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08/01/2011

A loura peituda da Av Corrientes

Estava eu, passando pela Av. Corrientes (passando, não, camelando umas 16 quadras de ida e outras 16 de volta), em Buenos Aires, quando ouço um tlec tlec tlec tlec. Então, sinto um perfume doce extremamente enjoativo perto de mim. Eis que uma mocinha de vestidinho florido com cinto marcando a cintura e um megadecote, que mostrava seus seios fartos, uma cabeleira loura oxigenadíssima e um sapato que fazia o tal tlec tlec para na minha frente para atravessar o farol. Ao lado dela, um jovem de mochila nas costas.

A moça arrasou total. Apesar do barulho do sapato dela me incomodar muito, caminhamos quase juntas durante algumas quadras. Às vezes eu passava na frente, mas, no farol, fechado para pedestres, ela sempre passava na minha frente - tinha uma necessidade quase incontrolável de ficar na rua esperando o farol abrir, ignorava a calçada.

De tanto que ela ficou na minha frente, percebi que havia algo esquisito no cabelo dela. Tinha uma parte mais comprida, que chegava no meio das costas, e outra mais curta, no meio da cabeça. E, no cucuruto (como diz minha avó, aquela parte em que os homens começam a ficar com um buraco quando carecas), tinha um sem número de nós de cabelo. Megahair total, e mal feito. Cabelo de Barbie. (ao lado, Britney Spears no mesmo momento megahair)

O mais engraçado foi ver a reação dos passantes, o que parecia excitar a mocinha e inflar seu ego a ponto de perder o chão. Ela era bem bonita, produzida, corpitcho enxuto, peitão e roupa que valorizava tudo isso. Usava até cílios postiços. O que zuava mesmo era o barulho do salto, o perfume e o cabelo bizarro.

Comecei a prestar atenção nos que vinham que vinham à nossa direção. Foi unânime: os homens olhavam para trás com cara de desejo; as mulheres, com cara de nojo. E eu ria. Como ri! É engraçado porque isso mostra como são os homens e como são as mulheres, não importa sua nacionalidade. Ao ver uma imagem dessas, os homens não pensam duas vezes em olhar de novo e gostar. As mulheres não pensam duas vezes antes de julgar e fazer cara feia, de reprovação. Não me cabe fazer juízo da reação alheia. Eu me diverti muito.

Finalmente, depois de umas cinco quadras, a moça foi para o outro lado da rua. Perdi a movimentação dos transeuntes. Mas estou certa de que, do outro lado da rua, o sucesso que ela fez foi igual, para o bem ou para o mal.

Só não entendi o que era aquele rapaz: um amigo, um caso, um protetor ou um cara que se apaixonou e decidiu segui-la durante o passeio na rua. Eles não trocaram palavra.

2011 começando a todo vapor

Finalmente voltei depois da minha passagem por Buenos Aires antes do Natal. O fim do ano passou correndo e com muito trabalho para mim. O réveillon foi muito bom, festas e mais festas, e no dia 1º já tive que trabalhar. E no dia 2 também. E 3 e 4, e 5 eu folguei. Tirei uma bela folga para tomar sol no Pacaembu e caminhei bastannnte. O bom de cansar no dia de folga é que você pode dormirrrr. aiai



No dia seguinte, descobri que meu carro tem um problema de gasto de bateria e a concessionária da VW não conseguiu identificar. Fiquei com vontade de jogá-lo no Rio Pinheiros, mas poupei essa energia porque precisarei dele no sábado e na segunda. Terça eu volto a pensar nisso...

E também comecei de verdade no blog Sexpedia, além do Mente Aberta, onde escrevo pelo menos uma vez por semana sobre cultura.

É isso. 2011 começou voaaaaando para mim. Espero que toda essa energia se reverta em coisas realmente positivas.

Um bom ano para todos!

20/12/2010

Panetones e gosmas

Quem me conhece um pouquinho sabe que eu ODEIO essas marcas que inventam panetone de todos os sabores: goiabada, mousse de maracujá, trufa, mousse de seiláoque... Na maioria das vezes, e principalmente das marcas mais baratas, os panetones vêm com umas gosmas de recheio, nojentas, gordurosas, asquerosas... O que aconteceu com o bom e velho panetone de frutas secas? Ah, não gosta de frutas? Então o chocotone pode te satisfazer, aquele com pingos de chocolate. É o máximo que eu aturo em panetones - e até prefiro o de chocolate.

Até nisso a Argentina es mejor que Brasil. Aqui (em Buenos Aires) o panetone parece um bolo inglês: do formato de um bolo qualquer industrializado. Estou com um do meu lado e posso dizer com certeza que é assim. Há outros formatos, mas... Budín del cielo (pudim do céu) chama a guloseima, con almendras e nueces (alías, nada a ver, mas aprendi uma ótima técnica para quebrar nozes sem um quebra nozes: a quina da porta). Tá bom, deve ter essas melequeiras aqui, mesmo porque aqui também vende Bauducco (chocotone tipo mousse, eca!). Mas o primeiro panetone que encontrei en la ciudad foi esse. E a primeira impressão é a que fica. Há o panetone default, um que é mais baixo e esse tal de budín del cielo. Amanhã vou ao supermercado só para me certificar de que as melecas passam longe daqui.

Fui. E tomando una copa de Dulce Cosecha (Trapiche) - biennnn dulce.

09/09/2010

Último dia em Buenos Aires



No último dia em que estive em Buenos Aires, queria fazer um piquenique nos parques de Palermo. Mas o dia estava gelado, ameaçando chover. Melhor não. As meninas tinham o que fazer, afinal, era segunda-feira, e eu fui conhecer a livraria El Ateneo, na Avenida Santa Fé. Depois fique perambulando, fui até ao Buenos Aires Design, na Recoleta (adooooro, comprei um minidespertador retrô para mim) e voltei para a casa das meninas.


(ah, na manhã desse dia eu comprei frutilla, o mejor, frutillones!)

Almoçamos tartas com ensalada, na casa delas, e depois fui a um supermercado ver se encontrava um vinho que um amigo havia pedido. Não encontrei e comprei os meus no chino, que era mais perto da casa das meninas e mais barato. Depois, eu e a Gabi fomos ao Malba a um debate do livro do mês. O autor do dia era o Liniers e, o livro a ser discutido, El Arte, de Juanjo Sáez. Para quem não conhece, Liniers é um quadrinhista (ou quadrinista? rs) argentino, famoso naquele país e que escreve (desenha) para a Folha. Ele escolheu o livro de um espanhol, o Sáez, que fala de arte de forma muito corrosiva, perspicaz e humorada. Tudo em quadrinhos. Amei!!! No fim, teve degustação de vinho - e, gente, o debate era de graça.


(o debate foi incrível!)

Pois bem, saímos de lá e fomos para um bar perto da casa das meninas encontrar com Vicky. Estava frio, mas o bar tem um sofá na calçada, não tinha como ficarmos em outro lugar. Foi um fim de noite lindo, ótimo! Pena que fui dormir às 2h30 e tive que acordar às 4h40 para pegar o táxi de volta para o Brasil. Agora, fico pensando, quando volto a Buenos Aires? Que saudades!! E que estadia linda!! Muito obrigada às queridas Gabi e Vicky.


(bar com o sofá dos 'Friends')

O Peru é aqui - Abasto, Buenos Aires

No mesmo dia da Feria de Mataderos (post anterior) fomos a um restaurante tradicional peruano, o Mamani. Fica no bairro de Abasto, atrás do shopping de mesmo nome. Apesar de chique, o centro comercial (que fica num incrível prédio restaurado, onde funcionava um mercado) não conseguiu revitalizar todo o entorno. Não é nem um pouco parecido com uma "villa" (favela), mas podia ser mais bem cuidado. Afinal, Buenos Aires é uma cidade tão linda! O bairro é tomado por peruanos, por isso o fato do restaurante estar ali - e, por favor, não julguem isso pela descrição do bairro. Há peruanos da cozinha ao caixa, no salão e sentados à mesa. Bom sinal - prova de que a comida deve ser bem fiel ao país de origem.


(o ceviche gigante)

Pedimos ceviche mixto - com peixe, lula, camarão, polvo, marisco, milho, papa, batata, cebola e leche de trigo. Papa aqui é batata, e batata, batata doce. Uma delícia. Só o peixe não estava 100% porque tinha umas nervuras - acho que não foi cortado como ceviche. Mas tudo estava deliciosamente combinando e fresco. A porção é enorme, com várias texturas...


(meu prato de ceviche... até parece que só comi ele...)

De principal, fomos de tacu-tacu (não tirei foto, estava tão empolgada...) - arroz com caldo de feijão e lomo (mignon em tiras) com cebolla y morrones (pimentões). Tomamos Heineken de 1 litro (26 pesos, cara). Achei engraçado que no cardápio há vários pratos chineses. E eu pensando que a comida nipo-peruana era bem representativa do país... E a chino-peruana? Cadê esse tipo de cozinha no Brasil?


(Vicky e Gabi, fofas!)

Feria de Mataderos - Buenos Aires


(ovejaaaaasssss)

Dando continuidade à minha curta viagem no fim de agosto para Buenos Aires...

Mataderos não é um bairro muito amigável. Fica no extremo norte de Buenos Aires, ao lado de Ezeiza, cidade onde está o aeroporto internacional que leva o mesmo nome. A perifa da "cidade mais europeia da América Latina" não tem nada do glamour do centro. Perifa é sempre Perifa. Pegamos o 141 rumo à Feria de Mataderos e, logo no início, o motorista nos disse que nos deixaria num ponto e que teríamos que pegar outro ônibus para chegar até lá. E que não era para irmos a pé. Fomos saindo do centro e a cidade foi ficando cada vez mais interiorana, mais simples, mais pobre. Muito movimento e, depois, quase ninguém na rua. Era quase 1 da tarde de um domingo. O motorista nos deixou no ponto e nos fez prometer que não iríamos a pé. Tá bom, não fomos. Esperamos o 80 (linha que ele havia indicado) e ele não chegava. Em menos de 10 minutos, dois carros pararam para falar conosco. Melhor pegar um táxi.


(A Gabi ficou brother do minicavalo e da minillama)

O único que passou por nós logo nos perguntou: "Vocês sabem onde estão? Já vieram aqui?" Enfim, não. Uma quadra adiante começava uma favela imensa, a maior de Buenos Aires, segundo o motorista, uma "villa" (pronuncia-se vixa) - me disseram aqui nos comentários que é a Villa 15, conhecida como Ciudad Oculta. O motorista disse que era arriscadíssimo ficarmos ali, no ponto, sozinhas. Por isso o ônibus nos deixou ali, antes da "villa". Não que eu tenha medo de passar na frente de uma, mas não tínhamos pensado que isso aconteceria, e não havíamos escolhido a roupa mais sussa para tal. Estava na cara que não éramos dali, mas tudo bem - pegamos o táxi e fomos. O taxista nos disse para sairmos pelo outro lado da feira, menos perigoso e com mais linhas de ônibus para o centro. Descobrimos que o 92 para ali também - e nos deixou a uma quadra de casa.


(alfajores diferentes)

A feira é o máximo. A Gabi queria visitá-la há muito tempo, mas ninguém queria ir com ela. Essa fama de perigosa é real mesmo, mas jamais afetou nossa vontade, mesmo porque não passamos medo real algum. Eu também queria ter visitado da outra vez que estive em Buenos Aires, mas era tão longe...


(tamales)

Lá tem gente de tudo quanto é tipo: branco, índio, pobre, não-pobre, turista (poucos, os mais descolados), muitos idosos, adultos e jovens. Comemorava-se o Dia Internacional do Folclore (22 de agosto). No palco, várias atrações regionais, e nada de tango. Quem manda ali é a cultura criolla, do campo. Também tinha um minicavalo e uma llama em miniatura para levar crianças para passear, no meio da galera. Para comer, parrillada, choripan (pão com linguiça), tamales, locro e um sem fim de doces fritos ou assados, além, é claro, das empanadas. Há muita coisa de lã e couro na feira, e muitos artesanatos bonitos. As comidinhas artesanais também nos fizeram perder bastante tempo: milhares de tipos de queijos, salames, mel, compotas doces e salgadas, licores, chocolates, doces regionais (descobri que há vários tipos de alfajores), doce de leite, vinhos, azeites! É tudo artesanal e bonito; tem bastante produto de Mendoza e Jujuy - duas províncias do país.


(Pachamama)

Depois de horas de caminhada, sentamos em um restaurante bem simples, instalado em uma construção antiga. A feira fica em frente desse casarão lindo, que parece a casa da fazenda de uma antiga fazenda. A Gabi pediu locro, uma espécie de feijoada mais suave, com feijão branco, canjica e grãos de milho gigante, com tempero leve e carne vermelha com algum osso. Chegamos à conclusão de que a feijoada realmente não tem nada de original: puchero e cassoulet já existiam antes dela. Talvez o locro - a versão latina dos Andes - tenha sido contemporâneo. Eu pedi tamales, uma pamonha enrolada na folha do milho, mas com massa mais parecida com a polenta e recheada de carne. Com o molho chimichurri fica uma delícia! E Quilmes. Siempre. Compramos uns cubanitos de sobremesa, em uma barraca. Uns tubetes gigantes recheados de doce de leite. Delícia! Vimos parte do show (lotado) de um senhor índio simpático que cantava à Pachamama (não lembro o nome dele e perdi o link do evento, dãr).


(cubanitos)


(quesos)


(eu e a placa)

24/08/2010

A orquestra atrás dos banheiros


(flor sem flor)

Eu estava em outro pique nessa viagem. Não comprei alfajores Havanna, não comi parrillada nem ojo de bife ou chorizo. Só tomei vinho, bastante, e cerveja de 1 litro, idem. Fiquei na casa das fofas da Gabi e da Vicky, numa avenida gostosa da Villa Crespo. Queria me sentir em casa, sem as paranoias de turista, muito menos a sua pressa e ânsia de conhecer tudo.

No sábado (21/ago) fomos almoçar em um natural, Pura Vida, que vende saladas e wraps no centro viejo. Pedi um combo com 1/2 wrap e sopa do dia por 24 pesos. Assistimos (tentamos) ao concerto gratuito da Orquesta West-Eastern Divan, regida por Daniel Barenboim. Nós e meia Buenos Aires, que lotou a Avenida 9 de Julio na altura do obelisco. A organização foi muito lusitana de montar uma "corrente" de banheiros químicos em volta do palco, que estava num nível inferior - ou seja, as casinhas tapavam toda a visão. Não foi muito relaxante escutar música clássica olhando para banheiros químicos. Engraçado é que as pessoas faziam shhhhhiu para as outras que falavam num tom um pouco mais alto que o cochicho. Era preciso sussurrar em plena 9 de Julio, olhando para um monte de banheiro. Bizarro.


(alguém vê o palco aí?)

Saímos de lá e fomos ao Museo Nacional de Bellas Artes, atrás do cemitério da Recoleta. Eu não conhecia, gostei muito. Nosso guia foi Nico, um amigo das meninas peronista até o último fio de pelo do corpo. Um cara muito inteligente, sabe tudo da história de seu país, divertido e que, a cada 20 minutos, soltava um Perón, para não perder o costume... ahahah

Fomos ver a exposição de Antonio Berni, artista famoso que nasceu no início do século XX e morreu no fim do emsmo siglo. Ignorante da arte argentina, eu não o conhecia. Sua obra gira em torno de uma mesma temática, e não de uma técnica. É o conflito de classes, a desigualdade social, a enxurrada capitalista do consumo, os exageros e as faltas é que chamam sua atenção. Muito bacana. Mas cada quadro tem uma linha, um traço, uma técnica - o que é muito curioso. Olhando para as telas, vê-se Frida Kahlo, Portinari, desenhos naïfs e, vá lá, até Toulouse Lautrec ou a pop art. Além da temática, o que persiste em todos os quadros é a tristeza no olho de suas personagens. Olhares baixos, longe, de desalento.


(eu e a Gabi em frente à Faculdade de Direito e da flor, que se abre pela manhã e fecha no por-do-sol)

Demos uma volta no museu, para ver a exposição permanente, e saímos em direção a um bar não muito caro - porque a Recoleta é alto nível. O sol era uma bola laranja no horizonte, na direção contrária à que nascia a lua. Andamos um pouco para chegar ao La Milanesa, na Avenida Las Heras. O bar é bem bonitinho, pensamos que fosse caro. Para a nossa surpresa, Quilmes de 1 litro por 16 pesos, 8 reais. Baratíssimo. Além de tomarmos várias, pedimos uma batata para petiscar. Era gratinada com molho de queijo e cebolla de verdeo, uma espécie de broto de uma cebola roxa em formato de alho poró. Delícia.

Bebemos todas e fomos para casa. As meninas moram em um apê fofo, pertinho do Parque Centenário. Antes de subir, passamos no chino (gosto cada vez mais dos chinos) para comprar vinho, massa e outras cosas para o jantar. Comemos, bebemos vinho e a Vicky saiu para o aniversário de uma amiga. Ia rolar um esquenta na casa dela e depois cerca de 20 amigos embarcariam no 'trenzito de la alegria'. Sério. É um trezinho mesmo, desses parecidos com bonde, mas a motor, que circula pelas ruas de Palermo. O povo se embebeda dentro do trenzito e fica berrando e mexendo com os transeuntes. Meio bizarro, mas parece ser divertido (se você não estiver sóbrio, é claro). Resolvi dormir antes de sair, e quem disse que consegui acordar? Barriga cheia e fígado atarefado combinam com cama. E só acordei de madrugada, deitada de calça jeans, blusa e sutiã, espirrando, atrás de um antigripal. Tomei e voltei a dormir. Lindo dia!


(sol laranja. rico!)

A caminho de Buenos Aires

O serviço das Aerolíneas Argentinas é infinitamente melhor que da Gol. Eles oferecem vinho e cerveja e aquela bolacha nojenta com recheio radioativo não existe. No lugar, misto frio no pão de ervas; e bolo (meio sequinho, é certo) com cobertura delícia de limão. O preço é bem parecido e você ainda pode dar sorte de embarcar ou desembarcar no Aeroparque, que fica muito mais perto que o aeroporto de Ezeiza (e bem mais barato - 25 pesos x 118 pesos).

Para chegar a Cumbica foi um caos! Saí às 17h15 do trabalho e cheguei mais de duas horas depois. Puta congestionamento na marginal Tietê. No aeroporto, desci uma Heineken e uma Devassa ruiva. Porque, afinal, é sexta-feira.

Li alguma coisa no avião, que demorou mais de meia hora para decolar. Não consegui descobrir como faz para colocar o banco para trás e fiquei a viagem toda ereta. É horrível! O pior de tudo é começar a dormir com a cabeça despencando no ombro do vizinho. Indigno.

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Sim, fui novamente a Buenos Aires. Renovar o meu ar.

06/08/2010

Argentina - Balanço Geral: QUERO VOLTAR!!


Amamos Buenos Aires!! É uma cidade na qual moraríamos facilmente: as pessoas são simpáticas, tem garrafa de cerveja de 1 litro, os vinhos são baratos, o transporte público é supereficiente, a cidade é linda, plana, e passa Chavo del 8 en español! (foto da Embaixada do Brasil)

Mendoza também é muito agradável, mas más chica - e tem siesta das 13h às 16h30 - ou seja, nesse horário, o comércio fecha. Em compensação, fica aberto até perto das 21h. Há inúmeras bodegas para conhecer e há um pouco de vida noturna - restaurante e boliches (bares). A cidade é cheia de praças e de árvores pelas ruas. Como Buenos Aires, é plana, o que facilita o deslocamento a pé, de bike ou motorizado. Só o táxi demora um pouco para chegar quando chamado. Além disso, os Andes estão bem próximos - dá para esquiar num dia, visitar o Parque do Aconcágua no outro...

Colonia, no Uruguai, a 1h de Buquebus (balsa gigante) de Buenos Aires, é superbonitinha. Uma cidade pequenina e com um centro histórico muito bonito. O porto é uma delícia! Só que, por ser a porta de entrada do Uruguai para quem vem da Argentina, é totalmente turística. As lojas colocam preço em dólar, há pessoas na rua te enchendo o saco para comer neste ou naquele restaurante, ou fazer este ou aquele passeio. Por isso, é mais caro comer lá do que em BsAs (comer, vestir, beber etc).

Montevideu parou no tempo. Ostenta glórias do passado em um presente decadente. Achamos que as pessoas de lá eram menos "felizes" que na Argentina. Não são mal-educadas, mas são mais sisudas. A cidade é bonita, mas com bairros esquecidos - mesmo os mais centrais. O Mercado del Puerto é um ótimo lugar para comer, mas seu entorno é sujo, ermo, abandonado (a gente sabe porque foi a pé para lá). A praia de Pocitos é uma delícia, tem calçadão e muito movimento (foto do bairro de Pocitos). Parece o Rio! Aqui, o transporte também funciona. E, se você for corajoso, tem até uma montanha russa quebradeira para enfrentar...

Buenos Aires - dia 16

06/setembro

21h20

Realmente ficamos bêbados ontem. Depois que saímos do bar, fomos procurar o que comer. Acabamos em um restaurante típico argentino que, obviamente, não recordo o nome. O TO+ pediu três empanadas e eu pedi mais berinjela. Só que não tinha berinjela e fiquei triste (foto ao lado). Pedi a salada que mais me apeteceu no cardápio - e aí que entre o problema da diferença da língua. A salada era de macarrão fusili integral. 1) eu não gosto dessas saladas com macarrão. 2) nunca pedi uma num restaurante. 3) queria algo mais leve. Resultado: quase nem comi, e dei metade do macarrão para o Thominho. Voltamos para o hostel, tomamos Naldecon Noite e dormimos como pedras.

Na manhã de hoje (domingo), tomamos café no hostel, arrumamos nossas bagagens e saímos do quarto. Fomos ao supermercado comprar vinhos e voltamos ao hostel. Ficamos fazendo hora até chegar o almoço. Queria ir novamente ao La Cabrera. Dessa vez, pedimos ojo de bife, salada caprese e um vinho Nieto Sarnentier (foto acima, nunca vou esquecer essa carne. Na foto abaixo, a salada fantástica...) Gastamos 155 pesos e comemos como reis. Demos uns rolês na feita da Plaza Serrano, que tem roupas, artesanatos e acessórios de todos os tipos. Há lojinhas também, com roupas estilosas e baratas. Mas como eu já estava falida, não ousei comprar.



Depois de andar um montão atrás de um café Havanna para comprar alfajores de presente, descobrimos que não há um em Palermo, pelo menos na região em que estávamos. Muito foda, porque já estávamos cansadaços, tudo doía. Andamos mais de um quilômetro e encontramos o tal. Voltamos para o hostel e o táxi já nos esperava. No aeroporto, muita fila para tudo, ainda bem que chegamos cedo. Mas foi bem duro ver que tinha Havanna lá (é óbvio que tinha! E a gente camelou tanto para achar...). Fiz comprinhas no free shop e tomamos três garrafas de Quilmes de 500 ml (foto acima). Encontramos os senhore que estiveram conosco no passeio às bodegas de Mendoza - um argentino e um cubano, cujas mulheres estavam se refestelando no free shop.

Bom, espero que não abram a minha mala porque tem doce de leite e azeite!

Ah, dica boa: cada pessoa pode trazer 4 garrafas de vinho na bagagem de mão.

Para variar, o voo está atrasadíssimo. O comandante disse que sairíamos às 22h, e o voo era às 21h15. Vamos ver...


(fotos da feira de Palermo)


(dog shoes)


(anteojos)

26/07/2010

Buenos Aires - dia 15

05/setembro

14h

Chegamos bem a Buenos Aires e fomos para o hostel. Lá, deixamos as malas porque não tinha dado 12h, a hora do check in. Fomos para o Buenos Aires Design, na Recoleta, comprar presentes. Estamos bem cansados - queríamos fazer um conversote no parque, mas não vai rolar. Além disso, eu e o Thomi estamos meio gripados, deve ser do vento gelado e da neve.

Estamos em um hostel no coração de Palermo Soho, super bem localizado, mas meio tosco. Não conseguimos quarto com cama de casal nem banheiro. Nem toalha tem - custa 5 pesos. Mas é um lugar bacana, apesar do vasamento no banheiro.

Fomos comer no Bar 6, na rua Armenia. Pedimos o menu fechado. De entrada, uma berinjela caprese deliciosa. Meu prato principal foi merluza, e do Thomaz, nhoque. Vem uma taça de vinho ou outra bebida - o vinho vem na famosa jarra em forma de pinguim. A comida estava muito boa, a merluza veio com uma cobertura crocante de milho. Depois, fomos dormir. Descansar é preciso.

21h45

Estamos num bar na Plaza Serrano (Cronico Bar) e tem um monte de brasileiro assistindo ao jogo contra a Argentina. Está 2 x 0 para o Brasil. É incrível como o bar segura a entrada das pessoas para não ficar lotado demais (no Brasil, ia ficar amarrotado de gente). Foi um gol do Luisão e outro do Luís Fabiano. Estamos tomando Stella Artois de 1 litro (20 pesos) com amendoim na casca - muito roots!!!

Conhecemos pessoas do Recife que moram aqui em BsAs. Queremos lo mismo!

23h35

O jogo acabou em 3 x 1 para o Brasil, mais um gol o Luís Fabiano. O bar deu uma esvaziada depois do jogo, nós tomamos 5 litros de cerveja e quedamos borrachos! Yo y Thomito hacemos un pacto para hablar somente en español hasta el fin de viaje. El está comiendo los amendoins, el fue abduzido por ellos. Yo no sé escribir... ahahaha

Mendoza/Buenos Aires - dia 14

04/setembro

14h35

Acordamos bem tarde e saímos do hotel. Chamamos um táxi que demorou meia hora para chegar! Deixamos nossas malas num armário na rodoviária e fomos para o centro almoçar. Agora estamos num restaurante super simpático que fica no meio de uma galeria chicosa da Av. San Martín. O café-restaurant chama-se Bizzarro. o TO+ pediu sorrentino e eu fui de menu executivo, para variar (porque gostei do prato servido na mesa ao lado): cerdo com salsa de ananá e papal al miel (carne de porco com molho de abacaxi e batata ao mel). Não sou muito fã de carne de porco, mas esta estava maravilhosa! Claro que o TO+ comeu metade do meu prato, que estava muito mais gostoso que o dele. No restaurante, a cesta de pão era literalmente feita de pão (foto acima)!!! Muito divertido.


14h45

Saímos do restaurante e: surpresa!! Todo o comércio estava fechado. Fomos até o Havanna mais próximo para tomar café e compramos uma revista especializada em vinho. enquanto o TO+ a lia, eu peguei o caderno de Cultura do jornal Los Andes. e descobri que um grupo famoso de rock, Kapanga, estava no Ibis com a gente. Incrível! Um deles (o que eu reconheci na foto do jornal) veio falar comigo ontem à noite enquanto eu fumava fora do hotel. Ele me perguntou se eu tinha ido esquiar (por causa da marca ridícula dos óculos) por um dia ou uma semana... Depois que eu falei que estava viajando com meu namorado, ele desconversou e foi embora. Ahahahahah, safado!

19h30

Estamos no ônibus extra-comfort-plus-master para Buenos Aires (foto ao lado). Antes, ficamos umas 4h sem fazer nada em Mendoza, porque das 13h às 16h30 é hora da ciesta na cidade, ou seja, todo o comércio fecha, menos os bares-restos-cafés. Ficamos no calçadão tomando vinho num copo de plástico - pobreza (foo abaixo)! Depois o TO+ comprou uma jaqueta de couro muito bonita! Antes de irmos para a rodoviária, paramos na taverna do Moe e eu tomei uma cerveja negra Modelo, do México (o Moe tá chique!) O TO+ quis pegar as duas poltronas da frente para ficar de cara no vidro do ônibus de dois andares. Eu não queria! Benfeito para ele! Ficou sem televisão - não tinha TV no banco dele. eu tenho a minha própria e ele terá de ver os mesmos filmes que eu. Rá!



20h35

O fone de ouvido do TO+ não funcionava, já que ele não tinha uma TV só para ele. Resultado: tivemos que falar com um americano que estava atrá da gente e sozinho para mudar de lugar. A pobre da rodomoça não falava uma só palavra em inglês e nos pediu para negociar com o moço. Mas ele foi gentil e, mesmo antes de levantarmos, ele já havia entendido que estávamos com "problemas" e veio oferecer para trocar.

Tomamos vinho tinto na cena e, depois, espumate e uísque (eu e o TO+, respectivamente). O serviço aqui é chique!

P.S.: Tombo - ontem eu descobri um puta roxo na bunda, deve ser de um dos 78 tombos que levei na neve, ou resultado de todos juntos.

24/10/2009

Buenos Aires/Mendoza - dia 11


01/setembro

22h20

O vinho ruim nos deixou alegrinhos, mas não bêbados o bastante para nos fazer dormir as mais de 14h de viagem (na foto, ainda na rodoviária de BsAs). A poltrona do ônibus (semi-cama) que escolhemos era confortável para uma viagem de até 6h, não mais. Fora esse problema, havia dois bebês no ônibus e duas tuberculosas que não paravam de tossir. A noite não foi gelada, foi congelante. Muito, muito frio. A rodomoça era uma imbecil que não entendia nada do portunhol perfeito que falávamos. E uma coisa eu entendi: não há paradas em certos trajetos, nem nos mais longos. Ou seja, não há postos, nem restaurante, nem banheiro. Aliás, o banheiro do ônibus era só para líquidos. Se o passageiro precisasse fazer "sólidos", tinha que pedir para o motorista parar. Puta coisa indigna!! Desconfortável para aquele que precisa fazer nº2. Mas bom para quem senta perto do banheiro.

A empresa disse que servia cena e desayuno. O jantar foi uma saladinha sem vergonha de cenoura, pão (seco), empanada fria de carne e canelone de espinafre, cujo recheio estava meio massudo. Mas foi melhor que as bolachinhas da Gol (se bem que a viagem é 5x mais longa!). O café-da-manhã foi tosco: alfajor. E café. Só.

Chegamos a Mendoza e vimos uma paisagem árida, marrom. Acho que os vinhedos não estão verdes. Nós nos instalamos no Ibis, que é longe do centro, mas barato - 139 pesos. E, melhor, é silencioso, com banho bom e cama king size dura. Ah! Sonho!

Levamos as roupas sujas para o 5 a Sec anexo ao Carrefour, que fica ao lado do hotel. Voltamos, almoçamos no Ibis e capotamos. Lá pelas 18h40, acordamos e fomos à lan house no Carrefour (também...). Vimos emails, pesquisamos sobre o que fazer em Mendoza e como ir até Los Penitentes, uma estação de esqui a 168km daqui. Pegamos a roupa e dicas valiosas de um senhor simpático, Luiz Paris, que trabalha numa loja de armarinhos, também no Carrefour.

Agora, estamos num bar na Av. Villanueva, dica do Luiz. Chama El Palanque. Tomamos dois vinhos Alta Vista Cabernet Sauvignon 2007, 34 pesos cada. O jogo americano do bar é de papel e tem um espaço para um concurso de dibujo (desenho). "Los ganadores tienem derecho a uno almuerzo". O Thominho fez um desenho super legal! Ahora quedamos borrachos... hum!

30/09/2009

Montevideo/Buenos Aires - dia 10

31/agosto

6h30

A noite foi trágica: televisão alta, porta batendo, teclado do computador (segundo o TO+, que tem ouvido de leproso), uma tuberculosa e uma brasileira querendo fazer amigos. Quando tudo isso se aquietava, uma turma de desocupados inha e vinha na rua, berrando. Ou o Thominho roncava. Dormimos picas. Acho que estamos ficando velhos para hostel. Ainda bem que já reservamos o Ibis em Mendoza! Antes de dormir, assistimos "Siñor M", que sacava pollitos de seus baus magicos!!! hahaha

Estamos no Terminal Tres Cruces de ônibus, esperando a conexão para Colonia, onde pegaremos o buquebus. O dinheiro que nos restou deu apenas para um café expresso. Pobreza ao extremo (foto). Agora, tentaremos tirar dinheiro no puto do Itaú de Buenos Aires e, também, em algum conveniado ao Bradesco, pela rede Plus.

14h10
A viagem foi ótima, dormi quase o tempo todo. O TO+, não. Esfriou muito e, no porto de Colonia, ventava como há muito não sentia - ventava canivete, cortava a alma. O buque sacolejou um pouco, bem na hora que eu estava tentando fazer xixi. Em Buenos Aires está mais calorzinho, mas ainda muito mais frio que na semana passada.

Deixamos a bagagem na rodoviária (32 pesos, no total) e fomos para o Itaú. Eles nos atenderam bem, mas o cartão de débito do Thomaz não é internacional e não podemos sacar aqui, de jeito nenhum. "É outro sistema", disse a gerente. Pior, ela disse também que centenas de brasileiros como a gente se ferraram por causa disso: foram lá e ficaram sem dinheiro. Por que raios não enviaram outro cartão para o Thomaz antes da viagem, uma vez que ele avisou que iria para o exterior? Serviço de porco.

Ficamos super preocupados e decidimos ir ao escritório do Bradesco para ver o que acontecia, já que não estávamos conseguindo sacar - tentamos em alguns bancos. O atendimento foi fantástico, a mulher, super atenciosa, ligou para o Brasil duas vezes e conseguimos resolver nosso problema (na foto, TO+ conversando com a gerente em SP). Só não sabemos se o problema já estava resolvido porque, achamos, não tentamos sacar na rede Banelco. No Brasil, não avisaram que o saque só pode ser feito em caixas atrelados a esse tal de Banelco. Aliás, falaram que era possível sacar no Bradesco daqui. E aqui nem tem Bradesco. Mas pelo menos deu certo. Ufa!

Agora, estamos em um cantina italiana modernosa no Retiro chamada Filo. O TO+ está sentado atrás de uma bunda (!) - de uma boneca de manequim sexy. A garçonete é muito simpática. Aqui, e em outros restos de Buenos Aires, as pessoas comem pizza no almoço! Pode ser com massa fina, grossa, redonda, quadrada...

19h

O almoço foi muito gostoso. A salada al brie que comi estava muito boa, com salmão defumado, camarõezinhos e nozes. O espagueti a la sorrentine do Thomaz devia estar bom também, porque eu nem consegui experimentar (hehe). Saí de lá bebinha depois de meia garrafa de vinho San Telmo.

Demos aquela caminhada básica, para não perder o costume, atrás de cinemas no centro. No primeiro estava passando Coco antes de Chanel, que já assistimos, e outro filme argentino, que deve ser bom, mas como não tem legenda, fiquei receosa - e se eu não entender direito? O segundo cinema não existe, é uma casa de espetáculo de tango, na 9 de Julio. A terceira, Atlas Lavalle, tem um monte de salas e vários filmes para escolher. Aliás, na mesma rua Lavalle, na mesma quadra, tem outro cinema com outras cinco ou seis salas. Só que não podíamos escolher muito por causa do horário do ônibus para Mendoza.

Fomos ao Atlas. Queria ver Se Beber Não Case (O que será de amanhã?, em espanhol), mas era muito tarde. Então, ficamos entre uma comédia romântica americana (La Cruda Verdad) e o trash americano Arraste-me para o Inferno, de Sam Raimi. Escolhemos o segundo. O cinema é incrível, super grande e íngreme. A tela é enorme!! Mas o som deixa a desejar. O filme também. Mas é engraçado e dá susto, como um bom filme de terror. Num certo ponto, cai no escracho. Ótimo para não pensar em nada. E "descansar", porque precisamos.

Agora estamos sentados no café Tribunales, ao lado do Palacio da Justicia, tomando um vinho de mesa random/genérico, chamado Bianchi. Foi sugestão do garçom entre os quatro (miséria!) que tinha o menu. Aliás, foi o primeiro garçom que não serviu o vinho adequadamente desde que pisamos aqui. O bom é que estamos do lado do ponto de ônibus e vimos que a linha que precisamos pegar passa toda hora. E a 29 (nosso pai) também!