Mostrando postagens com marcador comportamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador comportamento. Mostrar todas as postagens

18/09/2012

Susan Miller e os esporros da vida

Não acredito em astrologia, mas baixei o aplicativo da Susan Miller no celular. Vô dizê que o que ela fala está entre o conselho de um irmão mais velho e a bronca de um terapeuta. É meio óbvio, é o bom senso.

Mas a gente se confunde com nossas merdas cotidianas, né? Infelizmente, há quem prefira receber conselhos de um aplicativo do que levar esporro de alguém de verdade.  Espero não estar dentro desse grupo.

Pra quem quiser receber uns toques, de leves, de vez em quando -
www.astrologyzone.com

30/09/2011

Eu literalmente bati com a cara na porta. E doeu


Boa tarde para você que bateu com a cara na porta de vidro! Eeeeeeeeeee

Essa semana eu tenho me batido bastante. Os tradicionais roxos estão dominando meu corpo novamente! Aconteceram dois episódios pelos quais só uma palhaça estabanada consegue passar. Primeiro eu fechei a janela no meu dedão, que está roxo e ficou doendo durante dois dias.

Ontem eu fiz o "infazível". Tinha certeza de que a porta de vidro era "pra lá" e quis entrar por "cá". E foi inevitável: porrada na cara. Eu nunca me senti tão ridícula em toda minha vida. Além da bochecha esquerda, ainda tive a manha de bater o joelho direito. Na porta. De vidro. PUUUUTA barulho, escutaram até no décimo andar, certeza. E uma PUUUUTA dor, na cara, no joelho. Ficou uma bola vermelha no meu rosto, que, graças a uma sorte que eu ainda não sei da onde veio, não evoluiu para o roxo. Imagina só? O rosto roxo, depois verde, e amarelo... Já chega quando eu tirei meu siso e todo mundo perguntava se eu tinha passado caneta marca texto no rosto...

Eu sempre usei a expressão "dar de cara na porta". Agora, depois dessa experiência humilhante, nerver more, Lenore. É pior do que cair no meio da rua, escorregar com um monte de sacola na mão, tropeçar quando está correndo para pegar o busão... Os Trapalhões ficaram no chinelo.

27/09/2011

Ana congelada

Ana estava segura, parada na margem do lago congelado. Olhava a paisagem com um olhar doce, confortável. E alguém lhe deu a mão, como quem não quer nada. E perguntou se podia conduzi-la até ali, só até ali. Ana foi.

Mas Ana era inquieta, não conseguia seguir apenas uma direção. Enquanto alguém permanecia inerte, ou seguia seu caminho lentamente, ela passeava pelo o lago, voltava para a margem, ziguezagueava. Sua alegria contagiava e ela se deixava contagiar. Estava feliz, e, vez ou outra, voltava a dar a mão para alguém. Mas alguém quis se certificar de que Ana não iria embora com a mesma velocidade que chegara. Ana disse que não.

Uma hora ela olhou para alguém bem no fundo dos olhos e disse que não o conhecia. Não o conhecia mesmo, mas sabia que não a faria mal. Por isso, permaneceu como estava. Para onde iriam? Ela não sabia.

Um pouco adiante nessa caminhada, e já bem longe da margem segura, Ana teve maus pressentimentos. Não tinha certeza de que aquele era o caminho certo. Talvez o toque da mão não fosse tão forte quanto no início da jornada. Ou Ana simplesmente teve dúvidas quanto ao destino que alguém reservara para ela. Mas alguém dizia para Ana se tranquilizar, que não pensasse muito para onde estaria indo. Ir sem pensar seria melhor. Assim Ana fez.

De uma hora para outra, alguém finalmente sinalizou um destino. Suas mãos, trêmulas, indicavam um caminho seguro. Ana se entregou, confiava nas palavras de alguém, e no caminho que haviam traçado até ali. Era possível olhar para trás, mas impossível enxergar a margem. Talvez tivessem entrado em outro território. O cheiro do novo a entusiasmava.

Os dois correram ofegantes até a próxima parada. Foi quanto alguém relaxou a mão. Primeiro, Ana resmungou, sussurrou por ajuda. Percebeu que não havia entrado em novo território, mas que estava indo em direção ao buraco do antigo. Depois gritou, desesperada. Estava no meio do gelo, a primavera chegando, e o lago derretendo. Quando o gelo estalou e Ana se viu afundando, alguém olhou para trás e disse: "é assim mesmo, congela". Alguém deu de ombros e retornou para a margem. Ana congelou.

25/01/2011

Sai, doença, desse corpo que não te pertence

Minha avó dizia que eu tinha murbim no fiantã (traduzindo: formiga no cu, pelo menos é o que ela falava), porque eu nunca parei quieta. Em pé, de cabeça pra baixo, no chão ou trepada em algum móvel ou muro. Eu nunca estava parada. Teve até uma vez que minha tia apostou comigo que se eu ficasse um minuto quieta, ela me daria um Suflair (que era o chocolate MOR para mim). Perdi a aposta. UM MINUTO.

Então essa alma frenética e inquieta não consegue não sair de casa. Não consegue ficar quietinha no seu canto, dando descanso ao corpo. Nem quando está doente. Aí nunca sara. E hoje, assim como na infância, minhas pernas vivem roxas. Porque vivo trombando nas coisas, porque sou muito branca, porque não paro quieta, porque seiláoquê. É sério. Agora posso contar sete roxos na perna direita, um do lado do outro, e não faço ideia de como foram parar lá.

"Vai se tratar, sua louca masoquista". Tá, eu fui. Comecei com acupuntura, para dar um jeito nessa ansiedade que se liga à necessidade de não ficar parada e se transforma em alguma coisa cujos efeitos eu sinto no estômago, em forma de gastrite (a única coisa legal de estar com gastrite é repetir a endoscopia e ficar doidona de Dormonid). Mas vocês lembram que eu não consigo ficar quieta, né? Então como EU PODERIA FICAR MAIS DE UMA HORA COM UM MONTE DE AGULHA ESPETADA PELO CORPO SEM ME MEXER???? As sessões de acupuntura pareciam tortura – chinesa, com o perdão do trocadilho. E se eu mexer o braço e tiver uma agulha num lugar que eu não estou vendo e machucar? E se eu mexer o pescoço e tiver uma agulha na minha cabeça? Vai sangrar? T-O-R-T-U-R-A!

Resultado: doente ou não, eu estou flanando por aí, pipocando em algum lugar, conversando ou bebendo. Ou comprando. Ou lendo. Invariavelmente mexendo as pernas (síndrome das pernas inquietas).

Será que eu fico zerada até o carnaval? Hoje eu perdi a voz, o que será que vou perder amanhã?

PS: Horror vacui é um termo usado para definir o mal-estar em fazer apenas uma coisa. Por exemplo: só escutar música, ou só ler, ou só abrir uma janela no navegador, ou só mastigar ou só chupar cana. Sacou? Além de tudo, sofro de horror vacui.