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01/11/2011

O dia em que sonhei com Inception

Eu deitei no sofá da sala, liguei a TV e capotei. Aí eu acordei com um amigo do meu lado. "Como assim você aqui?", eu perguntei. "Pois é, você não lembra?", ele disse. "Claro que não. Eu vim dormir sozinha, como você veio parar aqui?". "Não sei", ele respondeu. E assim começou um dos sonhos mais loucos que eu já tive.

Olhei em volta e o sofá estava do lado oposto da sala. Era como se a minha casa estivesse invertida. Eu não estava entendendo nada, tentei trocar umas palavras com meu amigo para desvendar o mistério, mas o sono me rendeu. Estava com aquela sensação de quem está bêbada. E dormi de novo. "Depois eu resolvo essa com meu amigo", pensei. Aí acordei novamente. O sofá continuava no mesmo lugar (errado). "Tô sonhando de novo", pensei. Agora, meu apartamento estava no primeiro andar. Então amigos começaram a me visitar, minha casa ficou cheia. E tinha uma maluca lá fora que ficava abrindo a janela da sala – havia uma espécie de marquise onde a mina podia subir e alcançar o primeiro andar. Lá em casa tem uns janelões, dá para entrar uma manada por ela. Fiquei morrendo de medo, e a doida não parava de abrir a janela. Eu tentava travar, com um trinco, mas não adiantava. Aí ela começou a abrir a janela do meu quarto, que é o cômodo ao lado. E eu ficava da sala para o quarto, do quarto para a sala, tentando fechar o que ela abria. Não consegui. A mina pulou para dentro da minha casa, e, com ela, uma horda de pessoas que jamais vi. E eu fiquei maluca! "Ai, para de sonhar!!!". Sonhando, em meio a um pesadelo, tinha consciência do meu sonho.

Aí, de repente eu estava em uma casa (um sobrado), que era a minha casa. E havia muitas pessoas na rua, e eu queria sair, dar um rolê. Fechei a porta de vidro de correr, e caminhei em direção à varanda. Uma casa que eu nunca vi na vida real, mas era minha. Só que aquelas pessoas entraram pelo portão, e não me deixavam fechar a porta... e, mais uma vez, eu fiquei com medo. "Vão invadir minha casa!!", pensava, neurótica. E então chegaram alguns amigos que me tiraram dali.

E suspirei aliviada. "Acho que eu acordei, agora está tudo bem. Que sonho louco eu tive", comentei com eles. Era um amigo e uma amiga, e estávamos no carro dele. Literalmente fugimos do "ataque" à casa. Só que estávamos andando por uma rua que, teoricamente, era em São Paulo. Então fizemos a curva e, de uma hora para outra, passeávamos por uma estradinha ao lado de um despenhadeiro com uma vista lindíssima para o mar. "Não, não pode ser. Ainda estou sonhando. Se estamos em São Paulo, não pode ter mar", disse em voz alta. Então meu amigo soltou essa: "Se segurem porque eu vou jogar o carro no mar. E, com o tranco da queda, você acorda e fica tudo bem". Alguém aqui assistiu Inception? Exatamente igual ao filme. Jisuis!

Só que... o carro caiu no mar, não explodiu nem nada, nós não morremos e ainda saímos molhados, como se tivéssemos dado um mergulho. Então a paisagem mudou e eu estava dentro de um restaurante, uma espécie de adega, que vendia umas tapas espanholas e uns bolos caseiros. E um monte de amigos, como se fosse uma festinha.

E o sonho terminou na mesa do bar.

25/11/2010

Escritos antigos - se eu fosse atriz...

Ficção - 3/4 de mentira

Não falo que fiz papel... (de idiota. Mas eu acho engraçado o que eu direi.)

"O teatro"

Para mim é tudo prosa. (e tudo sonho)

Ia fazer uma peça de Shakespeare (me incomoda conhecer Shakespeare aos 11 anos). Peguei minha fantasia e fui ao teatro. [e tudo isso é mentira, agora é só prosa] ! Lá encontrei vários amigos, ensaiei, tirei 10 (no sonho). No ensaio, chegou a hora - fiquei com medo, pois nunca tinha apresentado em um Teatro Municipal (dê-me licença para eu gargalhar, hahahahha. O que eu queria fazer com esse diário??? Todo ano ia ao teatro para dançar ou tocar flauta, e cantei no Municipal de SP, Campinas, sob a regência de Benito Juarez...). Fiquei envergonhada, então o professor disse "Se não for vc, colocarei outro no lugar". Como assim?? "Chegou a hora?". Ninguém pode me substituir (no quê?). Ninguém. E eu entrei. (tudo isso ficção, no sonho) Entrei, disse minha fala e o tempo foi passsando, horas, e o público, gostando, aplaudindo.

Agora, acorda!

Saindo do sonho, Carmina (na vida real, no coral em que cantava, digo) é foda. E tenho a honra de ter participado do coral aqui no Municipal de SP e em Campinas tb. "Oh, oh, oh, totus floreo, iam amore virginali totus ardeo". E se você gosta de música boa, vai assistir ao vídeo aqui debaixo até o final.



Chegou a hora da última fala (do sonho):

"Ser ou não ser?"

"Você é quem decide".

Acho que eu era muito mais importante na vida real, em Carmina Burana.

19/11/2010

Meu mundo em perigo

Passar uns dias num hotelzinho meia bomba no centro para fugir e esquecer os problemas, mesmo sabendo que eles não serão esquecidos. É algo que mais ou menos 99% das pessoas gostariam de fazer. Clicar no "reiniciar", fazer o que o tempo mandar, colocar a cara ao vento livre de preconceitos, fingir ser quem não é ou ser você mesmo com o máximo de autenticidade.

Chorar, gritar, esquecer. Dormir sem hora para acordar. Confiar naquele que mal conhece, esquecer aqueles que te conhecem bem.

Meu mundo em perigo, de José Eduardo Belmonte e que estreia no dia 10 de dezembro, é um pouco isso. É o mesmo diretor de Se nada mais der certo, PUTA filmaço. O novo longa segue a mesma linha "tragédia humana". Não chega a ser superior ao anterior, mas, ainda assim, muito bom.


O enredo dá uma forçadinha, mas é tudo muito bem feito, pensado. As falas são densas, cheias de significados. A trilha se mistura aos diálogos, a película, a retratos. A concepção estética casa ao tormento das personagens, nada é muito colorido, apenas as lembranças – saturadas. É tudo muito dolorido, sofrido. As lágrimas são de desespero, um pedido de socorro.

É a história de um homem perturbado, que acaba de perder a guarda do filho e atropela e mata um sujeito. O homem, Elias, é um fotógrafo (Eucir de Souza). A vítima, pai de Fito (Milhem Cortaz), que fica inconsolável e jura vingança. As atuações são ótimas.

Meu mundo em perigo ganhou os prêmios de Melhor Filme segundo a Crítica e Melhor Ator no Festival de Brasília de 2007. Demorou, mas agora ele veio.

25/10/2010

São Paulo é um ovo

Não tenho passado dias de glória. Muito pelo contrário. Tudo está pesado, difícil, moroso. Nessas horas, como já disse antes, tento transferir minha energia para outro lugar, que não a poltrona de veludo da depressão. Tem dado, na medida do possível, certo. Hoje eu estava com uma preguiça terrível, vontade de ficar em casa debaixo das cobertas - minha casa estava gelada, apesar de lá fora o tempo estar ameno, quase quente.

Deixei a preguiça na geladeira e saí. Fui ao cinema com amigas queridas. Filme ótimo, ri muito, quase chorei. Dois irmãos, película argentina dirigida por Daniel Burman, é das melhores (acima, Antonio Gasalla e Graciela Borges em cena). Narra a difícil convivência entre um homem totalmente altruísta e sua irmã, esgoísta e manipuladora ao extremo. Eles não são mais jovens, passaram dos 60 (os dois atores nasceram em 1941). Muitas piadas, muita dor, muito amor. É isso que os une. E é bonito ver esse drama com tanta graça e delicadeza. Teve gente que não gostou, achou aqueles conflitos familiares um porre. Eu me diverti. Muito. E tínhamos presença ilustre na sala de exibição. Lázaro Ramos estava lá, sentado nas melhores cadeiras. Isso também foi motivo de risos e gracejos.

Depois, um jantar despreocupado, com várias ligações inusitadas. A amiga da amiga que conhece outra amiga... o namorado da primeira que trabalhou com um amigo meu da escola. São Paulo é um ovo, um ovo de pessoas conhecidas e adoráveis. É bom estar em uma cidade como essa quando a depressão te chama e você é mais forte do que ela para se abater.

Obrigada, São Paulo, por me cuidar tão bem. E por me cercar de pessoas tão bacanas.

Boa noite.

18/08/2010

"Possuídas pelo pecado" me possuiu


Ontem eu estava zapeando e passei pelo Canal Brasil. Passava o filme Possuídas pelo pecado, de Jean Garret (dos tempos áureos do cinema da Boca do Lixo), na sessão "Como era gostoso...". Os principais nomes do elenco eram David Cardoso e Agnaldo Rayol, este último com menos importância. Fazia um artista boêmio, que desenhava clientes de uma boate de strip tease no Rio de Janeiro. Acabou que desenhou a "secretária" de um ricaço alcoólatra, que o chamou para uma estadia em sua mansão para pintar um quadro. Coisa de mecenas mesmo...

Eu dei tanta, mas tanta risada com o filme, que não consegui desligar a TV e ir dormir. O protagonista é André, David Cardoso, com todos os músculos à mostra, motorista do ricaço, Leme (Benjamin Cattan) - um velho louco, preconceituoso, sádico, que bebe 24 horas por dia e não pode ter filho. Bem estereotipado. Ele tem duas 'secretárias', Jussara (Zilda Mayo) e Anita (Helena Ramos), que moram em sua casa, escondidas da mulher, e às custas dele, que as faz de gato e sapato. Anita bebe como uma porca e até beija o pé do patrão para dar um gole no uísque.

André é amante da mulher do ricaço, os dois planejam matá-lo para ela ficar com a fortuna do velho. A mãe dela desaprova. Roteiro clássico, sem surpresas. Acontece que a filha da empregada, Dorinha (Nicole Puzzi), vai morar na casa e se envolve com André. Engravida e ele tem a brilhante ideia de armar contra Leme: fingir que o filho é fruto de uma noite romântica com a menina depois de uma bebedeira. O ricaço cai na armadilha, pede "desquite" (assim mesmo, como nos velhos tempos) da mulher e começa a planejar o futuro de pai. Larga a bebida.

O melhor não é o roteiro, óbvio, mas as falas, caras e bocas e o jogo de câmeras. Tem uns momentos em que rolam uns cortes secos, e super closes, que lembram filmes de terror - e até um pouco da loucura de Godard e Antonioni. Tem muita nudez, cenas de strip, gordurinhas mais do que salientes para os padrões atuais, sexo, álcool, violência psicológica... só coisa imoral. E um monte de cenas bizarras, provocantes, apavorantes, diálogos desprezíveis e a fenomenal dublagem característica da época. Tudo errado. Mas muito bom. Tem uma cena em que Leme fica torturando Anita com uma garrafa de uísque, e a joga dentro de um chiqueiro. Sim, porcos. Inacreditável. Ela bebe a garrafa inteira num gole só, e a imagem dela pisca com a da cara do porco. Inesquecível. Sabe que eu acho que realmente existem pessoas assim, talvez um pouco menos estereotipadas, mas completamente submissas ou tiranas ou ambiciosas ou fúteis.

No final, o filme dá uma guinada meio séria, diferente do começo irônico e torpe. Fiquei sem saber por que. Não entendi também o nome do longa, o que pode ter sido explicado no começo - que perdi.

*Foto do estranhoencontro.blogspot.com

23/11/2008

Belo por ser simples

Ontem eu fui assistir Linha de Passe. Há tempos eu queria ver e só ontem consegui. É um filme que não tem clímax. Porém, é controlado, contido, equilibrado. Os personagens são gente comum, com defeitos comuns e sonhos pequenos. É bonito de ver porque lembra aquelas pessoas boas que você tromba na rua e nem sabe o quão lutadoras são. Pessoas para quem 50 reais faz a diferença. E, talvez, 10 reais faça diferença (ao contrário do que disse o novo namorado da Piovani, que jamais faria confusão em um restaurante por 10 reais. Eu faria.).

É um garoto atrás da identidade do pai; outro, motoboy, com filho e a fim de dinheiro fácil; um que era completamente do gueto, mas resolveu se entregar a Jesus; tem um garoto que sonhava em ser jogador de futebol, porém, um pouco velho para a profissão, e, por fim, a mãe, uma emprega doméstica grávida, que fuma e bebe e tem uma patroa gente fina.

Não tem apelo nem putaria. É belo por ser simples.

29/02/2008

Rata-errado

Na última quarta-feira, passei numa Blockbuster que tinha uma banca com váááááários DVDs a venda, por 9,90 e outros preços com 90 centavos no final. Um, em especial, chamou atenção. Ratatoing. Achei estranho, fiquei meio incomodada. Parecia que tinha alguma coisa me apertando em algum lugar, mas não descobria o quê. Era o nome do filme, faltava alguma coisa. Gostei tanto do Ratatou... Ratatouille!!!!! Que pilantras! Um desenho falseta! Safados!!!!!!

Dei uma busca para pegar a imagem da capa e descobri mais uma pilantragem. Tem um filme chamado Os Carrinhos, da mesma produtora. Coincidência ou cópia de Carros? (que também é da Pixar e igualmente ótimo ao filme do chef ratinho). Na verdade, uma jogada espertalhona da produtora Vídeo Brinquedo, de São Paulo. E parece que vendem suuuuper bem!!


Li na Folha, que Os Carrinhos, de apenas "45 minutos tornou-se tão popular que vendeu 310 mil cópias e já ganhou duas seqüências - a terceira está a caminho. É vendido até para o exterior, pela Amazon.com, como The Little Cars". A reportagem diz, ainda, que a produtora lança os DVDs logo que os filmes originais são lançados no cinema. Entre Ratatouille estrear na telona e chegar às prateleiras, Ratatoing vendeu 60 mil cópias. Jesusmariajosé!!!

31/01/2008

paranoid park

Ontem assisti Paranoid Park, do Gus Van Sant. Li muitas coisas boas sobre o filme, o que eu não gosto muito de fazer antes de ir ao cinema - porque acaba com a magia da surpresa. O que mais me interessou, no entanto, foi saber que ele era um Crime e Castigo juvenil. E como Dostoiévski é um dos meus preferidos, e este livro é o que mais me causou pesadelos à noite, então fui, feliz e contente.

Na verdade, o filme não é 100% bom, 100% intenso ou 100% chocante, mas é sensacional por algumas passagens em que o som não casa com a atuação, que não casa com a velocidade da imagem, que não casa com a luz... Isso deixa as cenas tão angustiantes e desesperadoras quanto engraçadas. Muito bom. Valeu o ingresso.