Não acredito em astrologia, mas baixei o aplicativo da Susan Miller no celular. Vô dizê que o que
ela fala está entre o conselho de um irmão mais velho e a bronca de um terapeuta. É meio óbvio, é
o bom senso.
Mas a gente se confunde com nossas merdas cotidianas, né? Infelizmente, há quem prefira receber conselhos de um aplicativo do que levar esporro de alguém de verdade. Espero não estar dentro desse grupo.
Pra quem quiser receber uns toques, de leves, de vez em quando -
www.astrologyzone.com
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18/09/2012
31/08/2012
A irracionalidade do ser racional
Tem coisas que você realmente gostaria que dessem certo, mas não dão. Apesar de tentar, se dedicar, correr atrás, não
gruda. Não dá cola. Não engrena. No trabalho, na amizade, nos planos para o futuro, nas relações amorosas...
E quero falar sobre estas últimas. A gente passa a vida inteira procurando alguém que realmente se preocupe com a gente e, quando encontra uma pessoa de coração e alma abertos, ela não toca nosso coração. Não o faz balançar, tremer e eriçar nossos pelos. E a gente tem que dizer tchau a oportunidades únicas.
Por que será que, racionalmente, procuramos alguém que goste cegamente da gente, se, na prática, estimulamos nossa irracionalidade atrás de pessoas que, invariavelmente, nos machucarão? A gente gosta de viver em frangalhos?
Papo trash esse de pensar que, de repente, estou (ou estamos?) fazendo tudo errado. Pessoa tão emocionalmente independepente também pode perder a cabeça por alguém, não é mesmo? E os inseguros poderão se sentir maduros em relações fortes e duradouras. É certo. Mas será que a sensação de estar com alguém não se confunde com a posse, e isso é o que realmente permeia a maioria das relações? Uátemsomdiú? Setembrochove?
Muitas dúvidas nesse dia. E hoje tem Blue Moon. E em dezembro o mundo vai acabar. Será?
"João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém"
E quero falar sobre estas últimas. A gente passa a vida inteira procurando alguém que realmente se preocupe com a gente e, quando encontra uma pessoa de coração e alma abertos, ela não toca nosso coração. Não o faz balançar, tremer e eriçar nossos pelos. E a gente tem que dizer tchau a oportunidades únicas.
Por que será que, racionalmente, procuramos alguém que goste cegamente da gente, se, na prática, estimulamos nossa irracionalidade atrás de pessoas que, invariavelmente, nos machucarão? A gente gosta de viver em frangalhos?
Papo trash esse de pensar que, de repente, estou (ou estamos?) fazendo tudo errado. Pessoa tão emocionalmente independepente também pode perder a cabeça por alguém, não é mesmo? E os inseguros poderão se sentir maduros em relações fortes e duradouras. É certo. Mas será que a sensação de estar com alguém não se confunde com a posse, e isso é o que realmente permeia a maioria das relações? Uátemsomdiú? Setembrochove?
Muitas dúvidas nesse dia. E hoje tem Blue Moon. E em dezembro o mundo vai acabar. Será?
"João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém"
27/09/2011
Ana congelada
Ana estava segura, parada na margem do lago congelado. Olhava a paisagem com um olhar doce, confortável. E alguém lhe deu a mão, como quem não quer nada. E perguntou se podia conduzi-la até ali, só até ali. Ana foi.Mas Ana era inquieta, não conseguia seguir apenas uma direção. Enquanto alguém permanecia inerte, ou seguia seu caminho lentamente, ela passeava pelo o lago, voltava para a margem, ziguezagueava. Sua alegria contagiava e ela se deixava contagiar. Estava feliz, e, vez ou outra, voltava a dar a mão para alguém. Mas alguém quis se certificar de que Ana não iria embora com a mesma velocidade que chegara. Ana disse que não.
Uma hora ela olhou para alguém bem no fundo dos olhos e disse que não o conhecia. Não o conhecia mesmo, mas sabia que não a faria mal. Por isso, permaneceu como estava. Para onde iriam? Ela não sabia.
Um pouco adiante nessa caminhada, e já bem longe da margem segura, Ana teve maus pressentimentos. Não tinha certeza de que aquele era o caminho certo. Talvez o toque da mão não fosse tão forte quanto no início da jornada. Ou Ana simplesmente teve dúvidas quanto ao destino que alguém reservara para ela. Mas alguém dizia para Ana se tranquilizar, que não pensasse muito para onde estaria indo. Ir sem pensar seria melhor. Assim Ana fez.
De uma hora para outra, alguém finalmente sinalizou um destino. Suas mãos, trêmulas, indicavam um caminho seguro. Ana se entregou, confiava nas palavras de alguém, e no caminho que haviam traçado até ali. Era possível olhar para trás, mas impossível enxergar a margem. Talvez tivessem entrado em outro território. O cheiro do novo a entusiasmava.
Os dois correram ofegantes até a próxima parada. Foi quanto alguém relaxou a mão. Primeiro, Ana resmungou, sussurrou por ajuda. Percebeu que não havia entrado em novo território, mas que estava indo em direção ao buraco do antigo. Depois gritou, desesperada. Estava no meio do gelo, a primavera chegando, e o lago derretendo. Quando o gelo estalou e Ana se viu afundando, alguém olhou para trás e disse: "é assim mesmo, congela". Alguém deu de ombros e retornou para a margem. Ana congelou.
04/12/2010
Das coisas boas e ruins da infância
Ela brincava no parquinho. Sem perceber, estava sendo seguida.
Tinha no bolso uma bala, um elástico de cabelo e algum trocado para o picolé.
As mãos estavam machucadas por causa do trepa-trepa. Partiu para o escorregador.
Subiu as escadas e sentou-se no escorrega. Escorregou.
Sentiu o vento em suas bochechas vermelhas de sol, e não quis nunca chegar ao chão.
Ouviu uma buzina. “Sorvete de groselha!”
Saiu correndo do poço de areia. E rumou para o sorveteiro.
Refrescou-se. E sentou-se no banquinho.
No horizonte, o sol estava laranja, como era típico das tardes de verão.
Colocou o palito do sorvete entre seus olhos e o sol. Viu um adulto cortado ao meio.
Tinha no bolso uma bala, um elástico de cabelo e algum trocado para o picolé.
As mãos estavam machucadas por causa do trepa-trepa. Partiu para o escorregador.
Subiu as escadas e sentou-se no escorrega. Escorregou.
Sentiu o vento em suas bochechas vermelhas de sol, e não quis nunca chegar ao chão.
Ouviu uma buzina. “Sorvete de groselha!”
Saiu correndo do poço de areia. E rumou para o sorveteiro.
Refrescou-se. E sentou-se no banquinho.
No horizonte, o sol estava laranja, como era típico das tardes de verão.
Colocou o palito do sorvete entre seus olhos e o sol. Viu um adulto cortado ao meio.
27/11/2010
Em adolescente, eu...
... escrevia coisas do coração... (nada entitulado)
"Corpo interior
alma escondida
que guarda o veneno
do cigarro e da bebida
Prato de porcelana
em lua cheia perambula.
Será alma morta
que vive de sonho?
Tudo é branco
como o doce gosto do perfume
das rosas.
Aura que nunca morre"
----
"Cárcere da solidão,
homem de dinheiro,
sonhador desiludido,
patriarca sem filhos.
Criador inesgotável,
pobre alma.
Conquistador inveterado,
pausa das decisões.
Criatura mercenária,
vivente de seu mundo,
camponês da metrópole, distante de todos.
É pai."
----
"Em meio à neblina,
incessante tempestade o fere.
Todos daquele lugar lhe dão as costas,
não tem para onde fugir e
seus olhos cegam com a luz dos relâmpagos.
Fica, então, deitado sobre a grama
e sob a água que vem dos céus e o afoga.
Sente-se desmoronado.
Levanta-se humildemente e olha pra trás,
percebe quantos fantasmas
ficaram e lamenta-se. Então,
vira-se para o horizonte,
a tempestade parece não ter fim,
a força da água desvastadora
engole seu coração.
Quase não possui aquilo
que se chama amar. Sente rancor.
Caminha contra a
terrível enxurrada que o abate,
cada pingo d'água, uma lágrima.
Aguenta firmemente,
apesar das feridas e da dor. Um herói.
Quem dera fosse no pain, ninguém é.
Agora, passa pelo maior dos obstáculos
e consegue enxergar à sua frente diversos deles,
mas sabe que há de vencê-los."
Tem mais aqui e aqui.
"Corpo interior
alma escondida
que guarda o veneno
do cigarro e da bebida
Prato de porcelana
em lua cheia perambula.
Será alma morta
que vive de sonho?
Tudo é branco
como o doce gosto do perfume
das rosas.
Aura que nunca morre"
----
"Cárcere da solidão,
homem de dinheiro,
sonhador desiludido,
patriarca sem filhos.
Criador inesgotável,
pobre alma.
Conquistador inveterado,
pausa das decisões.
Criatura mercenária,
vivente de seu mundo,
camponês da metrópole, distante de todos.
É pai."
----
"Em meio à neblina,
incessante tempestade o fere.
Todos daquele lugar lhe dão as costas,
não tem para onde fugir e
seus olhos cegam com a luz dos relâmpagos.
Fica, então, deitado sobre a grama
e sob a água que vem dos céus e o afoga.
Sente-se desmoronado.
Levanta-se humildemente e olha pra trás,
percebe quantos fantasmas
ficaram e lamenta-se. Então,
vira-se para o horizonte,
a tempestade parece não ter fim,
a força da água desvastadora
engole seu coração.
Quase não possui aquilo
que se chama amar. Sente rancor.
Caminha contra a
terrível enxurrada que o abate,
cada pingo d'água, uma lágrima.
Aguenta firmemente,
apesar das feridas e da dor. Um herói.
Quem dera fosse no pain, ninguém é.
Agora, passa pelo maior dos obstáculos
e consegue enxergar à sua frente diversos deles,
mas sabe que há de vencê-los."
Tem mais aqui e aqui.
25/11/2010
escritos nada antigos
Quando estava no 1º colegial, 1996, o professor nos deu esse texto do Dalton Trevisan. Chama "Ezequiel", e parece, segundo meu xerox, estar no livro ou coletânea Desastres do Amor.
"(...) Minha tia não o queria porque era um homem feio e além disso sem profissão. Eu fiquei gostando dele porque levava um rádio e deixava-o lá em casa por algum tempo.
Certo dia, ele apareceu com um auto e disse a meus pais que queria passear com meu irmãozinho. Meus pais deixaram. Eu fui na frente com ele, meu irmão atrás. Ele nos levou a uma rua deserta e parou a lata velha, que é como dizem para certo tipo de carro. Ele pediu a meu irmão que se deitasse porque outro homem ia passar por ali. O outro homem não gostava de criança. Com uma voz que eu não sabia se era dele ou de outro homem, perguntou qual era meu nome, Joana eu disse, quantos anos você tem, oito anos eu disse, você quer uma boneca de cachinho, quero eu disse, e ele me prometeu todas as bonecas de cachinho se eu não gritasse. Depois já estávamos de volta para casa."
Acho que meus professores da escola curtiam Dalton Trevisan, li muito - foram seis anos em colégio jesuíta. Ele não era pessoa pública, nunca foi. Meio errado, meio vampiro, arreio, mais ainda que Chico Buarque (herói da minha infância). Veja você... Não sei de quem gosto mais. Tenho um pouco (ou muito) de Dalton: talvez seja menos reclusa, mas a visão que ele tem da gente curitibana é igual à minha. Não sou de lá, mas vivi lá, né? Há pessoas que amo em Ctba, e amo de verdade; são poucas e boas.
Mais 1992, 1o-11 anos, 5ª série
Vou escrever algo nada a ver com o Dalton. Acabo de ler meus arquivos. E, apesar de ter 18 anos a menos naquela época (29-18=11) , e ter usado o nome da minha melhor amiga da época na redação, e nunca ter tido irmão de verdade (a amiga Mari era mesmo melhor melhor, e se eu a vir hoje, continua sendo), isso veio me fazer escrever, 10 anos depois, com muita vontade. Medo! Ou não?
5ª série B, Anglo, Piracicaba, 10 ou 11 anos (com [muitas e boas, mas sinceras - "lhes" e "se" e tals é por conta da 5ª série] adaptações).
Quando você vê o final, não acredita que seria tão igual ao que escreveu. Eu escrevi isso numa cartilha em 1992 (10-11 anos), sério!!!. Está no meu colo agora. E quando falo com o leitor, não tinha lido Machado de Assis ainda, digressões, muito menos podia esperar que minha mãe morreria.
"Mariana estava correndo e tropeçou no skate do irmão, caiu no chão e rasgou a calça nos joelhos. Gritou para a mãe e chorou. A mãe pegou gelo no congelador para passar no joelho da filha, consolou Mariana. Estava doendo muito. Mariana sorriu para ela e despediu-se porque a mãe iria viajar para trabalhar, e agradeceu por ajudá-la a passar a dor. A mãe de Mariana foi embora e a garota ficou com saudades.
A mãe, no carro, pensou: "Que bonito o ato de Mariana ter vindo correndo só para dizer um 'tchau'. E acabou acontecendo isso (a queda). Eu amo a minha filha".
Querido leitor, as pessoas, às vezes [com crase mesmo], se prejudicam para dizer um 'tchau' para a pessoa que gosta, isto prova que essa pessoa, como Mariana, se prejudicou para querer dizer um 'tchau' para a pessoa que ela ama, a MÃE.
MÃE: palavra pequena.
GRANDE significado."
Esse texto pode parecer um sentimentalismo barato. Mas eu tenho o caderno da sei-lá-que-série [quinta], aqui no meu colo, com esse texto escrito à mão, inclusive sobre a falta da minha mãe. Eu falava com meu interlocultor, que nunca falou comigo.
------------------
"(...) Minha tia não o queria porque era um homem feio e além disso sem profissão. Eu fiquei gostando dele porque levava um rádio e deixava-o lá em casa por algum tempo.
Certo dia, ele apareceu com um auto e disse a meus pais que queria passear com meu irmãozinho. Meus pais deixaram. Eu fui na frente com ele, meu irmão atrás. Ele nos levou a uma rua deserta e parou a lata velha, que é como dizem para certo tipo de carro. Ele pediu a meu irmão que se deitasse porque outro homem ia passar por ali. O outro homem não gostava de criança. Com uma voz que eu não sabia se era dele ou de outro homem, perguntou qual era meu nome, Joana eu disse, quantos anos você tem, oito anos eu disse, você quer uma boneca de cachinho, quero eu disse, e ele me prometeu todas as bonecas de cachinho se eu não gritasse. Depois já estávamos de volta para casa."
Acho que meus professores da escola curtiam Dalton Trevisan, li muito - foram seis anos em colégio jesuíta. Ele não era pessoa pública, nunca foi. Meio errado, meio vampiro, arreio, mais ainda que Chico Buarque (herói da minha infância). Veja você... Não sei de quem gosto mais. Tenho um pouco (ou muito) de Dalton: talvez seja menos reclusa, mas a visão que ele tem da gente curitibana é igual à minha. Não sou de lá, mas vivi lá, né? Há pessoas que amo em Ctba, e amo de verdade; são poucas e boas.
Mais 1992, 1o-11 anos, 5ª série
Vou escrever algo nada a ver com o Dalton. Acabo de ler meus arquivos. E, apesar de ter 18 anos a menos naquela época (29-18=11) , e ter usado o nome da minha melhor amiga da época na redação, e nunca ter tido irmão de verdade (a amiga Mari era mesmo melhor melhor, e se eu a vir hoje, continua sendo), isso veio me fazer escrever, 10 anos depois, com muita vontade. Medo! Ou não?
5ª série B, Anglo, Piracicaba, 10 ou 11 anos (com [muitas e boas, mas sinceras - "lhes" e "se" e tals é por conta da 5ª série] adaptações).
Quando você vê o final, não acredita que seria tão igual ao que escreveu. Eu escrevi isso numa cartilha em 1992 (10-11 anos), sério!!!. Está no meu colo agora. E quando falo com o leitor, não tinha lido Machado de Assis ainda, digressões, muito menos podia esperar que minha mãe morreria.
"Mariana estava correndo e tropeçou no skate do irmão, caiu no chão e rasgou a calça nos joelhos. Gritou para a mãe e chorou. A mãe pegou gelo no congelador para passar no joelho da filha, consolou Mariana. Estava doendo muito. Mariana sorriu para ela e despediu-se porque a mãe iria viajar para trabalhar, e agradeceu por ajudá-la a passar a dor. A mãe de Mariana foi embora e a garota ficou com saudades.
A mãe, no carro, pensou: "Que bonito o ato de Mariana ter vindo correndo só para dizer um 'tchau'. E acabou acontecendo isso (a queda). Eu amo a minha filha".
Querido leitor, as pessoas, às vezes [com crase mesmo], se prejudicam para dizer um 'tchau' para a pessoa que gosta, isto prova que essa pessoa, como Mariana, se prejudicou para querer dizer um 'tchau' para a pessoa que ela ama, a MÃE.
MÃE: palavra pequena.
GRANDE significado."
Esse texto pode parecer um sentimentalismo barato. Mas eu tenho o caderno da sei-lá-que-série [quinta], aqui no meu colo, com esse texto escrito à mão, inclusive sobre a falta da minha mãe. Eu falava com meu interlocultor, que nunca falou comigo.
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Da série: Escritos antigos de 1989/91
Redação para o Dia das Mães (adoooro!!), maio de 1989 (7 anos)
Dia da Mamãe
Minha mãe é bonita, legal e bondosa.
Ela tem olhos castanhos, cabelos meio vermelhos, meio alta, um pouco branca e com muita sarna.
Minha mãe gosta de sopa, batatinha frita, salada de alface tomate e pipino, arroz e feijão.
Ela gosta de ficar lendo livro com a televisão ligada.
A parte da casa que ela mais gosta é o quarto.
(sic)
PS.: Cabelos "meio vermelhos"? Ela tinha cabelos vermelhaços, ferrugem, ninguém tinha dúvida de que era ruiva. "Um pouco" branca? Muito branca. Alva. "meio alta"?? Hahaha. 1,57m e meio, como ela dizia.
PS.2: Sarna??? WTF?? Sardas, como a professora Carolina, da 2ª série A, bem me corrigiu.
PS.3: pEpino.
Redação: "Meu brinquedo preferido", 1991, 4ª série A, professora Chenorik (10 anos - pensava que podia escrever diferente dos outros...)
Meu brinquedo preferido é brincar com a alegria, é passear no bosque, na praia, na floresta, em qualquer lugar, mas sempre com amor. [Obs. da profª.: Que bom!]
Meu brinquedo preferido é ter amigos, amizade, e sentir amor ao próximo.
Meu pior brinquedo é o ódio, a maldade, a raiva, tudo o que nos atinge, nos fazendo mau.
Meu brinquedo preferido é estudar e tirar boa nota na prova. [Obs. da profª.: Maravilha!! Estudar e conhecer é muito interessante].
Meu brinquedo que eu mais gostava era brincar no parquinho, de boneca, com meus primos que eu mais gosto, que eu mais amo.
Ainda eu adoro brincar, fazer tudo de bom para meus primos.
Eu não gosto de ler, só leio de vez em quando, mas sei que uma das melhores brincadeiras, uma das melhores coisas de se fazer quando está só: é ler um "livro".
Comentário da professora Cheno:
Laura, você não terá nota máxima simplesmente porque não respeitou os parágrafos (alinhamento), o que a tia Cheno alertou bastante!! Você escreve muito bem e tem ótimo coração!
(sic)
PS.: Por que não falar de brinquedo físico, né? Ah, canceriana...
Ps.2: Se a redação é brinquedo preferido, por que falar do pior brinquedo? Eu-sou-do-contra.
PS.3: Será que a catequese me influenciou tanto para me fazer uma pré-adolescente que ama tanto o próximo?
PS.4: Sentia-me tão adulta que tinha que dizer que gostaVA de brincar de boneca e com os primos?
PS.5: Minha mãe deve ter tido uma síncope ao ler que eu não gostava de ler. Fora que eu escrevo "livro" no fim. WTF aspas?
PS.6: Adorei o comentário da tia Cheno. Eu só pulava a linha para começar o parágrafo, não deixava o espaço antes do texto, o que, normalmente, naquela época, teria que fazer. O legal é que na internet não tem mais essa de espaço do parágrafo, né? É tudo JUSTIFICADO.
Dia da Mamãe
Minha mãe é bonita, legal e bondosa.
Ela tem olhos castanhos, cabelos meio vermelhos, meio alta, um pouco branca e com muita sarna.
Minha mãe gosta de sopa, batatinha frita, salada de alface tomate e pipino, arroz e feijão.
Ela gosta de ficar lendo livro com a televisão ligada.
A parte da casa que ela mais gosta é o quarto.
(sic)
PS.: Cabelos "meio vermelhos"? Ela tinha cabelos vermelhaços, ferrugem, ninguém tinha dúvida de que era ruiva. "Um pouco" branca? Muito branca. Alva. "meio alta"?? Hahaha. 1,57m e meio, como ela dizia.
PS.2: Sarna??? WTF?? Sardas, como a professora Carolina, da 2ª série A, bem me corrigiu.
PS.3: pEpino.
Redação: "Meu brinquedo preferido", 1991, 4ª série A, professora Chenorik (10 anos - pensava que podia escrever diferente dos outros...)
Meu brinquedo preferido é brincar com a alegria, é passear no bosque, na praia, na floresta, em qualquer lugar, mas sempre com amor. [Obs. da profª.: Que bom!]
Meu brinquedo preferido é ter amigos, amizade, e sentir amor ao próximo.
Meu pior brinquedo é o ódio, a maldade, a raiva, tudo o que nos atinge, nos fazendo mau.
Meu brinquedo preferido é estudar e tirar boa nota na prova. [Obs. da profª.: Maravilha!! Estudar e conhecer é muito interessante].
Meu brinquedo que eu mais gostava era brincar no parquinho, de boneca, com meus primos que eu mais gosto, que eu mais amo.
Ainda eu adoro brincar, fazer tudo de bom para meus primos.
Eu não gosto de ler, só leio de vez em quando, mas sei que uma das melhores brincadeiras, uma das melhores coisas de se fazer quando está só: é ler um "livro".
Comentário da professora Cheno:
Laura, você não terá nota máxima simplesmente porque não respeitou os parágrafos (alinhamento), o que a tia Cheno alertou bastante!! Você escreve muito bem e tem ótimo coração!
(sic)
PS.: Por que não falar de brinquedo físico, né? Ah, canceriana...
Ps.2: Se a redação é brinquedo preferido, por que falar do pior brinquedo? Eu-sou-do-contra.
PS.3: Será que a catequese me influenciou tanto para me fazer uma pré-adolescente que ama tanto o próximo?
PS.4: Sentia-me tão adulta que tinha que dizer que gostaVA de brincar de boneca e com os primos?
PS.5: Minha mãe deve ter tido uma síncope ao ler que eu não gostava de ler. Fora que eu escrevo "livro" no fim. WTF aspas?
PS.6: Adorei o comentário da tia Cheno. Eu só pulava a linha para começar o parágrafo, não deixava o espaço antes do texto, o que, normalmente, naquela época, teria que fazer. O legal é que na internet não tem mais essa de espaço do parágrafo, né? É tudo JUSTIFICADO.
24/11/2010
Ela
Ela olhou para trás e viu a porta bater. Sentiu como se um fio gelado passasse por dentro de sua espinha; tremeu. Deveria ter olhado pouco antes de ele sair? Como se aquela fosse a última vez? Seria aquela a última vez?
Ela voltou o olhar à revista que estava aberta à sua frente. Meneou a cabeça, sentiu o estômago torcer, a garganta, trancar. Será que ele havia olhado para ela antes de sair? No que ele pensou? Sim, porque ele pensou em alguma coisa. Impossível não pensar...
Ela havia sido fria. Fria, cruel, extremamente desprovida da exaltação que lhe era inerente. Não precisava ser assim, não queria. Mas como iria se defender se não o fizesse? Reagiu mal, bem mal. Sabia disso. Ela só o ignorava porque ele era incapaz de reconhecer sua tristeza, ou de entendê-la.
Ela pensava e lia a revista. As palavras, as linhas, os parágafos, pareciam surgir de acordo com seus pensamentos, como se estes tivessem sido traçados previamente por algum jornalista. Percebeu que não conseguia se concentrar se a cabeça não descansasse. Não fazia ideia do que havia lido nos últimos 20 minutos. Fechou a revista e se levantou.
Ela caminhou. Sentiu os pés descalços no chão de taco, meio geladinho, meio confortante. Como um abraço de verdade, um carinho que relaxa. Recordou-se da última vez em que ele a havia abraçado com força, do último momento em que se sentiu protegida, amada. Foi difícil buscar na lembrança, parece que eles estavam distantes há tanto tempo...
Ela se jogou no sofá e arrumou as almofadas do jeito que fazia todas as vezes que desejava que o mundo a esquecesse. Sentiu que os únicos braços que poderiam ampará-la eram os do sofá. Ali permaneceu, com a cara enfiada na montanha de almofadas. E quase dormiu.
Ela despertou com o barulho da porta se abrindo. Era ele. Voltara com uma garrafa de vinho e o almoço comprado, como combinado. Ela demorou a levantar, ele pensou que estava cansada. Ela não tinha muito apetite, ela achava que estava fazendo regime. Ela não o olhava diretamente, ele achou que era pelos olhos inchados. Ele não perguntou, ela também não. Mesa posta, ela foi comer com a certeza de que algo havia se transformado. Ela.
Ela voltou o olhar à revista que estava aberta à sua frente. Meneou a cabeça, sentiu o estômago torcer, a garganta, trancar. Será que ele havia olhado para ela antes de sair? No que ele pensou? Sim, porque ele pensou em alguma coisa. Impossível não pensar...
Ela havia sido fria. Fria, cruel, extremamente desprovida da exaltação que lhe era inerente. Não precisava ser assim, não queria. Mas como iria se defender se não o fizesse? Reagiu mal, bem mal. Sabia disso. Ela só o ignorava porque ele era incapaz de reconhecer sua tristeza, ou de entendê-la.
Ela pensava e lia a revista. As palavras, as linhas, os parágafos, pareciam surgir de acordo com seus pensamentos, como se estes tivessem sido traçados previamente por algum jornalista. Percebeu que não conseguia se concentrar se a cabeça não descansasse. Não fazia ideia do que havia lido nos últimos 20 minutos. Fechou a revista e se levantou.
Ela caminhou. Sentiu os pés descalços no chão de taco, meio geladinho, meio confortante. Como um abraço de verdade, um carinho que relaxa. Recordou-se da última vez em que ele a havia abraçado com força, do último momento em que se sentiu protegida, amada. Foi difícil buscar na lembrança, parece que eles estavam distantes há tanto tempo...
Ela se jogou no sofá e arrumou as almofadas do jeito que fazia todas as vezes que desejava que o mundo a esquecesse. Sentiu que os únicos braços que poderiam ampará-la eram os do sofá. Ali permaneceu, com a cara enfiada na montanha de almofadas. E quase dormiu.
Ela despertou com o barulho da porta se abrindo. Era ele. Voltara com uma garrafa de vinho e o almoço comprado, como combinado. Ela demorou a levantar, ele pensou que estava cansada. Ela não tinha muito apetite, ela achava que estava fazendo regime. Ela não o olhava diretamente, ele achou que era pelos olhos inchados. Ele não perguntou, ela também não. Mesa posta, ela foi comer com a certeza de que algo havia se transformado. Ela.
25/10/2010
São Paulo é um ovo
Não tenho passado dias de glória. Muito pelo contrário. Tudo está pesado, difícil, moroso. Nessas horas, como já disse antes, tento transferir minha energia para outro lugar, que não a poltrona de veludo da depressão. Tem dado, na medida do possível, certo. Hoje eu estava com uma preguiça terrível, vontade de ficar em casa debaixo das cobertas - minha casa estava gelada, apesar de lá fora o tempo estar ameno, quase quente.
Deixei a preguiça na geladeira e saí. Fui ao cinema com amigas queridas. Filme ótimo, ri muito, quase chorei. Dois irmãos, película argentina dirigida por Daniel Burman, é das melhores (acima, Antonio Gasalla e Graciela Borges em cena). Narra a difícil convivência entre um homem totalmente altruísta e sua irmã, esgoísta e manipuladora ao extremo. Eles não são mais jovens, passaram dos 60 (os dois atores nasceram em 1941). Muitas piadas, muita dor, muito amor. É isso que os une. E é bonito ver esse drama com tanta graça e delicadeza. Teve gente que não gostou, achou aqueles conflitos familiares um porre. Eu me diverti. Muito. E tínhamos presença ilustre na sala de exibição. Lázaro Ramos estava lá, sentado nas melhores cadeiras. Isso também foi motivo de risos e gracejos.
Depois, um jantar despreocupado, com várias ligações inusitadas. A amiga da amiga que conhece outra amiga... o namorado da primeira que trabalhou com um amigo meu da escola. São Paulo é um ovo, um ovo de pessoas conhecidas e adoráveis. É bom estar em uma cidade como essa quando a depressão te chama e você é mais forte do que ela para se abater.
Obrigada, São Paulo, por me cuidar tão bem. E por me cercar de pessoas tão bacanas.
Boa noite.
Deixei a preguiça na geladeira e saí. Fui ao cinema com amigas queridas. Filme ótimo, ri muito, quase chorei. Dois irmãos, película argentina dirigida por Daniel Burman, é das melhores (acima, Antonio Gasalla e Graciela Borges em cena). Narra a difícil convivência entre um homem totalmente altruísta e sua irmã, esgoísta e manipuladora ao extremo. Eles não são mais jovens, passaram dos 60 (os dois atores nasceram em 1941). Muitas piadas, muita dor, muito amor. É isso que os une. E é bonito ver esse drama com tanta graça e delicadeza. Teve gente que não gostou, achou aqueles conflitos familiares um porre. Eu me diverti. Muito. E tínhamos presença ilustre na sala de exibição. Lázaro Ramos estava lá, sentado nas melhores cadeiras. Isso também foi motivo de risos e gracejos.Depois, um jantar despreocupado, com várias ligações inusitadas. A amiga da amiga que conhece outra amiga... o namorado da primeira que trabalhou com um amigo meu da escola. São Paulo é um ovo, um ovo de pessoas conhecidas e adoráveis. É bom estar em uma cidade como essa quando a depressão te chama e você é mais forte do que ela para se abater.
Obrigada, São Paulo, por me cuidar tão bem. E por me cercar de pessoas tão bacanas.
Boa noite.
12/10/2010
O cravo brigou com a rosa
Hoje tentei me lembrar dessa música, mas não conseguia. Confundia a primeira com a segunda estrofe. Foi uma música muito presente na minha infância, e nem sabia o que ela significava. Agora, lendo sua letra, percebo que ela - que é tão cética - muito tem a ver comigo - na fase adulta, sempre tão pessimista e ao mesmo tempo sensível, sentimental. É uma letra despretenciosa, mas de uma verossimilhança incrível. Fica aqui um pouco da ingenuidade da infância, de quando não sabíamos o que significavam as letras, e cantávamos sem indagar. Um pouco daquilo que não podemos perder nunca.


O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada
O cravo saiu ferido
E a rosa despedaçada
O cravo ficou doente
E a rosa foi visitar
O cravo teve um desmaio
E a rosa pôs-se a chorar
10/10/2010
Quando a vida começa a patinar
Eu sou "contra" a depressão. O que eu aturo, no máximo, é uma melancolia, mas a depressão não me pega. Acho que o indivíduo deprimido produz um tipo de endorfina da tristeza que o faz ficar bem. Sabe? Ele precisa daquele estado para se sentir bem. Não que a depressão seja algo bom, mas os deprimidos meio que precisam dela, se acolhem nela, se identificam com ela... Eles ficam patinando, não saem do lugar, e não conseguem sair porque essa droguinha fica falando que ali está bom, que ali é conhecido, que ali é quentinho.
Essa semana foi péssima para mim. Se caísse um raio em São Paulo, ele escolheria minha cabeça como alvo. Outro dia fui tirar dinheiro do caixa eletrônico e veio uma nota de 20 reais rasgada ao meio. "Quando o negócio está ruim, o urubu de baixo caga no de cima", diria minha mãe. Sábia.
Mas eu tenho um negócio que não me deixa ficar quieta. Eu, naturalmente, transfiro a energia negativa para outra coisa: trabalho mais, bebo mais, estudo mais, gasto mais dinheiro... Nem sempre canalizar para outra coisa traz um saldo positivo. Mas é assim que acontece. A ideia de ficar no mesmo lugar me assusta, dá medo mesmo, gera os mais deprimentes pensamentos. Para mim, o estado de não sair do lugar é depressivo, por isso eu o afasto.
Só que há momentos na vida (que frase mais horrorosa, credo! Vou começar de novo). Só que às vezes eu me sinto patinando ao mesmo tempo em que quero voar. Esmagada por um muro de concreto, ou afundando na areia movediça com uma força para sair dela maior do que eu. Estou assim. Sapateando no mesmo lugar, como fazem os deprimidos, sentados em sua poltrona de veludo do desgosto. Mas, diferente deles, eu não gosto e não quero ficar assim. Me sinto com as asas cortadas e com toda a energia para voar - toda ela sendo subjugada, reprimida.
E esses dias de frio, chuva, a tendência é só piorar. Sou como sapo ou o lagarto, pecilotérmico. Preciso do sol para me esquentar.
Essa semana foi péssima para mim. Se caísse um raio em São Paulo, ele escolheria minha cabeça como alvo. Outro dia fui tirar dinheiro do caixa eletrônico e veio uma nota de 20 reais rasgada ao meio. "Quando o negócio está ruim, o urubu de baixo caga no de cima", diria minha mãe. Sábia.
Mas eu tenho um negócio que não me deixa ficar quieta. Eu, naturalmente, transfiro a energia negativa para outra coisa: trabalho mais, bebo mais, estudo mais, gasto mais dinheiro... Nem sempre canalizar para outra coisa traz um saldo positivo. Mas é assim que acontece. A ideia de ficar no mesmo lugar me assusta, dá medo mesmo, gera os mais deprimentes pensamentos. Para mim, o estado de não sair do lugar é depressivo, por isso eu o afasto.
Só que há momentos na vida (que frase mais horrorosa, credo! Vou começar de novo). Só que às vezes eu me sinto patinando ao mesmo tempo em que quero voar. Esmagada por um muro de concreto, ou afundando na areia movediça com uma força para sair dela maior do que eu. Estou assim. Sapateando no mesmo lugar, como fazem os deprimidos, sentados em sua poltrona de veludo do desgosto. Mas, diferente deles, eu não gosto e não quero ficar assim. Me sinto com as asas cortadas e com toda a energia para voar - toda ela sendo subjugada, reprimida.
E esses dias de frio, chuva, a tendência é só piorar. Sou como sapo ou o lagarto, pecilotérmico. Preciso do sol para me esquentar.
18/09/2010
Chuvas, homens e equilíbrio
Se o tempo ousa ser esquizofrênico - num dia faz calor de verão, no outro venta, chuvisca e o frio é de arrepiar o pelo mais escondido do corpo -, por que, então, exigir que os homens sejam coerentes e equilibrados? Se a grande, e sábia, mãe natureza tem permissão para agir como um demente na ala mais perigosa do hospital psiquiátrico, por que nós, pobres coitados, formiguinhas diante do cosmos infinito, devemos nos comportar como um exército disciplinado?
Alguns dirão que o que separa a nuvem de chuva, ou uma massa de ar quente, do homem é o fato de sermos um organismo mais complexo. E, mais além, o que nos diferencia dos animais pimpolhos que se acasalam em qualquer lugar, sem nenhum pudor, é a racionalidade e, mais ainda, a escolha.
Ok, ok, mas eu quero ir além. A desestabilidade, e a incoerência, do ser humano o leva a criar, a investigar, a tentar voar, a construir, a se aventurar e, também, a fazer muita cagada. Se todos seguissem uma mesma linha ideológica, falássemos a mesma língua, fossemos todos especializados no mesmo assunto, então talvez eu nem estivesse escrevendo essas bobagens aqui. Porque não existiria o computador, e talvez nem eu existisse.
What I'm trying to say is: seres humanos equilibrados não fazem evolução, não são charmosos e não exprimem paixão. Assim como à natureza, o desequilíbrio é inerente ao ser humano. Os equilibrados são importantes para puxar os desequilibrados para o chão. Mas não são eles que levam à transformação.
Alguns dirão que o que separa a nuvem de chuva, ou uma massa de ar quente, do homem é o fato de sermos um organismo mais complexo. E, mais além, o que nos diferencia dos animais pimpolhos que se acasalam em qualquer lugar, sem nenhum pudor, é a racionalidade e, mais ainda, a escolha.
Ok, ok, mas eu quero ir além. A desestabilidade, e a incoerência, do ser humano o leva a criar, a investigar, a tentar voar, a construir, a se aventurar e, também, a fazer muita cagada. Se todos seguissem uma mesma linha ideológica, falássemos a mesma língua, fossemos todos especializados no mesmo assunto, então talvez eu nem estivesse escrevendo essas bobagens aqui. Porque não existiria o computador, e talvez nem eu existisse.
What I'm trying to say is: seres humanos equilibrados não fazem evolução, não são charmosos e não exprimem paixão. Assim como à natureza, o desequilíbrio é inerente ao ser humano. Os equilibrados são importantes para puxar os desequilibrados para o chão. Mas não são eles que levam à transformação.
18/12/2008
Madonninha
Vou tirar o chapéu pro Gustavo (além de jornalista, toca numa banda de gatchénhos). Ele me introduziu a um novo mundo: a dos covers que não são a cara do ídolo e que não cantam nem dançam igual a ele. Percam um pouquinho de tempo e vejam esses vídeos. Profundamente emocionantes. Do começo retrospectivo/dramatização ao grand finale de glória a Deus. Chorei. Grande Gizele! Se você também amou a menina-que-não-tem-nada-a-ver-com-a-Madonna, entre neste site: www.freewebs.com/humba6. Humba-humba-humba-hey!
25/08/2008
a bela e a fera
Esse é o título que o blog Bombou na web deu para o vídeo abaixo. Perfeito.
"Nem sempre as feras agem como tal. O vídeo produzido na Colômbia mostra uma cena impressionante de carinho entre um leão e sua tratadora. O animal enfia as enormes patas pelas grades da jaula como se fosse abocanhá-la. Mas a envolve em um abraço, se esfregua e lambe sua face. A amizade teria começado há seis anos, quando a mulher teria salvado a vida dele."
"Nem sempre as feras agem como tal. O vídeo produzido na Colômbia mostra uma cena impressionante de carinho entre um leão e sua tratadora. O animal enfia as enormes patas pelas grades da jaula como se fosse abocanhá-la. Mas a envolve em um abraço, se esfregua e lambe sua face. A amizade teria começado há seis anos, quando a mulher teria salvado a vida dele."
22/07/2008
27 anos que não têm volta
Quando completou 27 anos, uma grande amiga mandou um email para convidar os amigos para um almoço. Escreveu ela:
"Meus Amados Amigos do Coração!
Hoje estou completando 27 anos de um caminho que não tem volta!..."
É isso aí. De um caminho que não tem volta.
No meu aniverário, há menos de 10 dias, coloquei no meu nick do MSN: "Próxima da realidade dos 30, distante dos sonhos dos 20..." Muita gente achou que existia um ar melancólico na mensagem, outros viram algo de positivo em ser pé no chão.
Eu ainda não descobri: o copo está meio cheio ou meio vazio? Depende do tamanho da sua sede!
"Meus Amados Amigos do Coração!
Hoje estou completando 27 anos de um caminho que não tem volta!..."
É isso aí. De um caminho que não tem volta.
No meu aniverário, há menos de 10 dias, coloquei no meu nick do MSN: "Próxima da realidade dos 30, distante dos sonhos dos 20..." Muita gente achou que existia um ar melancólico na mensagem, outros viram algo de positivo em ser pé no chão.
Eu ainda não descobri: o copo está meio cheio ou meio vazio? Depende do tamanho da sua sede!
06/07/2008
labilidademente labili
Mais uma que eu aprendo por conta do trabalho...
Se você acha que é uma pessoa diferente das outras, que seu problema é único e que seu comportamento é uma incógnita para a psicologia, não tente suicídio, mas para tudo tem uma explicação psico-científica. Infelizmente. Acabo de descobrir que meu ímpeto emocional e minha instabilidade tão caracteristicos são elementos do que se ousou chamar de labilidade emocional. Acho que sofro disso, labilidade emocional. Palavrinha difícil, né? Labilidade...
Enfim, vamos à sua definição:
"Volatilidade; instabilidade. A labilidade emocional refere-se a emoções que são inusitadamente móveis e que, portanto, não estão sob controle adequado; é observada mais comumente nas síndromes cerebrais orgânicas e nos estágios iniciais das esquizofrenias"(ãhn??).
É, também, "um estado especial em que se produz a mudança rápida e imotivada do humor ou estado de ânimo, sempre acompanhada de extraordinária intensidade afetiva. Esta forma súbita de reagir diante dos estímulos do meio exterior revela pessoas incapazes de controlar a intensidade de suas reações."
Pronto! Estou à beira da esquizofrenia e com risco de passar a não suportar conviver em sociedade. Lindo. Parabéns, Laura. É isso aí. À beira do abismo...
Se você acha que é uma pessoa diferente das outras, que seu problema é único e que seu comportamento é uma incógnita para a psicologia, não tente suicídio, mas para tudo tem uma explicação psico-científica. Infelizmente. Acabo de descobrir que meu ímpeto emocional e minha instabilidade tão caracteristicos são elementos do que se ousou chamar de labilidade emocional. Acho que sofro disso, labilidade emocional. Palavrinha difícil, né? Labilidade...
Enfim, vamos à sua definição:
"Volatilidade; instabilidade. A labilidade emocional refere-se a emoções que são inusitadamente móveis e que, portanto, não estão sob controle adequado; é observada mais comumente nas síndromes cerebrais orgânicas e nos estágios iniciais das esquizofrenias"(ãhn??).
É, também, "um estado especial em que se produz a mudança rápida e imotivada do humor ou estado de ânimo, sempre acompanhada de extraordinária intensidade afetiva. Esta forma súbita de reagir diante dos estímulos do meio exterior revela pessoas incapazes de controlar a intensidade de suas reações."
Pronto! Estou à beira da esquizofrenia e com risco de passar a não suportar conviver em sociedade. Lindo. Parabéns, Laura. É isso aí. À beira do abismo...
13/06/2008
Desabrochar
Despertou. Mas não acordou. Os olhos, inchados, custavam a abrir totalmente. Estava com aquela preguiça preguiçosa das manhãs de domingo. Mas era segunda, dia em que não há espaço para sonhar. Mudou de idéia...
Agora, queria ficar mais próxima do mundo, da correria, do pulsar da cidade. Talvez fosse a hora de deixar a segurança das quatro paredes e dos pés da cama que a fixavam ao chão. Era hora de se levantar para o mundo.
Queria mais e mais. Queria não depender, queria escolher, queria por asas em sua imaginação. Queria que todo dia fosse aquela segunda-feira. Queria que todas as horas fossem dias de sol, ou tardes de chuva.
Sentou-se na cama. Molhou a garganta com água fresca. Sorriu timidamente. Calçou os chinelos e saltou energicamente do colchão, que a abrigara nas últimas confortáveis horas do fim de semana.
Abriu a janela e, com a luz emoldurando as belas curvas de sua face, enxergou à frente uma passarela sem fim, que a levaria onde quisesse chegar.
Despertou do sono de menina. Acordou mulher.
Agora, queria ficar mais próxima do mundo, da correria, do pulsar da cidade. Talvez fosse a hora de deixar a segurança das quatro paredes e dos pés da cama que a fixavam ao chão. Era hora de se levantar para o mundo.
Queria mais e mais. Queria não depender, queria escolher, queria por asas em sua imaginação. Queria que todo dia fosse aquela segunda-feira. Queria que todas as horas fossem dias de sol, ou tardes de chuva.
Sentou-se na cama. Molhou a garganta com água fresca. Sorriu timidamente. Calçou os chinelos e saltou energicamente do colchão, que a abrigara nas últimas confortáveis horas do fim de semana.
Abriu a janela e, com a luz emoldurando as belas curvas de sua face, enxergou à frente uma passarela sem fim, que a levaria onde quisesse chegar.
Despertou do sono de menina. Acordou mulher.
05/06/2008
A ansiedade, o telefonema e o guarda-chuva
Tem dias que começam super bem. Parece que tudo vai dar certo e há apostas para isso. A confiança é grande, o estado de espírito é ótimo e a companhia, agradabilíssima. Foi assim que começou o dia dela. Apesar do frio e da garôa fina.
Mas, como ela bem sabe, nem um radicalismo acaba bem. Confiar demais, amar demais e ficar muito feliz, todos essas sensações podem ter um fim trágico. E foi o que aconteceu. Lá pelo meio da tarde, começou a ficar ansiosa. O telefone não tocava e ela aguardava uma resposta decisiva - achava, obviamente, que tudo ia terminar bem. Achava. Estava confiante.
Demorou algumas horas e, então, o telefone tocou. Já não sentia ansiedade, preparava-se para o pior. Mas a esperança... Estava dentro no ônibus, levantando-se para descer, cheia de coisas penduradas pelos braços. Não sabia se ficava feliz ou triste com o toque - sentia que a resposta não ia agradar. Ao menos, mataria sua curiosidade.
O diálogo no telefone nem foi tanto um diálogo. Do outro lado da linha, a pessoa se justificando. Do lado de cá, ela só no "Ahã, eu entendo. Tudo bem. Muito obrigada...".
Pulou do ônibus como um tiro. A passos largos e apressados, chegou em casa. Subiu as escadas e começou a chorar. Decepção, tristeza, desabafo. Aquele choro era melancólico e, sim!, um desabafo. Tirou toda a ansiedade do peito com os primeiros murmúrios. Depois, deixou que as lágrimas lavassem o rosto. Sentiu-se desolada.
Passou um tempo, algumas horas. E ela se animou. "Paciência, da próxima vez eu não aposto tanto assim", pensou, longe de ser Pollyana, apenas tentando ultrapassar mais um obstáculo. Pequeno ou grande, era ela quem definia seu peso e seu tamanho.
Saiu de casa. Foi para uma festa. Encontrou pessoas queridas, amigos do peito e colegas que há muito não via. Recebeu um telefonema, mas não atendeu. Retornou a ligação, mas não consegui falar. Tentou outra e outra e outra vez. Passou muitos minutos ligando. Nada. Ficou preocupada. "Melhor ir embora e ver o que aconteceu." Foi, acompanhada de uma amiga.
Num local meio escuro e afastado da rua, foram abordadas por um homem de mochila. "Isso é um assalto. Fiquem bem quietas, não gritem. Passem o celular e a carteira." "Hã? Como assim? Não vamos passar nada", responderam as duas. "Estou armado", disse o homem, colocando a mão no bolso da calça. "É um guarda-chuva? É um guarda-chuva. ahahahha, como assim, armado?", disseram em coro. O homem foi embora. E disse que não deveriam segui-lo.
Cada uma em seu carro, o susto começou a tomar forma, cor e textura. Seu corpo balançava, suava frio, o celular na mão direita, enquanto trocava as marchas de posição. Sentiu um frio na espinha, um medo de nada, mas um medo latente. Um descontrole controlado, um medo do susto e da preocupação. Queria chegar logo ao destino combinado.
Chegou. Cansada, preocupada, assustada, neurótica. Aquela noite ia acabar mal, pior ainda. E lembrou-se: o dia começou tão bem... "É assim. Não tem como ficar sempre bem. Ou é o equilíbrio por ele mesmo, ou pelo contra-balanço de dois lado opostos, de instabilidades extremas." O dia seguinte seria melhor. Ou não.
Mas, como ela bem sabe, nem um radicalismo acaba bem. Confiar demais, amar demais e ficar muito feliz, todos essas sensações podem ter um fim trágico. E foi o que aconteceu. Lá pelo meio da tarde, começou a ficar ansiosa. O telefone não tocava e ela aguardava uma resposta decisiva - achava, obviamente, que tudo ia terminar bem. Achava. Estava confiante.
Demorou algumas horas e, então, o telefone tocou. Já não sentia ansiedade, preparava-se para o pior. Mas a esperança... Estava dentro no ônibus, levantando-se para descer, cheia de coisas penduradas pelos braços. Não sabia se ficava feliz ou triste com o toque - sentia que a resposta não ia agradar. Ao menos, mataria sua curiosidade.
O diálogo no telefone nem foi tanto um diálogo. Do outro lado da linha, a pessoa se justificando. Do lado de cá, ela só no "Ahã, eu entendo. Tudo bem. Muito obrigada...".
Pulou do ônibus como um tiro. A passos largos e apressados, chegou em casa. Subiu as escadas e começou a chorar. Decepção, tristeza, desabafo. Aquele choro era melancólico e, sim!, um desabafo. Tirou toda a ansiedade do peito com os primeiros murmúrios. Depois, deixou que as lágrimas lavassem o rosto. Sentiu-se desolada.
Passou um tempo, algumas horas. E ela se animou. "Paciência, da próxima vez eu não aposto tanto assim", pensou, longe de ser Pollyana, apenas tentando ultrapassar mais um obstáculo. Pequeno ou grande, era ela quem definia seu peso e seu tamanho.
Saiu de casa. Foi para uma festa. Encontrou pessoas queridas, amigos do peito e colegas que há muito não via. Recebeu um telefonema, mas não atendeu. Retornou a ligação, mas não consegui falar. Tentou outra e outra e outra vez. Passou muitos minutos ligando. Nada. Ficou preocupada. "Melhor ir embora e ver o que aconteceu." Foi, acompanhada de uma amiga.
Num local meio escuro e afastado da rua, foram abordadas por um homem de mochila. "Isso é um assalto. Fiquem bem quietas, não gritem. Passem o celular e a carteira." "Hã? Como assim? Não vamos passar nada", responderam as duas. "Estou armado", disse o homem, colocando a mão no bolso da calça. "É um guarda-chuva? É um guarda-chuva. ahahahha, como assim, armado?", disseram em coro. O homem foi embora. E disse que não deveriam segui-lo.
Cada uma em seu carro, o susto começou a tomar forma, cor e textura. Seu corpo balançava, suava frio, o celular na mão direita, enquanto trocava as marchas de posição. Sentiu um frio na espinha, um medo de nada, mas um medo latente. Um descontrole controlado, um medo do susto e da preocupação. Queria chegar logo ao destino combinado.
Chegou. Cansada, preocupada, assustada, neurótica. Aquela noite ia acabar mal, pior ainda. E lembrou-se: o dia começou tão bem... "É assim. Não tem como ficar sempre bem. Ou é o equilíbrio por ele mesmo, ou pelo contra-balanço de dois lado opostos, de instabilidades extremas." O dia seguinte seria melhor. Ou não.
30/05/2008
epílogo
"E aí? Como termina essa história?", muitos me perguntaram. E aí que termina como sempre terminam as histórias que não são contos de fadas: quando parece que as coisas vão começar a dar certo, tudo volta a ser nebuloso. É preciso resgatar forças que nem existem mais para começar de novo. Nada de bom no horizonte. Só resta a ele, a mim e a nós todos uma grande maré de azar...
16/05/2008
roubo de mim
Ele acordou. Estava meio preguiçoso, mas foi trabalhar no horário. Alguma coisa em seu corpo soava meio cansada, estava um tanto preguiçoso, mas mesmo assim cumpriu com os compromissos. Foi ao inglês e jantou com quem lhe aquece o coração. No dia seguinte, continuava cansado, mas não entendia o motivo. Como sempre, havia marcado de sair à noite. Em dois lugares. Tentou adiar um deles, mas não teve coragem. Deixou pendente. 'Quem sabe não me animo mais tarde?'. Saiu do trabalho e foi beber. Estava cansado. Muitas coisas não estavam em ordem: problemas familiares, questões profissionais... mas a companhia noturna o fez esquecer os problemas. Curtiu o momento.
Ia embora, talvez passasse em outro lugar. Não tinha decidido se ia ou não para casa. Mas foi para o carro. Abriu a porta, que já estava destrancada. Colocou a chave na ignição, não entrava. Era certo: alguém tinha entrado no carro e forçado a ignição. Chamou o chaveiro e, sem sucesso, levou o carro para casa de guincho.
No dia seguinte, chegou meia hora atrasado no trabalho. Encontrou o chefe no meio do caminho. Conversaram sobre a noite anterior, ele contou sobre o carro, o chefe, sobre a balada que tinha perdido. Enfim, sentou-se à mesa. A manhã foi um pouco agitada, com desdobramentos do problema familiar. Almoçou e se acalmou. Uma refeição ao lado de quem se ama é sempre calmante, mesmo que isso não seja dito.
No fim do dia, quase que se preparando espiritualmente para o fim de semana, recebeu uma notícia drástica. Um susto, um choque, algo inesperado. Tinha sido demitido, injustamente; era claro e óbvio: "o cliente paga, o cliente manda". No primeiro momento, ficou sem ação. Depois pensou em como seriam os próximos dias, nas contas a pagar. Chorou um pouco. Então, ficou com preguiça em arranjar outro emprego, era bom lá... não se sentia sozinho... e lembrou de como aquele dia tinha começado: com alguém tentando roubar o seu carro. Evidente que não ia terminar bem. E assim permaneceu durante um bom tempo...
Ia embora, talvez passasse em outro lugar. Não tinha decidido se ia ou não para casa. Mas foi para o carro. Abriu a porta, que já estava destrancada. Colocou a chave na ignição, não entrava. Era certo: alguém tinha entrado no carro e forçado a ignição. Chamou o chaveiro e, sem sucesso, levou o carro para casa de guincho.
No dia seguinte, chegou meia hora atrasado no trabalho. Encontrou o chefe no meio do caminho. Conversaram sobre a noite anterior, ele contou sobre o carro, o chefe, sobre a balada que tinha perdido. Enfim, sentou-se à mesa. A manhã foi um pouco agitada, com desdobramentos do problema familiar. Almoçou e se acalmou. Uma refeição ao lado de quem se ama é sempre calmante, mesmo que isso não seja dito.
No fim do dia, quase que se preparando espiritualmente para o fim de semana, recebeu uma notícia drástica. Um susto, um choque, algo inesperado. Tinha sido demitido, injustamente; era claro e óbvio: "o cliente paga, o cliente manda". No primeiro momento, ficou sem ação. Depois pensou em como seriam os próximos dias, nas contas a pagar. Chorou um pouco. Então, ficou com preguiça em arranjar outro emprego, era bom lá... não se sentia sozinho... e lembrou de como aquele dia tinha começado: com alguém tentando roubar o seu carro. Evidente que não ia terminar bem. E assim permaneceu durante um bom tempo...
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