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06/08/2010

Argentina - Balanço Geral: QUERO VOLTAR!!


Amamos Buenos Aires!! É uma cidade na qual moraríamos facilmente: as pessoas são simpáticas, tem garrafa de cerveja de 1 litro, os vinhos são baratos, o transporte público é supereficiente, a cidade é linda, plana, e passa Chavo del 8 en español! (foto da Embaixada do Brasil)

Mendoza também é muito agradável, mas más chica - e tem siesta das 13h às 16h30 - ou seja, nesse horário, o comércio fecha. Em compensação, fica aberto até perto das 21h. Há inúmeras bodegas para conhecer e há um pouco de vida noturna - restaurante e boliches (bares). A cidade é cheia de praças e de árvores pelas ruas. Como Buenos Aires, é plana, o que facilita o deslocamento a pé, de bike ou motorizado. Só o táxi demora um pouco para chegar quando chamado. Além disso, os Andes estão bem próximos - dá para esquiar num dia, visitar o Parque do Aconcágua no outro...

Colonia, no Uruguai, a 1h de Buquebus (balsa gigante) de Buenos Aires, é superbonitinha. Uma cidade pequenina e com um centro histórico muito bonito. O porto é uma delícia! Só que, por ser a porta de entrada do Uruguai para quem vem da Argentina, é totalmente turística. As lojas colocam preço em dólar, há pessoas na rua te enchendo o saco para comer neste ou naquele restaurante, ou fazer este ou aquele passeio. Por isso, é mais caro comer lá do que em BsAs (comer, vestir, beber etc).

Montevideu parou no tempo. Ostenta glórias do passado em um presente decadente. Achamos que as pessoas de lá eram menos "felizes" que na Argentina. Não são mal-educadas, mas são mais sisudas. A cidade é bonita, mas com bairros esquecidos - mesmo os mais centrais. O Mercado del Puerto é um ótimo lugar para comer, mas seu entorno é sujo, ermo, abandonado (a gente sabe porque foi a pé para lá). A praia de Pocitos é uma delícia, tem calçadão e muito movimento (foto do bairro de Pocitos). Parece o Rio! Aqui, o transporte também funciona. E, se você for corajoso, tem até uma montanha russa quebradeira para enfrentar...

30/09/2009

Montevideo/Buenos Aires - dia 10

31/agosto

6h30

A noite foi trágica: televisão alta, porta batendo, teclado do computador (segundo o TO+, que tem ouvido de leproso), uma tuberculosa e uma brasileira querendo fazer amigos. Quando tudo isso se aquietava, uma turma de desocupados inha e vinha na rua, berrando. Ou o Thominho roncava. Dormimos picas. Acho que estamos ficando velhos para hostel. Ainda bem que já reservamos o Ibis em Mendoza! Antes de dormir, assistimos "Siñor M", que sacava pollitos de seus baus magicos!!! hahaha

Estamos no Terminal Tres Cruces de ônibus, esperando a conexão para Colonia, onde pegaremos o buquebus. O dinheiro que nos restou deu apenas para um café expresso. Pobreza ao extremo (foto). Agora, tentaremos tirar dinheiro no puto do Itaú de Buenos Aires e, também, em algum conveniado ao Bradesco, pela rede Plus.

14h10
A viagem foi ótima, dormi quase o tempo todo. O TO+, não. Esfriou muito e, no porto de Colonia, ventava como há muito não sentia - ventava canivete, cortava a alma. O buque sacolejou um pouco, bem na hora que eu estava tentando fazer xixi. Em Buenos Aires está mais calorzinho, mas ainda muito mais frio que na semana passada.

Deixamos a bagagem na rodoviária (32 pesos, no total) e fomos para o Itaú. Eles nos atenderam bem, mas o cartão de débito do Thomaz não é internacional e não podemos sacar aqui, de jeito nenhum. "É outro sistema", disse a gerente. Pior, ela disse também que centenas de brasileiros como a gente se ferraram por causa disso: foram lá e ficaram sem dinheiro. Por que raios não enviaram outro cartão para o Thomaz antes da viagem, uma vez que ele avisou que iria para o exterior? Serviço de porco.

Ficamos super preocupados e decidimos ir ao escritório do Bradesco para ver o que acontecia, já que não estávamos conseguindo sacar - tentamos em alguns bancos. O atendimento foi fantástico, a mulher, super atenciosa, ligou para o Brasil duas vezes e conseguimos resolver nosso problema (na foto, TO+ conversando com a gerente em SP). Só não sabemos se o problema já estava resolvido porque, achamos, não tentamos sacar na rede Banelco. No Brasil, não avisaram que o saque só pode ser feito em caixas atrelados a esse tal de Banelco. Aliás, falaram que era possível sacar no Bradesco daqui. E aqui nem tem Bradesco. Mas pelo menos deu certo. Ufa!

Agora, estamos em um cantina italiana modernosa no Retiro chamada Filo. O TO+ está sentado atrás de uma bunda (!) - de uma boneca de manequim sexy. A garçonete é muito simpática. Aqui, e em outros restos de Buenos Aires, as pessoas comem pizza no almoço! Pode ser com massa fina, grossa, redonda, quadrada...

19h

O almoço foi muito gostoso. A salada al brie que comi estava muito boa, com salmão defumado, camarõezinhos e nozes. O espagueti a la sorrentine do Thomaz devia estar bom também, porque eu nem consegui experimentar (hehe). Saí de lá bebinha depois de meia garrafa de vinho San Telmo.

Demos aquela caminhada básica, para não perder o costume, atrás de cinemas no centro. No primeiro estava passando Coco antes de Chanel, que já assistimos, e outro filme argentino, que deve ser bom, mas como não tem legenda, fiquei receosa - e se eu não entender direito? O segundo cinema não existe, é uma casa de espetáculo de tango, na 9 de Julio. A terceira, Atlas Lavalle, tem um monte de salas e vários filmes para escolher. Aliás, na mesma rua Lavalle, na mesma quadra, tem outro cinema com outras cinco ou seis salas. Só que não podíamos escolher muito por causa do horário do ônibus para Mendoza.

Fomos ao Atlas. Queria ver Se Beber Não Case (O que será de amanhã?, em espanhol), mas era muito tarde. Então, ficamos entre uma comédia romântica americana (La Cruda Verdad) e o trash americano Arraste-me para o Inferno, de Sam Raimi. Escolhemos o segundo. O cinema é incrível, super grande e íngreme. A tela é enorme!! Mas o som deixa a desejar. O filme também. Mas é engraçado e dá susto, como um bom filme de terror. Num certo ponto, cai no escracho. Ótimo para não pensar em nada. E "descansar", porque precisamos.

Agora estamos sentados no café Tribunales, ao lado do Palacio da Justicia, tomando um vinho de mesa random/genérico, chamado Bianchi. Foi sugestão do garçom entre os quatro (miséria!) que tinha o menu. Aliás, foi o primeiro garçom que não serviu o vinho adequadamente desde que pisamos aqui. O bom é que estamos do lado do ponto de ônibus e vimos que a linha que precisamos pegar passa toda hora. E a 29 (nosso pai) também!




23/09/2009

Montevideo - dia 9

10h10

Depois do jantar fomos ao bar Fun-Fun, que fica pertinho do hostel. Lá, dois músicos tocam tango e tem uma bebida típica, a uvita. Mas o velho do Thomaz não quis ficar. E, como o dinheiro está contado, não valia a pena pagar couvert, cubierto etc para ficar 20 minutos. Volvemos.

No hostel, na hora de dormir, descobrimos que uma forte corrente de vento faz a porta do quarto bater loucamente, mesmo estando trancada. Parece que alguém, do lado de fora, socava a porta. Bizarro. Ficamos sem dormir até o TO+ levantar e descobrir que as portas do corredor, que dão para áreas comuns, tinham que ficar fechadas. E ele as fechou, putamente. Agora sim!

Agora, estamos num café para o desayuno, que serve um café com gosto de terra, segundo o TO+ (o problema foi que ele pediu café "natural" e não "cortado"). Depois, vamos a uma feira típica de domingo, na rua Tristán Narvaja e cercanias. (na foto, a feira)


20h02

A feira é totalmente freak: "tem de tudo, é um mistério". Juro, tem coelho, aranha, tartaruga, peixe, comida viva de peixe, faisão, pavão, cachorro, frutas, legumes, verduras, massas, queijos, pães, roupas, antiguidades, móveis, brechós, quinquilharias velhas, livros, galinhas, pássaros, plantas, algas, cereais, temperos, apetrechos de cozinha, livros velhos, empanadas, sapatos e roupas de couro (novos e usados) e tudo o que você acha que deveria estar no lixo, mas alguém acha que não e quer vender (celular velho, secador de cabelo velho, bota furada, prego usado, parafuso, brinquedo sujo, ralador de pimenta, chinelo de quarto velho, roupas amarrotadas e um sem fim de coisas!). Dá agonia! Mas é muito divertido. E cheio.

Voltamos para o hostel e fomos a pé até o Mercado del Puerto. É bem perto de onde estamos hospedados, por isso, achamos que não haveria problema ir caminhando. A recepcionista do hostel havia alertado na noite anterior que o lugar não era uma região muito bonita, mas arriscamos. Arriscamos mesmo, ainda mais porque o Thomaz decidia mudar o caminho toda hora para ver coisa nova. Acontece que, além de abandonada e erma, a região é cheia de casas caindo aos pedaços - e que, por incrível que pareça, abrigam pessoas.

Enfim, ficamos cerca de meia hora andando de um lado para outro, numa área amedrontadora. Não nos sentimos ameaçados, mas também não estávamos seguros. Segundo o TO+, aquela área era perfeita para uma emboscada.

Fomos ao Buquebus para comprar a passagem de volta para Buenos Aires e o cartão de crédito do TO+ não passou. Será que acabou o crédito? Será que não passou porque não passou? Será que estamos azarados mesmo? Paguei com o meu e fomos almoçar.

O Mercado del Puerto é muito legal, só tem restaurante. Uns mais chiques, outros mais simples, mas todos servem parrillada: carnes mil, miúdos, linguiças, legumes, peixes e frutos do mar assados na brasa. E até os mais simples têm taça de vinho na mesa. Como o estômago do Thomaz não está muito bom, escolhemos abadejo com saladinha. Para variar, muita comida: dois filés de peixe grandes, legumes e mais a salada que era para quatro, e não para dois, como disse o garçom. Saímos de lá felizes, bem alimentados, mas sem ter comido um boi inteiro - como era o costume nos dias anteriores.

Pegamos a linha 116 de ônibus e fomos para o Parque Rodo. Aqui, escolhe-se se a passagem vale 1h (16 pesos) ou 2h (21 pesos) e paga-se o valor correspondente ao cobrador. Chegamos ao parque e tinha outra feira, esta praticamente só de roupas. Fugimos dela e entramos no parque. Íamos andar de pedalinho no lago (que estava quase congestionado), mas desistimos porque as embarcaçõezinhas eram velhas demais e achamos que estavam quase afundando.

Do outro lado do parque tem um parquinho de diversões, em que você paga 29 pesos por brinquedo. Fomos à montanha russa, mesmo que parecesse aquelas do litoral sul de São Paulo, quase assassinas. Foi exciting, mas uma menina sentou no banco da frente (o carrinho era para quatro pessoas) e atrapalhou o videozinho do TO+.




Como a playa de Pocitos era logo ali, fomos a pé. No mapa, as coisas parecem longe, mas é tudo bem pertinho. Acho que as quadras de Montevideo son chicas. Os bairros do parque até a praia são bem bonitos, com prédios baixos e muitas árvores. Perto da praia, os edifícios lembram os da orla carioca. O calçadão parece Ipanema! Lotado!! Saímos de lá umas 17h30 e já estava muito mais cheio do que quando chegamos, umas duas horas antes. Deitei em um banco, no colo do TO+, e curti aquele vento delicioso, depois do calor escaldante que fez durante o dia. Até sonhei! Mas estávamos muito cansados e resolvemos voltar para o hostel em vez de ficar para ver a praia à noite. É engraçado porque as pessoas sentam no chão do calçadão, para conversar, tomar cerveja e outras coisas, como fumar um baseado.

Eu e o Thomaz nos impressionamos com a frequência com que vimos as pessoas tomando chimarrão - de novo. Inclusive em lugares proibidos, como dentro do ônibus. Na rodoviária também não pode. E nos restaurantes também. É um vício nacional maldito. Um aviso dentro do ônibus dizia que a água quente pode queimar quem está tomando e os demais passageiros. Tá certo! Em um cruzamento, três grupos de candidatos rivais, com bandeiras e folders. Acho que a eleição está próxima.

Pegamos o 116 de novo e voltamos para o hostel. Aqui, é a nossa mãe adotiva (a linha 116). Eu dormi e o TO+ assistiu a três episódios dos Simpsons na tevê. Em espanhol, obviamente. O outro canal está desde ontem passando uma espécie de Criança Esperança, mas mais mala porque nunca acaba. Queríamos fazer a reserva no hotel em que ficaremos em Mendoza, mas tem um velhinho que mora no hostel e não sai do computador! Ele fica vendo imagens de satélite e informações de ventos, correntes e cartas náuticas. Mardito!

Fomos jantar no Don Peperone, um restaurante de cadeia modernete de Montevideo. Queríamos experimentar o famoso chivito uruguaio, uma mistura de ovo, carne, queijo, presunto, pão e batata frita. Mas o nosso era mais fino e vinha com uma saladinha. A garçonete disse que o prato era para um, mas duvidamos porque havíamos visto o prato em outros lugares e era sempre imenso. É é. Gigante. Só a carne é pouca para duas pessoas, e não tem tanto presunto e queijo como no tradicional (ainda bem). Mas vem com um montão de batata, batatonese e salada de alface, tomate e cenoura. Comemos bem e ainda pedimos a sobremesa da casa que é fenomenal! Uma torre de delícias: biscoito, doce de leite e uma espécie de mousse de chocolate congelados, chantilly e calda. Hum!


30/agosto

19/09/2009

Buenos Aires - dia 8

29/agosto

14h20

Fodeu! Fo-o-o-o-deu!! Primeiro o Sebastian (dono do hostel) se atrasou para nos buscar porque não encontrava o documento do Thomaz que deixamos em troca das chaves do quarto e da casa. Resultado: chegamos em cima da hora para comprar as passagens para o Buquebus, que nos levaria a Colonia, no Uruguay. A 20 minutos do embarque, só conseguimos passagens de primeira classe para o Buque das 8h30 cuja travessia demora 1h. Uma diferença de 25 reais (na foto, eu, morrendo de frio com o ar condicionado da 1ª classe...). Se fossemos no próximo, às 9h30, e que demora 3h, chegaríamos às 12h30 - muito tarde para conhecer Colonia del Sacramento. No meio da correria, e justo quando fui pagar a passagem de 1ª classe, descobri que enfiei meu cartão do Santander (com o qual eu sacava dinheiro) no meio do cu. Bem lá no fundo. Perdi e me fodi.

Agora, teremos que gastar o pouco que nos resta em cash e em cartão de crédito - o que é a coisa mais difícil na Argentina e Uruguai. Aqui, a taxa das operadoras de cartão é cara e, além do valor ser mais caro em cartão em relação a dinheiro vivo, ainda há pagamento mínimo. Ou seja: 10 reais no cartão de crédito, jamais. Pior: temos 600 pesos argentinos e ainda falta uma semana para a viagem chegar ao fim; para pagar alguns dias de hospedagem, alimentação, táxi e ônibus. Fodeu completamente! (na foto: "Alô, perdi meu cartão e estou em viagem internacional. Preciso cancelá-lo.")

Passeamos por Colonia, uma cidadezinha graciosa, sem muita coisa para fazer, o que é bom. Depois do estresse que passamos pela manhã, além de não ter dormido direito, é bom poder fazer nada, descansar. As coisas aqui não são baratas como na Argentina, apesar da desvalorização do peso uruguaio - 1 para 0,08 real. E com temos pouco dinheiro, e também não podemos exagerar nos gastos com cartão de crédito, então o melhor a fazer é descansar.


Colonia tem muitas lojinhas e me incomodou muito o fato da maioria (ao menos na parte histórica da cidade) apresentar o preço dos produtos em dólar - o que mostrava que aquelas lojas só vendiam para turista, e eu não queria ser mais um comprador de souvenir inútil. Ficamos uns 30 minutos apreciando a paisagem de um pier, com sol forte e vento mais forte ainda (foto). Muito bom! Confesso que, nessa hora, dormi, deitada no banco e no colo do Thomi. Ah, aqui, dia 29 também é dia do nhoque da sorte, mas preferimos ficar no peixinho.

O tempo passou... Se o Thomaz não conseguir tirar dinheiro do Itaú na segunda-feira, quando estaremos de volta a Buenos Aires, iremos apelar para o saque no cartão de crédito, que cobra taxas fenomenais! (na foto, estou tentando me esconder do sol ardido)






22h20

Voltamos à rodoviária de Colonia (na foto, os dois, morrendo de calor) e a atendente tinha errado o horário da passagem. Fui reclamar, pensando que seria inútil, mas me surpreendi: eles trocaram a passagem sem duvidar. Aqui no Brasil seria a maior burocra... O ônibus tinha ar condicionado e poltrona que deitava até uma posição bem confortável. Eu dormi praticamente a viagem toda! A não ser pelas vezes que fui acordada pelos berros de umas crianças uruguaias pentelhas. O Thomi ficou acordado a viagem toda e fez alguns filminhos. A estrada é totalmente plana!

Chegamos ao terminal Tres Cruzes e corri para o telefone: se o hostel no qual reservamos o quarto não aceitasse tarjeta de credito, teríamos que ir para outro. Alívio: aceita!!! O hostel fica em frente ao Teatro Solis e ao lado da Plaza Independencia. Suuuper no centro. Caminhamos pela 18 de Julio, uma avenida central, e vimos trocentos uruguaios carregando uma garrafa térmica debaixo do braço e uma cuia pequena de chimarrão na mão. Mesmo nesse puta calor. Passamos por uma praça que havia um baile de velhinhos ao som de música típica. Muy bonito!

Ah, e nossa cama é dura! Muito boa (na foto, a felicidade de estar sobre uma cama que não forma "U")! Estamos jantando num restobar ao lado do hostel e está tocando Jorge Aragão!! E o Thomaz pediu nhoque na sorte, quem sabe a nossa sorte muda... Porque ontem foi foda!