Mostrando postagens com marcador argentina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador argentina. Mostrar todas as postagens

20/12/2010

Panetones e gosmas

Quem me conhece um pouquinho sabe que eu ODEIO essas marcas que inventam panetone de todos os sabores: goiabada, mousse de maracujá, trufa, mousse de seiláoque... Na maioria das vezes, e principalmente das marcas mais baratas, os panetones vêm com umas gosmas de recheio, nojentas, gordurosas, asquerosas... O que aconteceu com o bom e velho panetone de frutas secas? Ah, não gosta de frutas? Então o chocotone pode te satisfazer, aquele com pingos de chocolate. É o máximo que eu aturo em panetones - e até prefiro o de chocolate.

Até nisso a Argentina es mejor que Brasil. Aqui (em Buenos Aires) o panetone parece um bolo inglês: do formato de um bolo qualquer industrializado. Estou com um do meu lado e posso dizer com certeza que é assim. Há outros formatos, mas... Budín del cielo (pudim do céu) chama a guloseima, con almendras e nueces (alías, nada a ver, mas aprendi uma ótima técnica para quebrar nozes sem um quebra nozes: a quina da porta). Tá bom, deve ter essas melequeiras aqui, mesmo porque aqui também vende Bauducco (chocotone tipo mousse, eca!). Mas o primeiro panetone que encontrei en la ciudad foi esse. E a primeira impressão é a que fica. Há o panetone default, um que é mais baixo e esse tal de budín del cielo. Amanhã vou ao supermercado só para me certificar de que as melecas passam longe daqui.

Fui. E tomando una copa de Dulce Cosecha (Trapiche) - biennnn dulce.

09/09/2010

Último dia em Buenos Aires



No último dia em que estive em Buenos Aires, queria fazer um piquenique nos parques de Palermo. Mas o dia estava gelado, ameaçando chover. Melhor não. As meninas tinham o que fazer, afinal, era segunda-feira, e eu fui conhecer a livraria El Ateneo, na Avenida Santa Fé. Depois fique perambulando, fui até ao Buenos Aires Design, na Recoleta (adooooro, comprei um minidespertador retrô para mim) e voltei para a casa das meninas.


(ah, na manhã desse dia eu comprei frutilla, o mejor, frutillones!)

Almoçamos tartas com ensalada, na casa delas, e depois fui a um supermercado ver se encontrava um vinho que um amigo havia pedido. Não encontrei e comprei os meus no chino, que era mais perto da casa das meninas e mais barato. Depois, eu e a Gabi fomos ao Malba a um debate do livro do mês. O autor do dia era o Liniers e, o livro a ser discutido, El Arte, de Juanjo Sáez. Para quem não conhece, Liniers é um quadrinhista (ou quadrinista? rs) argentino, famoso naquele país e que escreve (desenha) para a Folha. Ele escolheu o livro de um espanhol, o Sáez, que fala de arte de forma muito corrosiva, perspicaz e humorada. Tudo em quadrinhos. Amei!!! No fim, teve degustação de vinho - e, gente, o debate era de graça.


(o debate foi incrível!)

Pois bem, saímos de lá e fomos para um bar perto da casa das meninas encontrar com Vicky. Estava frio, mas o bar tem um sofá na calçada, não tinha como ficarmos em outro lugar. Foi um fim de noite lindo, ótimo! Pena que fui dormir às 2h30 e tive que acordar às 4h40 para pegar o táxi de volta para o Brasil. Agora, fico pensando, quando volto a Buenos Aires? Que saudades!! E que estadia linda!! Muito obrigada às queridas Gabi e Vicky.


(bar com o sofá dos 'Friends')

O Peru é aqui - Abasto, Buenos Aires

No mesmo dia da Feria de Mataderos (post anterior) fomos a um restaurante tradicional peruano, o Mamani. Fica no bairro de Abasto, atrás do shopping de mesmo nome. Apesar de chique, o centro comercial (que fica num incrível prédio restaurado, onde funcionava um mercado) não conseguiu revitalizar todo o entorno. Não é nem um pouco parecido com uma "villa" (favela), mas podia ser mais bem cuidado. Afinal, Buenos Aires é uma cidade tão linda! O bairro é tomado por peruanos, por isso o fato do restaurante estar ali - e, por favor, não julguem isso pela descrição do bairro. Há peruanos da cozinha ao caixa, no salão e sentados à mesa. Bom sinal - prova de que a comida deve ser bem fiel ao país de origem.


(o ceviche gigante)

Pedimos ceviche mixto - com peixe, lula, camarão, polvo, marisco, milho, papa, batata, cebola e leche de trigo. Papa aqui é batata, e batata, batata doce. Uma delícia. Só o peixe não estava 100% porque tinha umas nervuras - acho que não foi cortado como ceviche. Mas tudo estava deliciosamente combinando e fresco. A porção é enorme, com várias texturas...


(meu prato de ceviche... até parece que só comi ele...)

De principal, fomos de tacu-tacu (não tirei foto, estava tão empolgada...) - arroz com caldo de feijão e lomo (mignon em tiras) com cebolla y morrones (pimentões). Tomamos Heineken de 1 litro (26 pesos, cara). Achei engraçado que no cardápio há vários pratos chineses. E eu pensando que a comida nipo-peruana era bem representativa do país... E a chino-peruana? Cadê esse tipo de cozinha no Brasil?


(Vicky e Gabi, fofas!)

Feria de Mataderos - Buenos Aires


(ovejaaaaasssss)

Dando continuidade à minha curta viagem no fim de agosto para Buenos Aires...

Mataderos não é um bairro muito amigável. Fica no extremo norte de Buenos Aires, ao lado de Ezeiza, cidade onde está o aeroporto internacional que leva o mesmo nome. A perifa da "cidade mais europeia da América Latina" não tem nada do glamour do centro. Perifa é sempre Perifa. Pegamos o 141 rumo à Feria de Mataderos e, logo no início, o motorista nos disse que nos deixaria num ponto e que teríamos que pegar outro ônibus para chegar até lá. E que não era para irmos a pé. Fomos saindo do centro e a cidade foi ficando cada vez mais interiorana, mais simples, mais pobre. Muito movimento e, depois, quase ninguém na rua. Era quase 1 da tarde de um domingo. O motorista nos deixou no ponto e nos fez prometer que não iríamos a pé. Tá bom, não fomos. Esperamos o 80 (linha que ele havia indicado) e ele não chegava. Em menos de 10 minutos, dois carros pararam para falar conosco. Melhor pegar um táxi.


(A Gabi ficou brother do minicavalo e da minillama)

O único que passou por nós logo nos perguntou: "Vocês sabem onde estão? Já vieram aqui?" Enfim, não. Uma quadra adiante começava uma favela imensa, a maior de Buenos Aires, segundo o motorista, uma "villa" (pronuncia-se vixa) - me disseram aqui nos comentários que é a Villa 15, conhecida como Ciudad Oculta. O motorista disse que era arriscadíssimo ficarmos ali, no ponto, sozinhas. Por isso o ônibus nos deixou ali, antes da "villa". Não que eu tenha medo de passar na frente de uma, mas não tínhamos pensado que isso aconteceria, e não havíamos escolhido a roupa mais sussa para tal. Estava na cara que não éramos dali, mas tudo bem - pegamos o táxi e fomos. O taxista nos disse para sairmos pelo outro lado da feira, menos perigoso e com mais linhas de ônibus para o centro. Descobrimos que o 92 para ali também - e nos deixou a uma quadra de casa.


(alfajores diferentes)

A feira é o máximo. A Gabi queria visitá-la há muito tempo, mas ninguém queria ir com ela. Essa fama de perigosa é real mesmo, mas jamais afetou nossa vontade, mesmo porque não passamos medo real algum. Eu também queria ter visitado da outra vez que estive em Buenos Aires, mas era tão longe...


(tamales)

Lá tem gente de tudo quanto é tipo: branco, índio, pobre, não-pobre, turista (poucos, os mais descolados), muitos idosos, adultos e jovens. Comemorava-se o Dia Internacional do Folclore (22 de agosto). No palco, várias atrações regionais, e nada de tango. Quem manda ali é a cultura criolla, do campo. Também tinha um minicavalo e uma llama em miniatura para levar crianças para passear, no meio da galera. Para comer, parrillada, choripan (pão com linguiça), tamales, locro e um sem fim de doces fritos ou assados, além, é claro, das empanadas. Há muita coisa de lã e couro na feira, e muitos artesanatos bonitos. As comidinhas artesanais também nos fizeram perder bastante tempo: milhares de tipos de queijos, salames, mel, compotas doces e salgadas, licores, chocolates, doces regionais (descobri que há vários tipos de alfajores), doce de leite, vinhos, azeites! É tudo artesanal e bonito; tem bastante produto de Mendoza e Jujuy - duas províncias do país.


(Pachamama)

Depois de horas de caminhada, sentamos em um restaurante bem simples, instalado em uma construção antiga. A feira fica em frente desse casarão lindo, que parece a casa da fazenda de uma antiga fazenda. A Gabi pediu locro, uma espécie de feijoada mais suave, com feijão branco, canjica e grãos de milho gigante, com tempero leve e carne vermelha com algum osso. Chegamos à conclusão de que a feijoada realmente não tem nada de original: puchero e cassoulet já existiam antes dela. Talvez o locro - a versão latina dos Andes - tenha sido contemporâneo. Eu pedi tamales, uma pamonha enrolada na folha do milho, mas com massa mais parecida com a polenta e recheada de carne. Com o molho chimichurri fica uma delícia! E Quilmes. Siempre. Compramos uns cubanitos de sobremesa, em uma barraca. Uns tubetes gigantes recheados de doce de leite. Delícia! Vimos parte do show (lotado) de um senhor índio simpático que cantava à Pachamama (não lembro o nome dele e perdi o link do evento, dãr).


(cubanitos)


(quesos)


(eu e a placa)

24/08/2010

A orquestra atrás dos banheiros


(flor sem flor)

Eu estava em outro pique nessa viagem. Não comprei alfajores Havanna, não comi parrillada nem ojo de bife ou chorizo. Só tomei vinho, bastante, e cerveja de 1 litro, idem. Fiquei na casa das fofas da Gabi e da Vicky, numa avenida gostosa da Villa Crespo. Queria me sentir em casa, sem as paranoias de turista, muito menos a sua pressa e ânsia de conhecer tudo.

No sábado (21/ago) fomos almoçar em um natural, Pura Vida, que vende saladas e wraps no centro viejo. Pedi um combo com 1/2 wrap e sopa do dia por 24 pesos. Assistimos (tentamos) ao concerto gratuito da Orquesta West-Eastern Divan, regida por Daniel Barenboim. Nós e meia Buenos Aires, que lotou a Avenida 9 de Julio na altura do obelisco. A organização foi muito lusitana de montar uma "corrente" de banheiros químicos em volta do palco, que estava num nível inferior - ou seja, as casinhas tapavam toda a visão. Não foi muito relaxante escutar música clássica olhando para banheiros químicos. Engraçado é que as pessoas faziam shhhhhiu para as outras que falavam num tom um pouco mais alto que o cochicho. Era preciso sussurrar em plena 9 de Julio, olhando para um monte de banheiro. Bizarro.


(alguém vê o palco aí?)

Saímos de lá e fomos ao Museo Nacional de Bellas Artes, atrás do cemitério da Recoleta. Eu não conhecia, gostei muito. Nosso guia foi Nico, um amigo das meninas peronista até o último fio de pelo do corpo. Um cara muito inteligente, sabe tudo da história de seu país, divertido e que, a cada 20 minutos, soltava um Perón, para não perder o costume... ahahah

Fomos ver a exposição de Antonio Berni, artista famoso que nasceu no início do século XX e morreu no fim do emsmo siglo. Ignorante da arte argentina, eu não o conhecia. Sua obra gira em torno de uma mesma temática, e não de uma técnica. É o conflito de classes, a desigualdade social, a enxurrada capitalista do consumo, os exageros e as faltas é que chamam sua atenção. Muito bacana. Mas cada quadro tem uma linha, um traço, uma técnica - o que é muito curioso. Olhando para as telas, vê-se Frida Kahlo, Portinari, desenhos naïfs e, vá lá, até Toulouse Lautrec ou a pop art. Além da temática, o que persiste em todos os quadros é a tristeza no olho de suas personagens. Olhares baixos, longe, de desalento.


(eu e a Gabi em frente à Faculdade de Direito e da flor, que se abre pela manhã e fecha no por-do-sol)

Demos uma volta no museu, para ver a exposição permanente, e saímos em direção a um bar não muito caro - porque a Recoleta é alto nível. O sol era uma bola laranja no horizonte, na direção contrária à que nascia a lua. Andamos um pouco para chegar ao La Milanesa, na Avenida Las Heras. O bar é bem bonitinho, pensamos que fosse caro. Para a nossa surpresa, Quilmes de 1 litro por 16 pesos, 8 reais. Baratíssimo. Além de tomarmos várias, pedimos uma batata para petiscar. Era gratinada com molho de queijo e cebolla de verdeo, uma espécie de broto de uma cebola roxa em formato de alho poró. Delícia.

Bebemos todas e fomos para casa. As meninas moram em um apê fofo, pertinho do Parque Centenário. Antes de subir, passamos no chino (gosto cada vez mais dos chinos) para comprar vinho, massa e outras cosas para o jantar. Comemos, bebemos vinho e a Vicky saiu para o aniversário de uma amiga. Ia rolar um esquenta na casa dela e depois cerca de 20 amigos embarcariam no 'trenzito de la alegria'. Sério. É um trezinho mesmo, desses parecidos com bonde, mas a motor, que circula pelas ruas de Palermo. O povo se embebeda dentro do trenzito e fica berrando e mexendo com os transeuntes. Meio bizarro, mas parece ser divertido (se você não estiver sóbrio, é claro). Resolvi dormir antes de sair, e quem disse que consegui acordar? Barriga cheia e fígado atarefado combinam com cama. E só acordei de madrugada, deitada de calça jeans, blusa e sutiã, espirrando, atrás de um antigripal. Tomei e voltei a dormir. Lindo dia!


(sol laranja. rico!)

A caminho de Buenos Aires

O serviço das Aerolíneas Argentinas é infinitamente melhor que da Gol. Eles oferecem vinho e cerveja e aquela bolacha nojenta com recheio radioativo não existe. No lugar, misto frio no pão de ervas; e bolo (meio sequinho, é certo) com cobertura delícia de limão. O preço é bem parecido e você ainda pode dar sorte de embarcar ou desembarcar no Aeroparque, que fica muito mais perto que o aeroporto de Ezeiza (e bem mais barato - 25 pesos x 118 pesos).

Para chegar a Cumbica foi um caos! Saí às 17h15 do trabalho e cheguei mais de duas horas depois. Puta congestionamento na marginal Tietê. No aeroporto, desci uma Heineken e uma Devassa ruiva. Porque, afinal, é sexta-feira.

Li alguma coisa no avião, que demorou mais de meia hora para decolar. Não consegui descobrir como faz para colocar o banco para trás e fiquei a viagem toda ereta. É horrível! O pior de tudo é começar a dormir com a cabeça despencando no ombro do vizinho. Indigno.

====

Sim, fui novamente a Buenos Aires. Renovar o meu ar.

06/08/2010

Argentina - Balanço Geral: QUERO VOLTAR!!


Amamos Buenos Aires!! É uma cidade na qual moraríamos facilmente: as pessoas são simpáticas, tem garrafa de cerveja de 1 litro, os vinhos são baratos, o transporte público é supereficiente, a cidade é linda, plana, e passa Chavo del 8 en español! (foto da Embaixada do Brasil)

Mendoza também é muito agradável, mas más chica - e tem siesta das 13h às 16h30 - ou seja, nesse horário, o comércio fecha. Em compensação, fica aberto até perto das 21h. Há inúmeras bodegas para conhecer e há um pouco de vida noturna - restaurante e boliches (bares). A cidade é cheia de praças e de árvores pelas ruas. Como Buenos Aires, é plana, o que facilita o deslocamento a pé, de bike ou motorizado. Só o táxi demora um pouco para chegar quando chamado. Além disso, os Andes estão bem próximos - dá para esquiar num dia, visitar o Parque do Aconcágua no outro...

Colonia, no Uruguai, a 1h de Buquebus (balsa gigante) de Buenos Aires, é superbonitinha. Uma cidade pequenina e com um centro histórico muito bonito. O porto é uma delícia! Só que, por ser a porta de entrada do Uruguai para quem vem da Argentina, é totalmente turística. As lojas colocam preço em dólar, há pessoas na rua te enchendo o saco para comer neste ou naquele restaurante, ou fazer este ou aquele passeio. Por isso, é mais caro comer lá do que em BsAs (comer, vestir, beber etc).

Montevideu parou no tempo. Ostenta glórias do passado em um presente decadente. Achamos que as pessoas de lá eram menos "felizes" que na Argentina. Não são mal-educadas, mas são mais sisudas. A cidade é bonita, mas com bairros esquecidos - mesmo os mais centrais. O Mercado del Puerto é um ótimo lugar para comer, mas seu entorno é sujo, ermo, abandonado (a gente sabe porque foi a pé para lá). A praia de Pocitos é uma delícia, tem calçadão e muito movimento (foto do bairro de Pocitos). Parece o Rio! Aqui, o transporte também funciona. E, se você for corajoso, tem até uma montanha russa quebradeira para enfrentar...

26/07/2010

Mendoza/Buenos Aires - dia 14

04/setembro

14h35

Acordamos bem tarde e saímos do hotel. Chamamos um táxi que demorou meia hora para chegar! Deixamos nossas malas num armário na rodoviária e fomos para o centro almoçar. Agora estamos num restaurante super simpático que fica no meio de uma galeria chicosa da Av. San Martín. O café-restaurant chama-se Bizzarro. o TO+ pediu sorrentino e eu fui de menu executivo, para variar (porque gostei do prato servido na mesa ao lado): cerdo com salsa de ananá e papal al miel (carne de porco com molho de abacaxi e batata ao mel). Não sou muito fã de carne de porco, mas esta estava maravilhosa! Claro que o TO+ comeu metade do meu prato, que estava muito mais gostoso que o dele. No restaurante, a cesta de pão era literalmente feita de pão (foto acima)!!! Muito divertido.


14h45

Saímos do restaurante e: surpresa!! Todo o comércio estava fechado. Fomos até o Havanna mais próximo para tomar café e compramos uma revista especializada em vinho. enquanto o TO+ a lia, eu peguei o caderno de Cultura do jornal Los Andes. e descobri que um grupo famoso de rock, Kapanga, estava no Ibis com a gente. Incrível! Um deles (o que eu reconheci na foto do jornal) veio falar comigo ontem à noite enquanto eu fumava fora do hotel. Ele me perguntou se eu tinha ido esquiar (por causa da marca ridícula dos óculos) por um dia ou uma semana... Depois que eu falei que estava viajando com meu namorado, ele desconversou e foi embora. Ahahahahah, safado!

19h30

Estamos no ônibus extra-comfort-plus-master para Buenos Aires (foto ao lado). Antes, ficamos umas 4h sem fazer nada em Mendoza, porque das 13h às 16h30 é hora da ciesta na cidade, ou seja, todo o comércio fecha, menos os bares-restos-cafés. Ficamos no calçadão tomando vinho num copo de plástico - pobreza (foo abaixo)! Depois o TO+ comprou uma jaqueta de couro muito bonita! Antes de irmos para a rodoviária, paramos na taverna do Moe e eu tomei uma cerveja negra Modelo, do México (o Moe tá chique!) O TO+ quis pegar as duas poltronas da frente para ficar de cara no vidro do ônibus de dois andares. Eu não queria! Benfeito para ele! Ficou sem televisão - não tinha TV no banco dele. eu tenho a minha própria e ele terá de ver os mesmos filmes que eu. Rá!



20h35

O fone de ouvido do TO+ não funcionava, já que ele não tinha uma TV só para ele. Resultado: tivemos que falar com um americano que estava atrá da gente e sozinho para mudar de lugar. A pobre da rodomoça não falava uma só palavra em inglês e nos pediu para negociar com o moço. Mas ele foi gentil e, mesmo antes de levantarmos, ele já havia entendido que estávamos com "problemas" e veio oferecer para trocar.

Tomamos vinho tinto na cena e, depois, espumate e uísque (eu e o TO+, respectivamente). O serviço aqui é chique!

P.S.: Tombo - ontem eu descobri um puta roxo na bunda, deve ser de um dos 78 tombos que levei na neve, ou resultado de todos juntos.

16/09/2009

Buenos Aires - dia 7

28/agosto

21h30

Ontem voltamos para o hostel e eu simplesmente capotei. Quase que não acordo para ir a uma milonga que uma garota do hostel recomendou. É um baile na Villa Malcolm, segundo um professor de tango, milonga "alternativa". Achamos muito legal, mas tango é realmente difícil. Eu e o Thomaz tentamos bailar uma música, mas só demos vexame. Voltamos e dormimos.

Só consegui sair da cama às 11h30. Então começou a jornada do "tudo dá errado". Passamos no Itaú e descobrimos que não se pode sacar aqui, tem que ter o cartão de débito internacional. O Thomaz foi literalmente "rechazado" no caixa eletrônico.

Fomos a San Telmo para almoçar no La Brigada (outro link), sugerido pela Jordi. A carne estava absolutamente incrível, mas, nós, completamente deslocados no restaurante, frequentado basicamente por engravatados e executivas. Tudo bem. Somos turistas mesmo... Eu pedi um bife de chorizo (foto - imenso! metade foi para o Thomi) e o Thomaz, lomo. Uma saladinha caprese para acompanhar e, dessa vez, cerveja. Porque estamos meio enjoados de vinho.

Depois do almoço tentamos resolver essa questão dos saques no Itaú, mas chegamos às 15h01 na "caja central" do banco, que já estava fechado. Havia 1 minuto. Que raiva! Bateu um desespero forte e o Thomaz pediu socorro para os pais: transferiram dinheiro para a minha conta, porque eu consigo sacar nos bancos argentinos com o cartão do Santander. Ufa! Se bem que o Santander Río, que tem aqui, é outra empresa e eu pago um absurdo de tarifa. Melhor que ficar sem dinheiro - da próxima vez, vamos trazer reais.

Então realmente relaxamos e fomos a Puerto Madero (na foto acima, eu tomando um helado), conhecemos o museu naval (que fica dentro de um navio ancorado, na foto) e passeamos muito, ao longo dos 2km do porto!! Para relaxar, fomos ao cinema - assistimos Coco antes de Chanel. Muito bom. Puerto Madero é super bonito, mas bem diferente do resto da cidade. Ainda cultiva parte da arquitetura antiga, dos antigos galpões do porto, mas está tomado do prateado da arquitetura pós-moderna.

Voltamos com o 152, que já virou uma mãe para a gente (o 29 é o pai) e demorou um pouco por causa do trânsito, para variar. Agora, acabamos de comer no Club Eros, um restaurante bom, barato e barulhento em Palermo, também sugestão da Jordi. Apesar da localização, é uma construção antiga, pé direito alto, sujão, superiluminado e com uma quadra de futebol de salão dentro (foto abaixo, por isso ele é um clube). Inusitado. Acho que fizeram o restaurante para alimentar os esportistas famintos. Pedi um milanesa e berinjelas para acompanhar. O TO+ foi de sorrentinos recheados de mussarela com molho vermelho com carne (estofado, na foto, com recheio derretendo. hum!). Tudo muito bom e barato. Com a Quilmes de 1 litro, deu 40 pesos - 10 reais para cada.

Fomos para o hostel fazer as malas e dormir. Amanhã vamos para Colônia, no Uruguai. De madrugada, os jovens entravam e saíam da casa a toda hora, o que não nos deixou dormir. O colchão ruim, em "U" ajudou a piorar a noite de sono.

14/09/2009

Buenos Aires - dia 6

27/agosto

17h05

Hoje fez mais calor que o verão de São Paulo! Tá bom, nem tanto, mas está muito quente. O Thomaz tomou café com tostado mixto. Muito bom o sanduíche, num pão fininho, de miga, e recheio na quantidade certa. Pegamos o ônibus 152 em direção ao Caminito - descemos na garagem da viação. Estávamos a duas quadras de nosso destino. É uma região muito pobre, abandonada e com muitos cortiços.

O Caminito é como o pelourinho: bonito, colorido, cheio de lojinhas de lembrancinhas e com muita gente abordando os turistas para comerem no restaurante X ou Y. Mais ou menos como na Calle Florida, mas sem as lojas de couro. Compramos algumas coisas e fugimos das pessoas que assediavam os turistas. Eles também cobravam para tirar fotos com dançarinos de tango e com um sósia do Maradona. Fomos à La Bombonera, mas não fizemos o tour dentro do estádio porque o chato do TO+ não gosta de futebol, apesar de alegar que torce para o Curíntia.

Partimos em direção a um restaurante muito antigo e numa região abandonada do antigo porto, El Obrero (e tem este outro link aqui). Eu pedi meia porção de rabas (anéis de lula, na foto) gigantes que foram as mais tenras e carnudas que já comi ever! (por apenas 9 reais) O Thominho foi de peixe ao molho de roquefort e batatas cozidas. Não sabíamos, mas o prato dava para dois e custa só 13 reais. Resultado: comemos pra cacete, de novo. O peixe chama algo como Boroton, Brejon, Boro-alguma-coisa, bem branquinho e de filet alto. Hum! A conta: 21,50 para cada, com 2 Quilmes de 650 ml.

Voltamos para o nosso pagamento de promessa diário (andar como uns camelos para conhecer a cidade) só que debaixo de um sol desértico! E as árvores que poderiam abrandar o calor estão todas secas, como no resto da cidade. A região do restaurante também não contribui muito para fazer do caminho um passeio prazeroso.

Queríamos visitar o Museo de Arte Moderno. Para chegar até lá, subimos uma das únicas ladeiras de Buenos Aires - e era só uma quadra de subida (ladeira para os padrões porteños, não para os paulistanos). Depois de camelar muito e passar tanto calor, foi frustrante ver que o museu estava fechado para reforma. Já estávamos em San Telmo.

Foi reconfortante ver que a linha 29 passava por lá. É uma linha de ônibus que passa por todos os lugares, de Olivos até a Boca, ziguezagueando pelo centro. Enfim, passa em Palermo e lá fomos comprar sabonetes para levar de lembrança, e para nós também. Gastamos 108 pesos em sabonete - nunca havia gastado tanto com isso! É uma lojinha tradicional, bem simples, num lugar onde tudo é descolado/chique, chamada Sabater Hermanos (na foto). Nosso dinheiro acabou e fomos para a Plaza Cortazar, tomar 1,5 litro de cerveza Quilmes e descansar. Fomos abordados por inúmeros vendedores e pedintes. A diferença em relação ao Brasil é que não entendíamos uma só frase do que diziam.

Abaixo, outras fotos do Caminito e da Plaza Cortazar



09/09/2009

Buenos Aires - dia 3

24/agosto

15h

Acordamos às 9h30 e saímos para tomar café da manhã na Av Santa Fé. O meu 'combo' custou 18 pesos (9 reais) e vinha café com leite, salada de frutas enorme, um copo de iogurte e corn flakes. Muita coisa! E muito barato.

Pegamos um ônibus para ir ao centro, mas nos desesperamos porque ele dava muitas voltas, e pensamos que tínhamos passado do ponto. Conclusão: mais 8 pesos pagos no táxi para chegar ao nosso destino, a Plaza del Congressio (foto). Caminhamos pela Avenida de Mayo, que é maravilhosa, tiramos foto com o Don Quijote e tomamos café no Tortoni, o mais antigo de Buenos Aires. Belo!

Caminhamos até a Florida, insuportavelmente cheia de gente e vendedor laçando brasileiros para comprarem cashmeires e casacos de couro. A Galería Pacífico é linda, mas como não temos paciência para andar em shopping, saímos logo.

Passamos pela Plaza San Martín, que é super grande, bonita, verde... Queríamos comer no El Mirasol, mas achamos o preço meio salgado, também porque ontem compramos muita coisa na feira de San Telmo. Ainda bem. Porque comemos a melhor empanada de Buenos Aires, no San Juanino. Pedimos um ciervo a la cazadora, veado mesmo. O Thomaz disse que nunca tinha comido veado antes... rs O prato é uma delícia! Vem com um molhinho muito gostoso com funghi. E bebemos um litro do vinho da casa, que veio em uma jarra em formato de pinguim (o pinguinzinho 'vomita' o vinho). O melhor: 20 reais para cada.

Saímos e andamos pelas ruas suntuosas da Recoleta, com lojas carésimas, hotéis luxuosos e prédios imponentes até o Cemitério da Recoleta. O lugar parece uma vila com pequenas casas, que na verdade são enormes mausoléus. Do lado direito do cemitério eles são muito grandes e imponentes, parecem capelas. Do esquerdo, menores, até mesmo abandonados. Para a nossa surpresa, Eva Perón está enterrada do lado esquerdo. Caminhamos o cemitério todo atrás do maior túmulo, pensando ser o dela. Mas não, é pequeno, revestido por granito preto e está cheio de flores e plaquinhas em bronze. Afinal, ela era a mãe dos pobres... (o túmulo é de sua família, Duarte, do interior da Argentina)

Depois, fomos ao Buenos Aires Design, que é mais bonito por fora do que dentro, mas tem algumas lojas de coisas para casa e decoração muito interessante. A mais legal é a Morph, e tem a SR.MOR também (onde compramos um porta-sacola que é uma galinha preta de cabeça pra baixo!). Na saída, tomamos umsorvete enorme no Freddo, que fica do outro lado da praça. Uma delícia! Mas da próxima vez pediremos a casquinha "más chica". Finalmente acertamos o ônibus para voltar para a casa, mas para isso tivemos que andar 1km... Acho que não acertamos tanto assim!

Na andança, eu comprei uma bota! 65 reais. Poderia ser 55, mas paguei com cartão e aqui em Buenos Aires quase todas as lojas de roupas e acessórios cobram mais barato quando se paga em cash, ou efectivo. A diferença chega a ser de 30 a 300 pesos, dependendo do valor do produto.

Voltamos, compramos um vino no mercadinho ("chino") e empanadas em uma rotisserie (que só vendem salgados, tortas e doces). Jantamos como porteños: empanada, torta e vinho. O Thomaz saiu para comprar outro vinho e voltou com uma Brahma de 1 litro! (os argentinos sabem das coisas...). Agora, ela repousa na geladeira.

08/09/2009

Buenos Aires - dia 2

23/agosto

12h

Ontem à noite fomos a um bar de jazz super gostoso, Thelonious Club, de música ao vivo. Era quase meia-noite e a fila, imensa. Pensei que não fôssemos entrar. Mas quando a banda fez uma pausa, o bar esvaziou e todo mundo que estava aguardando lotou o lugar novamente. Curioso. Quando voltamos, os jovens do hostel estavam fazendo um esquenta que durou até 3h da manhã! Se fosse eu, desistia de sair... ehehe

Hoje decidimos fazer um passeio a pé: ir de Palermo até a feira de San Telmo, pelas avenidas Santa Fé e 9 de Julio, ruas Florida e Defensa (detalhe no que está escrito no asfalto na foto). Paramos no meio do caminho para comer medialuna (croissant) e tomar café. Muy rico! Detalhe: os croissants aqui são doces, mesmo os recheados de presunto e queijo. O café é servido com água - com ou sem gás - em todos os lugares e muitos também dão um copinho de suco de laranja. Havia um homem no café que colocou uma camiseta no cachorro de estimação. Camiseta! Passamos pelo Obelisco, Calle Florida, Plaza de Mayo - Casa Rosada, e um sem fim de prédios antigos e lindos.


21h (no restaurante Cornileone)

Andamos umas 5h seguidas, a cidade é toda plana e o tempo passa rápido. Meus pés pediram socorro, minhas costas faziam questão de avisar que existiam. Enfim, cansaço total; mas valeu a pena.

Chegamos a San Telmo sem saber direito para onde estávamos indo. A feira é sensacional, com muitos artistas de rua, artesãos realmente originais, pessoas vendendo sanduíche de bife à milanesa e loucos de todos os tipos. Achamos incríveis os bonecos de um casal gordinho dançando tango, à la Botero (depois vimos os mesmo bonecos em vários lugares). Compramos um trapezista de papel marché super delicado, para pendurar no teto da sala. O restaurante em que almoçamos, Vintage Bar, era mais bonito do que bom. Mas barato.

O Mercado de San Telmo é um show à parte - assim como todo o bairro, só tem quinquilharia e coisas antigas, mas incrivelmente interessantes. Obviamente, trombamos com um monte de senhoras perfumadas. Lá também vende legumes, verduras, cosméticos, roupas, luvas, artigos em lã... Eu queria comprar tudo o que via, principalmente óculos vermelhos de todos os tipos, mas o Thomaz me desestimulou.

Tomamos um café delicioso no Havanna, que também tem doces do todos os tipos. Só de olhar engorda. É tudo lindo e gostoso nesse café. Aliás, é impressionante como em Buenos Aires tem confeitarias e padarias que vendem quase que exclusivamente doces, tortas e facturas (doces folhados e recheados). Muito doce gigante de encher os olhos. (na foto, o Mercado de San Telmo e os óculos)

Um programa no mínimo bizarro para fazer em San Telmo é visitar o Museu Penintenciário, na Humberto Primo. Que lugar macabro! Havia bonecos tipo manequins representando a polícia (quase sempre bravos) e detentos (sempre infelizes). Os bonecos mais horrorosos que já vi na vida, muito feios. Tinha representação de como eram as celas, enfermarias, boticas, armas, roupas, algemas (daquelas imensas, para pés e mãos) etc, etc.

Enfim, fomos embora. Eu, mais que o Thomaz, estava podre. Pegamos o metrô lá na 9 de Julio para voltar o hostel - parecia a locação de um Blade Runner latino. Sujo, velho, mofado e cheio. Os trens passam de 8 a 12 minutos, é um baita intervalo.

Depois de caminharmos tanto, certamente mais de cinco quilômetros, concluímos que a cidade é linda! Mas com muitos lugares sujos, do caixa eletrônico às ruelas próximas à Plaza de Mayo em direção a San Telmo. Uma pena. "Parece Europa", mas tem pobreza - como qualquer cidade latinoamericana. No balanço geral, adoramos cada quadra por onde passamos. Ao contrário do Brasil, pouquíssimos mendigos e pedintes.

Também vimos muitos cachorros andando com seus respectivos donos pelas ruas. E, pasme: um dálmata dentro do metrô. Como no Brasil, esses passeios na rua acabam deixando muito cocô na calçada.

O dia estava lindo, o passeio, maravilhoso. E nem escutamos tanto português assim. Voltamos para o hostel e eu fui tomar um ar na varanda. Vi um maluco levando o gato para passear. Juro! O gato! Na verdade, o gato estava sendo arrastado, coitado... (na foto, um mini carro parado no farol da 9 de Julio)

Jantamos no restaurante Cornileone (algo parecido com Corleone), em Palermo, próximo ao hostel - que fica numa parte mais sossegada do bairro, e não no burburinho de Palermo Soho e Palermo Hollywood. Eu pedi uma tilápia e o Thomaz foi de lomo ao molho de pimentas verdes - muito suave e delicado. Tudo muito delicioso!