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27/11/2010

Em adolescente, eu...

... escrevia coisas do coração... (nada entitulado)


"Corpo interior
alma escondida
que guarda o veneno
do cigarro e da bebida

Prato de porcelana
em lua cheia perambula.
Será alma morta
que vive de sonho?

Tudo é branco
como o doce gosto do perfume
das rosas.
Aura que nunca morre"

----

"Cárcere da solidão,
homem de dinheiro,
sonhador desiludido,
patriarca sem filhos.

Criador inesgotável,
pobre alma.
Conquistador inveterado,
pausa das decisões.

Criatura mercenária,
vivente de seu mundo,
camponês da metrópole, distante de todos.
É pai."

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"Em meio à neblina,
incessante tempestade o fere.
Todos daquele lugar lhe dão as costas,
não tem para onde fugir e
seus olhos cegam com a luz dos relâmpagos.
Fica, então, deitado sobre a grama
e sob a água que vem dos céus e o afoga.
Sente-se desmoronado.
Levanta-se humildemente e olha pra trás,
percebe quantos fantasmas
ficaram e lamenta-se. Então,
vira-se para o horizonte,
a tempestade parece não ter fim,
a força da água desvastadora
engole seu coração.
Quase não possui aquilo
que se chama amar. Sente rancor.
Caminha contra a
terrível enxurrada que o abate,
cada pingo d'água, uma lágrima.
Aguenta firmemente,
apesar das feridas e da dor. Um herói.
Quem dera fosse no pain, ninguém é.
Agora, passa pelo maior dos obstáculos
e consegue enxergar à sua frente diversos deles,
mas sabe que há de vencê-los."

Tem mais aqui e aqui.

25/11/2010

escritos nada antigos

Quando estava no 1º colegial, 1996, o professor nos deu esse texto do Dalton Trevisan. Chama "Ezequiel", e parece, segundo meu xerox, estar no livro ou coletânea Desastres do Amor.

"(...) Minha tia não o queria porque era um homem feio e além disso sem profissão. Eu fiquei gostando dele porque levava um rádio e deixava-o lá em casa por algum tempo.

Certo dia, ele apareceu com um auto e disse a meus pais que queria passear com meu irmãozinho. Meus pais deixaram. Eu fui na frente com ele, meu irmão atrás. Ele nos levou a uma rua deserta e parou a lata velha, que é como dizem para certo tipo de carro. Ele pediu a meu irmão que se deitasse porque outro homem ia passar por ali. O outro homem não gostava de criança. Com uma voz que eu não sabia se era dele ou de outro homem, perguntou qual era meu nome, Joana eu disse, quantos anos você tem, oito anos eu disse, você quer uma boneca de cachinho, quero eu disse, e ele me prometeu todas as bonecas de cachinho se eu não gritasse. Depois já estávamos de volta para casa."

Acho que meus professores da escola curtiam Dalton Trevisan, li muito - foram seis anos em colégio jesuíta. Ele não era pessoa pública, nunca foi. Meio errado, meio vampiro, arreio, mais ainda que Chico Buarque (herói da minha infância). Veja você... Não sei de quem gosto mais. Tenho um pouco (ou muito) de Dalton: talvez seja menos reclusa, mas a visão que ele tem da gente curitibana é igual à minha. Não sou de lá, mas vivi lá, né? Há pessoas que amo em Ctba, e amo de verdade; são poucas e boas.



Mais 1992, 1o-11 anos, 5ª série

Vou escrever algo nada a ver com o Dalton. Acabo de ler meus arquivos. E, apesar de ter 18 anos a menos naquela época (29-18=11) , e ter usado o nome da minha melhor amiga da época na redação, e nunca ter tido irmão de verdade (a amiga Mari era mesmo melhor melhor, e se eu a vir hoje, continua sendo), isso veio me fazer escrever, 10 anos depois, com muita vontade. Medo! Ou não?

5ª série B, Anglo, Piracicaba, 10 ou 11 anos (com [muitas e boas, mas sinceras - "lhes" e "se" e tals é por conta da 5ª série] adaptações).

Quando você vê o final, não acredita que seria tão igual ao que escreveu. Eu escrevi isso numa cartilha em 1992 (10-11 anos), sério!!!. Está no meu colo agora. E quando falo com o leitor, não tinha lido Machado de Assis ainda, digressões, muito menos podia esperar que minha mãe morreria.

"Mariana estava correndo e tropeçou no skate do irmão, caiu no chão e rasgou a calça nos joelhos. Gritou para a mãe e chorou. A mãe pegou gelo no congelador para passar no joelho da filha, consolou Mariana. Estava doendo muito. Mariana sorriu para ela e despediu-se porque a mãe iria viajar para trabalhar, e agradeceu por ajudá-la a passar a dor. A mãe de Mariana foi embora e a garota ficou com saudades.

A mãe, no carro, pensou: "Que bonito o ato de Mariana ter vindo correndo só para dizer um 'tchau'. E acabou acontecendo isso (a queda). Eu amo a minha filha".

Querido leitor, as pessoas, às vezes [com crase mesmo], se prejudicam para dizer um 'tchau' para a pessoa que gosta, isto prova que essa pessoa, como Mariana, se prejudicou para querer dizer um 'tchau' para a pessoa que ela ama, a MÃE.

MÃE: palavra pequena.

GRANDE significado."

Esse texto pode parecer um sentimentalismo barato. Mas eu tenho o caderno da sei-lá-que-série [quinta], aqui no meu colo, com esse texto escrito à mão, inclusive sobre a falta da minha mãe. Eu falava com meu interlocultor, que nunca falou comigo.

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Da série: Escritos antigos de 1989/91

Redação para o Dia das Mães (adoooro!!), maio de 1989 (7 anos)

Dia da Mamãe

Minha mãe é bonita, legal e bondosa.
Ela tem olhos castanhos, cabelos meio vermelhos, meio alta, um pouco branca e com muita sarna.
Minha mãe gosta de sopa, batatinha frita, salada de alface tomate e pipino, arroz e feijão.
Ela gosta de ficar lendo livro com a televisão ligada.
A parte da casa que ela mais gosta é o quarto.

(sic)

PS.: Cabelos "meio vermelhos"? Ela tinha cabelos vermelhaços, ferrugem, ninguém tinha dúvida de que era ruiva. "Um pouco" branca? Muito branca. Alva. "meio alta"?? Hahaha. 1,57m e meio, como ela dizia.
PS.2: Sarna??? WTF?? Sardas, como a professora Carolina, da 2ª série A, bem me corrigiu.
PS.3: pEpino.



Redação: "Meu brinquedo preferido", 1991, 4ª série A, professora Chenorik (10 anos - pensava que podia escrever diferente dos outros...)

Meu brinquedo preferido é brincar com a alegria, é passear no bosque, na praia, na floresta, em qualquer lugar, mas sempre com amor. [Obs. da profª.: Que bom!]
Meu brinquedo preferido é ter amigos, amizade, e sentir amor ao próximo.
Meu pior brinquedo é o ódio, a maldade, a raiva, tudo o que nos atinge, nos fazendo mau.
Meu brinquedo preferido é estudar e tirar boa nota na prova. [Obs. da profª.: Maravilha!! Estudar e conhecer é muito interessante].
Meu brinquedo que eu mais gostava era brincar no parquinho, de boneca, com meus primos que eu mais gosto, que eu mais amo.
Ainda eu adoro brincar, fazer tudo de bom para meus primos.
Eu não gosto de ler, só leio de vez em quando, mas sei que uma das melhores brincadeiras, uma das melhores coisas de se fazer quando está só: é ler um "livro".

Comentário da professora Cheno:
Laura, você não terá nota máxima simplesmente porque não respeitou os parágrafos (alinhamento), o que a tia Cheno alertou bastante!! Você escreve muito bem e tem ótimo coração!

(sic)

PS.: Por que não falar de brinquedo físico, né? Ah, canceriana...
Ps.2: Se a redação é brinquedo preferido, por que falar do pior brinquedo? Eu-sou-do-contra.
PS.3: Será que a catequese me influenciou tanto para me fazer uma pré-adolescente que ama tanto o próximo?
PS.4: Sentia-me tão adulta que tinha que dizer que gostaVA de brincar de boneca e com os primos?
PS.5: Minha mãe deve ter tido uma síncope ao ler que eu não gostava de ler. Fora que eu escrevo "livro" no fim. WTF aspas?
PS.6: Adorei o comentário da tia Cheno. Eu só pulava a linha para começar o parágrafo, não deixava o espaço antes do texto, o que, normalmente, naquela época, teria que fazer. O legal é que na internet não tem mais essa de espaço do parágrafo, né? É tudo JUSTIFICADO.

24/11/2010

Da série: Escritos antigos sob crítica

Adoro a ingenuidade e a credulidade da adolescência


Último parágrafo da resenha de 1998 (quando tinha 17 anos) sobre Morte e vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.

Essa peça, com quarenta e quatro anos de idade, ainda é moderna e serve de exemplo para muitos retirantes anônimos da atualidade que vivem em contato com a morte e tentam melhorar suas condições subumanas alargando ainda mais as favelas nas grandes cidades. Será que João Cabral tentou nos avisar?

PS: servem de exemplo ou são exemplo?
PS.2: "da atualidade"? Que horror, Laura.


Resenha do texto "Refém do verde", publicado na Veja em 9 de abril de 1997, de autoria de Franco Iacomini e sobre Guaraqueçaba (PR).

O meio de sobrevivência, segundo
Franco Iacomini, consiste na pesca artesanal e na produção de bananas (o autor se esquece que os bananais não são naturais da mata atlântica, portanto, estando em área de preservação, os bananais estão cada vez mais extintos na região, diminuindo os recursos econômicos da cidade). Porém, pode-se citar mais dois meios de sobrevivência: a produção de palmito, muitas vezes proibida pelo IBAMA, dependendo da idade da árvore, e a Reserva do Boticário, que emprega 20 habitantes.

(...)

O artigo foi bem abrangente, porém, superficial. O jornalista poderia ter falado mais sobre a reserva de Guaraqueçaba, além de entrar mais em detalhes sobre a extensão do município. A localização também deixou a desejar.

[Aí falo onde fica, sua extensão, quando foi fundada, coordenadas...]

Observação do professor:
Laura: Muito bem desenvolvida sua resenha, abordando o assunto inclusive com o próprio conhecimento de quem esteve no local.

Obs.: O autor do artigo da Veja (
Franco Iacomini) foi aluno do Medianeira há uma década!

PS.: Desde pequena criticando os outros...
PS.2: Tomei na cabeça, porque sei que nem sempre é possível escrever tudo o que quer no espaço exíguo dedicado a uma reportagem impressa. Viva a internet!
PS.3: Que diferença faz saber que Guaraqueçaba tem 2 mil km² de extensão? O quanto isso representa é muito mais eficiente. E a localização exata? Só critiquei porque desenhei dois mapas, do litoral paranaense e paulista e um recorte da região de Guaraqueçaba. Foi para me valorizar, óbvio.
PS.2: Nota que me deram: 9,5
PS.2: Que raio de pessoa não falaria da sua experiência pessoal em uma resenha? Tive sorte de ter conhecido Guaraqueçaba antes do professor passar esse trabalho?

17/01/2008

Em adolescente eu...

... fazia textos spleen.

"Na beira da estrada
A criança chorava
Queria que a amassem
Queria ver a paz

O sol escurece
A lua não ilumina
Criança, querida, chorando
Em busca da alma divina

Pequeno embrulho sem culpa
Vivente, ao relento e orvalho
Transpira um frio temor
E bebe o sangue da dor

As larvas se alimentam
Os bichos a devoram
Pobre criança rica
Nasceu em berço de mirra

Pacote pequeno foi roubado
Totalmente violentado
Fruto de algumas bebidas
E de dois corpos drogados
Pedra preciosa perdida."

15/01/2008

Em adolescente, eu...

... escrevia textos assim.

"O nada, na beira do lago
A lua, cheia ilumina
Criaturas, vivas almas transpiram
Os peixes, agora dormiam

Zeus, criador do mundo
Permita a nós mortais
O amor que me faz a paz
A cólera que me faz amar

Seria pedir demais?
A água, a lua e o amor?
Viventes por esse mundo
Como filhos do rancor"