a cidade, cujo centro concentrou a maioria delas, em 26 palcos.

Museu da Casa Brasileira, Jardim Europa, 26 de abril, cerca das 22h. Show da Banda Glória.

- Você vai para o centro?
- Ah, não vou, não.
- Estou pensando se não ser muita muvuca...
- Nada se compara a poder deixar o carro na mão do vallet. Além do mais, prefiro ficar só aqui, que tem uma seleção natural de pessoas. Lá no centro é muito zoológico.
- ...

Esta que vos fala não participou da conversa, apenas observava. Depois dessa, quase dei uma mordida no preibói. "Nhac! A onça fugiu do zoológico e veio para os Jardins. Nem aqui você está a salvo!".

23/04/2008

plaquetinha



Peguei desse site. Ótima invenção! Evitaria muitos constragimentos...

16/04/2008

Surtada ficarei eu!

Hoje o caderno Cotidiano da Folha está no mais alto nível de "espreme que sai sangue". Deixou o NP no chinelo. E os mais sensíveis, de cabelos em pé. Todos os cabelos do corpo, diga-se de passagem.

Primeira notícia: desdobramentos do caso Isabella. Papai e madrasta teriam, respectivamente, atirado do sexto andar e asfixiado a menina.

Segunda notícia: cuidado! A Noiva, de Kill Bill, pode te atacar a qualquer momento. No caso brasileiro, ela é desempregada, se chama Fábio da Conceição Calado, tem 27 anos e mora em Duque de Caxias, no Rio. Depois da namorada terminar tudo com ele, não se conteve em apenas ameaçá-la. Pegou sua espada ninja e tcha nã nã nããããã. Decepou um braço da mulher e cortou metade da outra mão. À la "the Bride" (Uma Thurman). Só faltou a enfermeira (Daryl Hannah) com tampão e a trilha de fundo (tãrã, tarãrã, tãrã, tarãrã, tãrãrãrãrãrãrãrã...)


Terceira notícia: Farah Jorge Farah, aquele médico que em 2003 dissecou, tirou a pele e guardou partes da ex-namorada em sacos de lixo disse que não se lembra do que aconteceu. A polícia acha que o esquartejamento tenha durado 10 horas - período no qual o médico teria surtado. Ele disse que a ex entrou em seu consultório com uma faca na mão, ele reagiu e, depois disso, só Deus sabe. "Eu não sabia se era realidade, sonho ou pesadelo." Eu sei: é pura maluquice. A mãe da vítima disse que se não houver justiça na Terra, "de Deus ele não escapa". Ô, crendice estúpida!

malandro-mixirica

C A R A L E O !!!

O jeitinho espertalhão brasileiro não tem fim: nem lá fora e nem quando se trata de morte. Odeio que digam que brasileiros dão uma de esperto para ganhar em cima dos outros, mas diante dos fatos, só me resta lamentar. Hoje deu na Folha que um compatriota que mora nos EUA comprou um corpo de um indigente curitibano para forjar sua própria morte. O malandrão ganharia 1,6 milhão de doletas de um seguro de vida americano, junto com mais três comparsas - incluindo um funcionário do IML de Curitiba, que teria feito um atestado de óbito falso. A esposa do golpista, que mora ilegalmente nos Estados Unidos, já tinha acionado o seguro para receber os dólares. Mas, agora, com o crime descoberto, espero que todos ganhem alguns anos no xadrez. E que a alma do defunto vá puxar o pé deles à noite.

01/04/2008

Dicionário de sinônimos - parte 284

Despenderei um pouco do tempo livre para refletir sobre algumas expressões populares. Bem populares.


... sofreu traumatismo ucraniano: viajou à Ucrânia e ficou traumatizado

Com dor no nervo asiático: exclusivo para orientais

Strundw: torta folhada de maçã que tenta ser alemã, mas nasceu no Paraguai

Estou meia nervosa: o nervoso afeta só a parte esquerda

Linguagem de baixo escalão: linguagem com problemas cardiorespiratórios para enfrentar escaladas

Pessoa inguinorante: 'inguiçado', 'ingessado' e incapaz de compreender

Conhecidência: quando algo coincide e é conhecido

Pele morena jumbo: dos elefantes

Está chovendo granito: prepare-se, é o fim do mundo!

19/03/2008

Mais sorte ainda no Orkut

A M O as sortes de Orkut. Já falei isso aqui e aqui (no fim do post). E hoje ela veio demais!!! Adorei. Sensacional. Espero que as pessoas acreditem nisso.

Sorte de hoje: Você é o charme e a cordialidade em pessoa

OAWWW

12/03/2008

Socorro! Eles acreditam em santos virtuais!!

Recebi um email fantástico do meu amigo Cezar Martins. A melhor constatação de que a fé cega as pessoas. De que elas acreditam até em promessas virtuais (e pagam por elas), como se o santo para quem fazem orações e preces estivesse presente, também, nos cabos de fibra ótica e, claro!, entendesse o código binário. É... parece que o Santo Expedito fez um curso recente de PHP e Santo Antônio é expert no pacote Adobe. Ambos, obviamente, não perdem os últimos posts dos blogs de seus amigos São Cristóvão, Santa Rita, São Benedito e São Francisco de Assis - este último, mais humilde, aprendeu a se virar com Linux e softwares livres, já que não tem grana para comprar um computador e usa os Telecentros (e suas variantes ao redor do mundo) para se manter online.

Voltemos ao email. Sabem aquelas faixas que se vê na rua, "agradeço a Santo Expedito pela graça alcançada", que levam como assinatura as iniciais da pessoa (porque ela tem vergonha de assumir a todos quem é)? E aqueles santinhos em que o pagamento da promessa cumprida é imprimir um milheiro do mesmo santinho e, no fim da oração, tem o nome e telefone de uma gráfica, junto com o valor cobrado pelo serviço? Pois bem, hoje em dia nem é preciso mais desse trabalho todo. É só acessar o www.meusanto.com.br.

É super interativo. Dá para escolher o santo de sua preferência (sem ficar preso ao que te derem na rua), tem o santo do dia, o santo em destaque e, obviamente, o santinho virtual, que custa 20 reais para você mandar spam para 'apenas' 1000 pessoas!!!! Suuuuper legal. Há uma lista dos santos mais solicitados e também dos que mais atenderam aos pedidos - rola uma competiçãozinha santa aí, mais populares X mais competentes... O Expedito ganha nos dois quesitos, seguido pelas Nossa Senhora Aparecida e Desatadora dos Nós. Tem até a porcentagem de graças alcançadas (quando vi, eram 52,7%) e o número de 'devotos' online. Afinal, "Nunca se esqueça das possibilidades sem limites que nascem da fé". Ok, ok.

Fica muito mais fácil mandar spams do que imprimir os santinhos de papel, né? Ou encomendar a faixa e dependurá-la nos postes da vizinhança, durante a madrugada, para que nenhum vizinho ou fiscal da prefeitura te veja. Você nem precisa tirar a bunda da cadeira, dá para mandar os santinhos ao mesmo tempo que lê as últimas notícias de fofoca. Deve ser por isso que o Cezinha recebeu o santinho de uma tal Sonia Regina Schiavinatto, que ele nunca ouviu falar na vida. E, como ela se expôs dessa maneira, resolvi fazer uma pesquisa sobre a vida desta beata conectadíssima ao espírito virtual.

Pois bem: Sonia é casada, tem três filhos e fez licenciatura plena em Letras, concluída em 1984. Mora em Cotia, na Grande São Paulo, e é coordenadora de Pesquisa Clínica pelo Centro de Estudos em Pesquisa e Saúde, no Hospital Ipiranga. Formada em Letras e coordenadora de Pesquisa Clínica? Ué? Ah, ela tem certificação em Pesquisa Clínica, pela Invitare (que oferece milhares de cursos, parece empresa de coaching).

E a Sonia também sabe espanhol e inglês. Em qual idioma será que ela fez o pedido para Santo Antônio? "Amém" ela não sabe escrever, porque no email veio sem acento. Tem outros cursos profissionalizantes no currículo, como aperfeiçoamento em Comércio Exterior. Segundo ela, é dona de "iniciativa própria e sempre pronta para novos desafios. Disposta para trabalho em equipe e com muita facilidade para estabelecer contatos. Responsabilidade no trabalho que assume". Clap, clap, clap. Ela também prestou concurso para Técnico Bancário na Caixa (a mulher é multiuso!), em 2002, e ficou em 267o lugar em Agente de Saúde na Prefeitura de Osasco... E fez elogios a um site de envio de flores pelo atendimento rápido e competente - parece ter mandado um presente a uma "senhorinha", como disse. Fofa, não?

Mas, se como ela mesmo disse, tem responsabilidade sobre o que faz, deveria mandar seus agradecimentos apenas àqueles que a conhecem e se compadecem com os seus problemas, e não pagar para um site enviar spams. Se ela acredita em milagres virtuais, legal! Feliz dela. Mas não venha pagar promessa enchendo a caixa de quem nem a conhece. Faça o favor...

06/03/2008

estar estando

Você sabe que o mundo está próximo do fim quando vê que aquelas coisas bizarras que você deixa passar porque ficam na oralidade estão sendo registradas no papel. O gerundismo, vício e vírus do telemarketing que ganhou vida pós-telefone, foi parar nas correspondências institucionais. Não basta ele estar presente nas entrevistas de emprego, no atendimento dos escritórios, nas conversas de bar... chegou às malas diretas. Alguma alma, por favor, me ajude a entender isso!! Ou eu cometo suicídio a tempo de minha lápide não exibir essa forma grotesca do português.

"Aqui jaz Laura C. A. Lopes, xxx anos. Jornalista, pôde estar vivendo plenamente a sua vida ao lado de amigos e familiares. Tinha personalidade forte e temperamental, podendo estar ficando brava ou muito feliz em um curto espaço de tempo. Esteve amando, brincando, xingando e bebendo a vida. Esteve morrendo em xxxx de 20xx."

Vou contar sobre minha indignação - que certamente é muuuito maior, sincera e menos irônica que a do post sobre Alberto Vargas (que, brincadeiras à parte, foi um artista muito importante). Ontem recebi uma cartinha de uma autorizada Ford que avisava sobre a revisão a que meu carro precisa passar para que a garantia da montadora seja mantida. Isso, por si só, não é uma boa notícia, já que é sempre um gasto muito maior do que qualquer mecânico cobraria. O dobro, diria. Enfim, carro é filho. Bóra pagar a revisão.

O registro do fim do mundo está no último parágrafo da cartinha: Para sua comodidade temos um serviço de AGENDAMENTO onde você poderá estar marcando a data e o horário de sua conveniencia na filial mais próxima de sua casa ou trabalho... Pára tudo!!!!!!!!!!!! Só aí eu vejo três erros: falta uma vírgula depois de 'comodidade' (tudo bem, as pessoas não sabem usá-la); 'você poderá estar marcando' nem precisa de comentários, e, por fim, 'conveniência', com acento, e não 'conveniencia'. Além desses três erros, encontrei mais sete (S E T E!!!), em uma correspondência institucional que deveria prezar pela comunicação clara. Será que vale a pena fazer a revisão? Ou eu morrerei logo depois?

Eita!

03/03/2008

Dona Demôra

Sexta-feira, antes de ir a uma festinha muuuuito boa, eu e Thomi fomos à Dona Deôla para forrarmos o estômago. Estava cheia, é verdade, e a garçonete era visivelmente novata, ou abobada mesmo. Fizemos o pedido: um suco de limão com pouco açúcar e um de melancia com gelo. Para comer, um beirute de filé mignon com um prato e talher a mais. Muito simples, certo? Não! A mocinha me perguntou se eu não ia beber nada. "Sim! Um suco de melancia, como pedi." Pedimos que ela repetisse o pedido. Ao menos repetiu direito. Mas sabíamos que não ia dar certo...

Logo depois de nós, chegaram mais quatro pessoas, cada duas sentadas numa mesa. Eis que os sucos delas chegaram antes que os nossos. Paciência... E o beirute, nada. O Thomi foi espiar o chapeiro para ver se ele estava confeccionando nosso jantar. E estava! Uuuufa!!! Que foooooome.

Uma outra garçonete vinha trazendo o sanduíche, mas passou reto pela gente. Olhávamos para o beirute com os olhos mareados, de desespero, de angústia. O sanduíche era para o pessoal que chegou depois da gente. "Não é possível!" Perguntamos sobre a nossa comida e a mocinha demorou a voltar. Tive que ir até o balcão para me certificar (do que já sabíamos) de que o pedido nem havia sido feito - a garçonete não veio avisar! Pagamos os sucos (que a novata não tinha marcado na comanda) e fomos embora. Com fome, sentindo-nos lesionados, enganados e nem ao menos com um pedido de desculpas.

Perderam dois clientes, que farão o maior esforço em divulgar essa falta de profissionalismo. E a padaria, agora, pode ser chamada de Dona Demôra.