26/07/2010

Buenos Aires - dia 15

05/setembro

14h

Chegamos bem a Buenos Aires e fomos para o hostel. Lá, deixamos as malas porque não tinha dado 12h, a hora do check in. Fomos para o Buenos Aires Design, na Recoleta, comprar presentes. Estamos bem cansados - queríamos fazer um conversote no parque, mas não vai rolar. Além disso, eu e o Thomi estamos meio gripados, deve ser do vento gelado e da neve.

Estamos em um hostel no coração de Palermo Soho, super bem localizado, mas meio tosco. Não conseguimos quarto com cama de casal nem banheiro. Nem toalha tem - custa 5 pesos. Mas é um lugar bacana, apesar do vasamento no banheiro.

Fomos comer no Bar 6, na rua Armenia. Pedimos o menu fechado. De entrada, uma berinjela caprese deliciosa. Meu prato principal foi merluza, e do Thomaz, nhoque. Vem uma taça de vinho ou outra bebida - o vinho vem na famosa jarra em forma de pinguim. A comida estava muito boa, a merluza veio com uma cobertura crocante de milho. Depois, fomos dormir. Descansar é preciso.

21h45

Estamos num bar na Plaza Serrano (Cronico Bar) e tem um monte de brasileiro assistindo ao jogo contra a Argentina. Está 2 x 0 para o Brasil. É incrível como o bar segura a entrada das pessoas para não ficar lotado demais (no Brasil, ia ficar amarrotado de gente). Foi um gol do Luisão e outro do Luís Fabiano. Estamos tomando Stella Artois de 1 litro (20 pesos) com amendoim na casca - muito roots!!!

Conhecemos pessoas do Recife que moram aqui em BsAs. Queremos lo mismo!

23h35

O jogo acabou em 3 x 1 para o Brasil, mais um gol o Luís Fabiano. O bar deu uma esvaziada depois do jogo, nós tomamos 5 litros de cerveja e quedamos borrachos! Yo y Thomito hacemos un pacto para hablar somente en español hasta el fin de viaje. El está comiendo los amendoins, el fue abduzido por ellos. Yo no sé escribir... ahahaha

Mendoza/Buenos Aires - dia 14

04/setembro

14h35

Acordamos bem tarde e saímos do hotel. Chamamos um táxi que demorou meia hora para chegar! Deixamos nossas malas num armário na rodoviária e fomos para o centro almoçar. Agora estamos num restaurante super simpático que fica no meio de uma galeria chicosa da Av. San Martín. O café-restaurant chama-se Bizzarro. o TO+ pediu sorrentino e eu fui de menu executivo, para variar (porque gostei do prato servido na mesa ao lado): cerdo com salsa de ananá e papal al miel (carne de porco com molho de abacaxi e batata ao mel). Não sou muito fã de carne de porco, mas esta estava maravilhosa! Claro que o TO+ comeu metade do meu prato, que estava muito mais gostoso que o dele. No restaurante, a cesta de pão era literalmente feita de pão (foto acima)!!! Muito divertido.


14h45

Saímos do restaurante e: surpresa!! Todo o comércio estava fechado. Fomos até o Havanna mais próximo para tomar café e compramos uma revista especializada em vinho. enquanto o TO+ a lia, eu peguei o caderno de Cultura do jornal Los Andes. e descobri que um grupo famoso de rock, Kapanga, estava no Ibis com a gente. Incrível! Um deles (o que eu reconheci na foto do jornal) veio falar comigo ontem à noite enquanto eu fumava fora do hotel. Ele me perguntou se eu tinha ido esquiar (por causa da marca ridícula dos óculos) por um dia ou uma semana... Depois que eu falei que estava viajando com meu namorado, ele desconversou e foi embora. Ahahahahah, safado!

19h30

Estamos no ônibus extra-comfort-plus-master para Buenos Aires (foto ao lado). Antes, ficamos umas 4h sem fazer nada em Mendoza, porque das 13h às 16h30 é hora da ciesta na cidade, ou seja, todo o comércio fecha, menos os bares-restos-cafés. Ficamos no calçadão tomando vinho num copo de plástico - pobreza (foo abaixo)! Depois o TO+ comprou uma jaqueta de couro muito bonita! Antes de irmos para a rodoviária, paramos na taverna do Moe e eu tomei uma cerveja negra Modelo, do México (o Moe tá chique!) O TO+ quis pegar as duas poltronas da frente para ficar de cara no vidro do ônibus de dois andares. Eu não queria! Benfeito para ele! Ficou sem televisão - não tinha TV no banco dele. eu tenho a minha própria e ele terá de ver os mesmos filmes que eu. Rá!



20h35

O fone de ouvido do TO+ não funcionava, já que ele não tinha uma TV só para ele. Resultado: tivemos que falar com um americano que estava atrá da gente e sozinho para mudar de lugar. A pobre da rodomoça não falava uma só palavra em inglês e nos pediu para negociar com o moço. Mas ele foi gentil e, mesmo antes de levantarmos, ele já havia entendido que estávamos com "problemas" e veio oferecer para trocar.

Tomamos vinho tinto na cena e, depois, espumate e uísque (eu e o TO+, respectivamente). O serviço aqui é chique!

P.S.: Tombo - ontem eu descobri um puta roxo na bunda, deve ser de um dos 78 tombos que levei na neve, ou resultado de todos juntos.

Mendoza/Los Penitentes - dia 13

03/setembro

Foi às 5h que acordamos. Um sofrimento. O Ibis tem calefação e o TO+ ficou com muito calor à noite. Tivemos que abrir a janela e perder algumas preciosas horas de sono (abrir janela = muito frio, para quebrar o abafado da calefação). Umas 5h15 eu liguei para a recepção para pedir um táxi, afinal, nosso ônibus para Los Penitentes, a estação de esqui, saía às 6h da rodoviária. Descemos às 5h30 e nada do táxi chegar. 5h35, 5h40... 5h46, saímos correndo para pegar o busão. O pior é que não tínhamos moedas suficientes para dois passageiros. Pagamos só uma. O motorista não estava nem aí (lá não tem cobrador, você coloca as moedas em um equipamento que fica ao lado do motorista). Como tem um busão atrás do outro, o motora estava fazendo hora, foi bem devagar. E eu, xiliquenta! O percurso poderia demorar uns 7 minutos, mas demorou mais de 15.

Chegamos às 6h e pouco à rodô, num puta frio e debaixo de uma chuva gelada e fina. Corremos o pátio dos ônibus atrás do nosso, que, felizmente, ainda não havia partido - debaixo de chuva e muito frio. Saímos às 6h15 da rodô num ônibus tâo confortável quanto o que nos trouxe de Buenos Aires a Mendoza, com a diferença que essa viagem duraria apenas 3h30. E a paisagem é maravilhosa!

15h45

Eu escolhi esqui e, o TO+, snowboard. Acontece que ele mal conseguiu colocar a prancha, quanto mais ficar em pé e, pior, se equilibrar. Nas primeiras tentativas eu só tomei tombo. o TO+ não conseguiu nem subir até o topo da rampa menor (para crianças, iniciantes e toscos como nós). Achou difícil ser guiado pelo puxador. Difícil, não, impossível! Eu até que passei bem essa fase (tem que tomar cuidado para não cair e levar uma puxadorzada na nuca), mas depois, só tombos. A gente cansou de ficar mais no chão do que em pé (ele mais do que eu - só conseguiu se manter em pé para tirar foto) e resolveu visitar a segunda base da estação, lá em cima (a descida é só para profissa). E o nosso ingresso era de profissa (e mais caro) e só podíamos subir no teleférico com os equipamentos nos pés. Para mim não foi tão difícil, mas para o TO+...

Chegamos lá em cima e eu quase desci pista abaixo. Ventava muito, chegamos a pegar uma mininevasca. Puta frio do caralho! Acho que fazia uns -10ºC!! Mesmo com a boca fechada, nossos dentes doíam muito. Depois da bela e gelada vista, voltamos para a primeira estação, de teleférico, é claro! Não seríamos loucos de tentar descer a neve. Iríamos nos acidentar com certeza. P.S.: NINGUÉM desce de teleférico!!

Na volta, o Thomaz devolveu a prancha e eu fiquei me divertindo com o esqui. Depois de umas cinco descidas de iniciante, até que melhorei minha performance! Fui mais algumas vezes, mas a barriga do Thomaz começou a roncar, então fomos almoçar num restaurante simples e simpático na estrada, do outro lado da pista. Minha perna estava doendo porque a bota do esqui é muito apertada. Foi bom tirá-la. Eu pedi um executivo de filé mignon (lomo) e o TO+ foi de bife de chorizo com papas fritas. Pra variar, o bife dava para dois, mas como ele é gulosinho, achou melhor não dividir. Descansamos. No restaurante batia um sol desgraçado de quente, apesar de estar abaixo de zero lá fora. Impressionante como o sol é forte, e como faz frio! Resultado: fiquei com anteojos naturales - ou seja, com a marca dos óculos no rosto. Ridículo. Tem que levar protetor solar para esquiar, seja verão ou inverno.

21h10

A viagem de volta foi boa, deu para apreciar melhor a paisagem, que havia sido ocultada pelo manto da madrugada ("manto" por conta do Thomaz). Na televisãozinha do busão passou um filme com o Steve Carell no papel de um Noé contemporâneo que mora em Nova York. Filme bobo, tudo bem.

Saindo da rodô, fomos em direção ao centro para beber un vino e beliscar. Entramos num pub chamado Liverpool, que ficou vazio quando o primeiro tempo do jogo do Boca acabou. O lugar é simpático, bonitinho e tem até uma lareira numa salinha de estar vintage inglesa (pena que a lareira seja falsa). Pedimos umas picadas, e veio uma minialmôndega no molho d-e-l-i-c-i-o-s-a!! Top 10 (está no meio da foto ao lado).

Está fazendo um frio desgraçado. Amanhã pretendemos dar um rolê no centro e conhecer o parque San Martín. Se o frio permitir.

Ahhhh, esqueci uma coisa muitimportante: conhecemos o bar do Moe!! ahahahah

Mendoza - dia 12

02/setembro

Levantamos tarde, 10h, e o projeto de pedalar nos vinhedos foi para o brejo! Ainda bem, porque está um frio de lascar e descobrimos uma miniexcursão que nos levará a duas bodegas (vinícolas, Septima e outra menor) e mais um produtor de azeite, por 50 pesos cada. O recepcionista do hotel que nos indicou. Se for roubada, a gente xinga ele amanhã. Como a excursão só sai às 14h30, tivemos tempo de ir à rodoviária e comprar as passagens de volta para Buenos Aires (suíte royal master plus) e para Los Penitentes, onde esquiaremos amanhã! Eeeeeee


Aproveitamos para dar um breve passeio pelo centro. A cidade é pequena e muito bonita! Há muitos cafés, como em BsAs, onde as pessoas passam longas horas conversando, lendo, usando a rede wi-fi... Acho que o que elas menos fazem é tomar café, ainda que a variedade seja grande no menu - com leite, com espuma, chico, cortado, natural, doble, irlandês ou escocês...


12h50

Estamos sentados em um café/resto aguardando o almoço. De couvert, serviram uns pãezinhos em forma de bola, muito comuns na Argentina, com requeijão com gostinho de presunto, "queso untable". Ele está na foto ao lado, junto com os sorrentinos do TO+ (ele viciou!) e minha salada de frango, abacate, queso azul (roquefort) e folhas verdes. Imensa!

14h40

Saímos para a excursão. A primeira parada foi a Igreja da Madre de la Carrodilla (porque foi vista sobre uma carroça), que é padroeira dos vinhedos. É uma igreja que sobreviveu ao terremoto de 1860, que matou metade da população de Mendoza e derrubou grande parte da cidade. Ao lado da igreja há uma destilaria que faz licores, A La Antigua. É uma bodega familiar, de produção artesanal, criada há 20 anos. Eles também fazem destilados e conservas (salgadas e doces). Experimentamos algumas coisas: irish cream (Baileys) e muerte russa, um licor com pimenta verde. Muy caliente! Comemos dulce de leche com avelãs, muito saboroso. Vamos levar. Queria comer tudo, mas só pode degustar uma coisa :( Agora, partiremos para uma vinícola, provavelmente a Septima - do vinho que tomamos no La Cabrera, em Buenos Aires.



16h30

Mendoza produz vinho há 400 anos. As características do clima da região ajudam essa produção: a diferença entre a temperatura do dia e da noite é a principal, chega a 20ºC. Aqui há muito sol e o solo é árido - a parreira não precisa de muitos nutrientes. Quando a diferença de temperatura é alta, a fruta concentra mais açúcar. Antigamente, os argentinos traziam os vinhos da Espanha, o que era demorado e custava muito. A bebida trazida era para ser usada nas missas católicas, e também para consumo doméstico.

Na década de 70, a região passou a se profissionalizar e mudar a forma de fazer vinho, prestando mais atenção à qualidade. Antes, só havia dois tipos: vinho de mesa e vinho fino. Só.

A Septima é do grupo catalão Cordoniú, famoso pela cava. A família Cordoniú faz vinhos desde 1551. A Septima tem esse nome porque é a sétima bodega do grupo, também está na ruta 7 - e, afinal, 7 é um número de sorte.

Conhecemos os tonéis onde é feita a fermentação, repouso, maceração etc. É tudo muito moderno, frio e silencioso. O vinho fica lá, descansando em paz e no frio. E o cheiro da bodega é delicioso! Tomamos o sauvignon Blanc 2009 e o Cabernet Sauvignon 2007 - ano muito bom para a uva -, que ficou 6 meses no barril de carvalho americano.

Pela lei, não pode produzir vinho e espumante na mesma bodega, ou debaixo do mesmo teto. Isso porque na produção do segundo há adição de açúcar para a liberação de gás carbônico. Vinho com açúcar é vinho falsificado. O que pode acontecer é o fabricante adicionar algum tipo de levedura para acelerar a fermentação, jamais açúcar.

P.S.: O Thominho não para de tirar fotos!



Passamos pelo Rio Mendoza, totalmente seco. A água aqui é racionada e há diques e comportas que refream e controlam sua distribuição. A segunda bodega foi a Carmine Granata, na verdade, uma boutique, porque tem produção artesanal e pequena - 250 mil litros por ano. Os vinhos ficam no subsolo, é super geladinho, mas não há ar condicionado. O equipamento para amassar as uvas é de 1930! O controle da temperatura é natural, tudo como antigamente, "quando o vinho era feito com uva", disse um senhor que nos acompanhava na excursão.

Experimentamos o Cabernet Sauvignon 2007, jovem, suave, frutado e saboroso. Depois, um Pinot Noir 2003 (ou Pinot Negro), que ficou no barril de carvalho francês por 6 meses. Pinot é difícil de cultivar e difícil para se chegar à cor vermelha: trata-se de uma uva clara e é preciso misturar com a casca de outras uvas. Tivemos uma miniaula de sommelier! Compramos duas garrafas de Cabernet e uma de Pinot. Agora, somos superentendidos!!!



19h

Agora vamos a um produtor de azeite, uma olivícola. Chegamos às 19h15, quase noite. Chama-se Laur, e é uma das mais antigas de Mendoza. O aroma do lugar é especial!!! Hum!!! Mas experimentei a azeitona do pé e é amarga demais! Afe!!

21h50

Estamos no Ceibo, um restaurante indicado pelo Chico Bela e Bá. Fica na frente da Plaza Italia, no centro de Mendoza. O Thominho pediu um cordeiro estofado (parace uma empanada gigante, com a carne macia, derretendo) e eu fui no conejo con papas (pobre coelhinho!!). Desde que cheguei à Argentina quero comer coelho, mas não tive oportunidade. Confesso que o prato do TO+ estava mais saboroso, mas o meu prato também estava muito gostoso e ele acabou comendo metade do coelho (para variar, enorme!). Tomamos um Malbec Alto Sur, envelhecido 4 meses no barril de carvalho. Agora sabemos o que isso significa - depois das 'aulas' nas bodegas.

Voltamos, vi a previsão do tempo para Los Penitentes e não cheguei a qualquer conclusão. Vi três previsões: uma dizia chuva, outra, sol, e a terceira, nublado. O que interessa é que a temperatura máxima ficará entre -1ºC e 1°C. Socorro!



24/10/2009

Buenos Aires/Mendoza - dia 11


01/setembro

22h20

O vinho ruim nos deixou alegrinhos, mas não bêbados o bastante para nos fazer dormir as mais de 14h de viagem (na foto, ainda na rodoviária de BsAs). A poltrona do ônibus (semi-cama) que escolhemos era confortável para uma viagem de até 6h, não mais. Fora esse problema, havia dois bebês no ônibus e duas tuberculosas que não paravam de tossir. A noite não foi gelada, foi congelante. Muito, muito frio. A rodomoça era uma imbecil que não entendia nada do portunhol perfeito que falávamos. E uma coisa eu entendi: não há paradas em certos trajetos, nem nos mais longos. Ou seja, não há postos, nem restaurante, nem banheiro. Aliás, o banheiro do ônibus era só para líquidos. Se o passageiro precisasse fazer "sólidos", tinha que pedir para o motorista parar. Puta coisa indigna!! Desconfortável para aquele que precisa fazer nº2. Mas bom para quem senta perto do banheiro.

A empresa disse que servia cena e desayuno. O jantar foi uma saladinha sem vergonha de cenoura, pão (seco), empanada fria de carne e canelone de espinafre, cujo recheio estava meio massudo. Mas foi melhor que as bolachinhas da Gol (se bem que a viagem é 5x mais longa!). O café-da-manhã foi tosco: alfajor. E café. Só.

Chegamos a Mendoza e vimos uma paisagem árida, marrom. Acho que os vinhedos não estão verdes. Nós nos instalamos no Ibis, que é longe do centro, mas barato - 139 pesos. E, melhor, é silencioso, com banho bom e cama king size dura. Ah! Sonho!

Levamos as roupas sujas para o 5 a Sec anexo ao Carrefour, que fica ao lado do hotel. Voltamos, almoçamos no Ibis e capotamos. Lá pelas 18h40, acordamos e fomos à lan house no Carrefour (também...). Vimos emails, pesquisamos sobre o que fazer em Mendoza e como ir até Los Penitentes, uma estação de esqui a 168km daqui. Pegamos a roupa e dicas valiosas de um senhor simpático, Luiz Paris, que trabalha numa loja de armarinhos, também no Carrefour.

Agora, estamos num bar na Av. Villanueva, dica do Luiz. Chama El Palanque. Tomamos dois vinhos Alta Vista Cabernet Sauvignon 2007, 34 pesos cada. O jogo americano do bar é de papel e tem um espaço para um concurso de dibujo (desenho). "Los ganadores tienem derecho a uno almuerzo". O Thominho fez um desenho super legal! Ahora quedamos borrachos... hum!

30/09/2009

Montevideo/Buenos Aires - dia 10

31/agosto

6h30

A noite foi trágica: televisão alta, porta batendo, teclado do computador (segundo o TO+, que tem ouvido de leproso), uma tuberculosa e uma brasileira querendo fazer amigos. Quando tudo isso se aquietava, uma turma de desocupados inha e vinha na rua, berrando. Ou o Thominho roncava. Dormimos picas. Acho que estamos ficando velhos para hostel. Ainda bem que já reservamos o Ibis em Mendoza! Antes de dormir, assistimos "Siñor M", que sacava pollitos de seus baus magicos!!! hahaha

Estamos no Terminal Tres Cruces de ônibus, esperando a conexão para Colonia, onde pegaremos o buquebus. O dinheiro que nos restou deu apenas para um café expresso. Pobreza ao extremo (foto). Agora, tentaremos tirar dinheiro no puto do Itaú de Buenos Aires e, também, em algum conveniado ao Bradesco, pela rede Plus.

14h10
A viagem foi ótima, dormi quase o tempo todo. O TO+, não. Esfriou muito e, no porto de Colonia, ventava como há muito não sentia - ventava canivete, cortava a alma. O buque sacolejou um pouco, bem na hora que eu estava tentando fazer xixi. Em Buenos Aires está mais calorzinho, mas ainda muito mais frio que na semana passada.

Deixamos a bagagem na rodoviária (32 pesos, no total) e fomos para o Itaú. Eles nos atenderam bem, mas o cartão de débito do Thomaz não é internacional e não podemos sacar aqui, de jeito nenhum. "É outro sistema", disse a gerente. Pior, ela disse também que centenas de brasileiros como a gente se ferraram por causa disso: foram lá e ficaram sem dinheiro. Por que raios não enviaram outro cartão para o Thomaz antes da viagem, uma vez que ele avisou que iria para o exterior? Serviço de porco.

Ficamos super preocupados e decidimos ir ao escritório do Bradesco para ver o que acontecia, já que não estávamos conseguindo sacar - tentamos em alguns bancos. O atendimento foi fantástico, a mulher, super atenciosa, ligou para o Brasil duas vezes e conseguimos resolver nosso problema (na foto, TO+ conversando com a gerente em SP). Só não sabemos se o problema já estava resolvido porque, achamos, não tentamos sacar na rede Banelco. No Brasil, não avisaram que o saque só pode ser feito em caixas atrelados a esse tal de Banelco. Aliás, falaram que era possível sacar no Bradesco daqui. E aqui nem tem Bradesco. Mas pelo menos deu certo. Ufa!

Agora, estamos em um cantina italiana modernosa no Retiro chamada Filo. O TO+ está sentado atrás de uma bunda (!) - de uma boneca de manequim sexy. A garçonete é muito simpática. Aqui, e em outros restos de Buenos Aires, as pessoas comem pizza no almoço! Pode ser com massa fina, grossa, redonda, quadrada...

19h

O almoço foi muito gostoso. A salada al brie que comi estava muito boa, com salmão defumado, camarõezinhos e nozes. O espagueti a la sorrentine do Thomaz devia estar bom também, porque eu nem consegui experimentar (hehe). Saí de lá bebinha depois de meia garrafa de vinho San Telmo.

Demos aquela caminhada básica, para não perder o costume, atrás de cinemas no centro. No primeiro estava passando Coco antes de Chanel, que já assistimos, e outro filme argentino, que deve ser bom, mas como não tem legenda, fiquei receosa - e se eu não entender direito? O segundo cinema não existe, é uma casa de espetáculo de tango, na 9 de Julio. A terceira, Atlas Lavalle, tem um monte de salas e vários filmes para escolher. Aliás, na mesma rua Lavalle, na mesma quadra, tem outro cinema com outras cinco ou seis salas. Só que não podíamos escolher muito por causa do horário do ônibus para Mendoza.

Fomos ao Atlas. Queria ver Se Beber Não Case (O que será de amanhã?, em espanhol), mas era muito tarde. Então, ficamos entre uma comédia romântica americana (La Cruda Verdad) e o trash americano Arraste-me para o Inferno, de Sam Raimi. Escolhemos o segundo. O cinema é incrível, super grande e íngreme. A tela é enorme!! Mas o som deixa a desejar. O filme também. Mas é engraçado e dá susto, como um bom filme de terror. Num certo ponto, cai no escracho. Ótimo para não pensar em nada. E "descansar", porque precisamos.

Agora estamos sentados no café Tribunales, ao lado do Palacio da Justicia, tomando um vinho de mesa random/genérico, chamado Bianchi. Foi sugestão do garçom entre os quatro (miséria!) que tinha o menu. Aliás, foi o primeiro garçom que não serviu o vinho adequadamente desde que pisamos aqui. O bom é que estamos do lado do ponto de ônibus e vimos que a linha que precisamos pegar passa toda hora. E a 29 (nosso pai) também!




23/09/2009

Montevideo - dia 9

10h10

Depois do jantar fomos ao bar Fun-Fun, que fica pertinho do hostel. Lá, dois músicos tocam tango e tem uma bebida típica, a uvita. Mas o velho do Thomaz não quis ficar. E, como o dinheiro está contado, não valia a pena pagar couvert, cubierto etc para ficar 20 minutos. Volvemos.

No hostel, na hora de dormir, descobrimos que uma forte corrente de vento faz a porta do quarto bater loucamente, mesmo estando trancada. Parece que alguém, do lado de fora, socava a porta. Bizarro. Ficamos sem dormir até o TO+ levantar e descobrir que as portas do corredor, que dão para áreas comuns, tinham que ficar fechadas. E ele as fechou, putamente. Agora sim!

Agora, estamos num café para o desayuno, que serve um café com gosto de terra, segundo o TO+ (o problema foi que ele pediu café "natural" e não "cortado"). Depois, vamos a uma feira típica de domingo, na rua Tristán Narvaja e cercanias. (na foto, a feira)


20h02

A feira é totalmente freak: "tem de tudo, é um mistério". Juro, tem coelho, aranha, tartaruga, peixe, comida viva de peixe, faisão, pavão, cachorro, frutas, legumes, verduras, massas, queijos, pães, roupas, antiguidades, móveis, brechós, quinquilharias velhas, livros, galinhas, pássaros, plantas, algas, cereais, temperos, apetrechos de cozinha, livros velhos, empanadas, sapatos e roupas de couro (novos e usados) e tudo o que você acha que deveria estar no lixo, mas alguém acha que não e quer vender (celular velho, secador de cabelo velho, bota furada, prego usado, parafuso, brinquedo sujo, ralador de pimenta, chinelo de quarto velho, roupas amarrotadas e um sem fim de coisas!). Dá agonia! Mas é muito divertido. E cheio.

Voltamos para o hostel e fomos a pé até o Mercado del Puerto. É bem perto de onde estamos hospedados, por isso, achamos que não haveria problema ir caminhando. A recepcionista do hostel havia alertado na noite anterior que o lugar não era uma região muito bonita, mas arriscamos. Arriscamos mesmo, ainda mais porque o Thomaz decidia mudar o caminho toda hora para ver coisa nova. Acontece que, além de abandonada e erma, a região é cheia de casas caindo aos pedaços - e que, por incrível que pareça, abrigam pessoas.

Enfim, ficamos cerca de meia hora andando de um lado para outro, numa área amedrontadora. Não nos sentimos ameaçados, mas também não estávamos seguros. Segundo o TO+, aquela área era perfeita para uma emboscada.

Fomos ao Buquebus para comprar a passagem de volta para Buenos Aires e o cartão de crédito do TO+ não passou. Será que acabou o crédito? Será que não passou porque não passou? Será que estamos azarados mesmo? Paguei com o meu e fomos almoçar.

O Mercado del Puerto é muito legal, só tem restaurante. Uns mais chiques, outros mais simples, mas todos servem parrillada: carnes mil, miúdos, linguiças, legumes, peixes e frutos do mar assados na brasa. E até os mais simples têm taça de vinho na mesa. Como o estômago do Thomaz não está muito bom, escolhemos abadejo com saladinha. Para variar, muita comida: dois filés de peixe grandes, legumes e mais a salada que era para quatro, e não para dois, como disse o garçom. Saímos de lá felizes, bem alimentados, mas sem ter comido um boi inteiro - como era o costume nos dias anteriores.

Pegamos a linha 116 de ônibus e fomos para o Parque Rodo. Aqui, escolhe-se se a passagem vale 1h (16 pesos) ou 2h (21 pesos) e paga-se o valor correspondente ao cobrador. Chegamos ao parque e tinha outra feira, esta praticamente só de roupas. Fugimos dela e entramos no parque. Íamos andar de pedalinho no lago (que estava quase congestionado), mas desistimos porque as embarcaçõezinhas eram velhas demais e achamos que estavam quase afundando.

Do outro lado do parque tem um parquinho de diversões, em que você paga 29 pesos por brinquedo. Fomos à montanha russa, mesmo que parecesse aquelas do litoral sul de São Paulo, quase assassinas. Foi exciting, mas uma menina sentou no banco da frente (o carrinho era para quatro pessoas) e atrapalhou o videozinho do TO+.




Como a playa de Pocitos era logo ali, fomos a pé. No mapa, as coisas parecem longe, mas é tudo bem pertinho. Acho que as quadras de Montevideo son chicas. Os bairros do parque até a praia são bem bonitos, com prédios baixos e muitas árvores. Perto da praia, os edifícios lembram os da orla carioca. O calçadão parece Ipanema! Lotado!! Saímos de lá umas 17h30 e já estava muito mais cheio do que quando chegamos, umas duas horas antes. Deitei em um banco, no colo do TO+, e curti aquele vento delicioso, depois do calor escaldante que fez durante o dia. Até sonhei! Mas estávamos muito cansados e resolvemos voltar para o hostel em vez de ficar para ver a praia à noite. É engraçado porque as pessoas sentam no chão do calçadão, para conversar, tomar cerveja e outras coisas, como fumar um baseado.

Eu e o Thomaz nos impressionamos com a frequência com que vimos as pessoas tomando chimarrão - de novo. Inclusive em lugares proibidos, como dentro do ônibus. Na rodoviária também não pode. E nos restaurantes também. É um vício nacional maldito. Um aviso dentro do ônibus dizia que a água quente pode queimar quem está tomando e os demais passageiros. Tá certo! Em um cruzamento, três grupos de candidatos rivais, com bandeiras e folders. Acho que a eleição está próxima.

Pegamos o 116 de novo e voltamos para o hostel. Aqui, é a nossa mãe adotiva (a linha 116). Eu dormi e o TO+ assistiu a três episódios dos Simpsons na tevê. Em espanhol, obviamente. O outro canal está desde ontem passando uma espécie de Criança Esperança, mas mais mala porque nunca acaba. Queríamos fazer a reserva no hotel em que ficaremos em Mendoza, mas tem um velhinho que mora no hostel e não sai do computador! Ele fica vendo imagens de satélite e informações de ventos, correntes e cartas náuticas. Mardito!

Fomos jantar no Don Peperone, um restaurante de cadeia modernete de Montevideo. Queríamos experimentar o famoso chivito uruguaio, uma mistura de ovo, carne, queijo, presunto, pão e batata frita. Mas o nosso era mais fino e vinha com uma saladinha. A garçonete disse que o prato era para um, mas duvidamos porque havíamos visto o prato em outros lugares e era sempre imenso. É é. Gigante. Só a carne é pouca para duas pessoas, e não tem tanto presunto e queijo como no tradicional (ainda bem). Mas vem com um montão de batata, batatonese e salada de alface, tomate e cenoura. Comemos bem e ainda pedimos a sobremesa da casa que é fenomenal! Uma torre de delícias: biscoito, doce de leite e uma espécie de mousse de chocolate congelados, chantilly e calda. Hum!


30/agosto

19/09/2009

Buenos Aires - dia 8

29/agosto

14h20

Fodeu! Fo-o-o-o-deu!! Primeiro o Sebastian (dono do hostel) se atrasou para nos buscar porque não encontrava o documento do Thomaz que deixamos em troca das chaves do quarto e da casa. Resultado: chegamos em cima da hora para comprar as passagens para o Buquebus, que nos levaria a Colonia, no Uruguay. A 20 minutos do embarque, só conseguimos passagens de primeira classe para o Buque das 8h30 cuja travessia demora 1h. Uma diferença de 25 reais (na foto, eu, morrendo de frio com o ar condicionado da 1ª classe...). Se fossemos no próximo, às 9h30, e que demora 3h, chegaríamos às 12h30 - muito tarde para conhecer Colonia del Sacramento. No meio da correria, e justo quando fui pagar a passagem de 1ª classe, descobri que enfiei meu cartão do Santander (com o qual eu sacava dinheiro) no meio do cu. Bem lá no fundo. Perdi e me fodi.

Agora, teremos que gastar o pouco que nos resta em cash e em cartão de crédito - o que é a coisa mais difícil na Argentina e Uruguai. Aqui, a taxa das operadoras de cartão é cara e, além do valor ser mais caro em cartão em relação a dinheiro vivo, ainda há pagamento mínimo. Ou seja: 10 reais no cartão de crédito, jamais. Pior: temos 600 pesos argentinos e ainda falta uma semana para a viagem chegar ao fim; para pagar alguns dias de hospedagem, alimentação, táxi e ônibus. Fodeu completamente! (na foto: "Alô, perdi meu cartão e estou em viagem internacional. Preciso cancelá-lo.")

Passeamos por Colonia, uma cidadezinha graciosa, sem muita coisa para fazer, o que é bom. Depois do estresse que passamos pela manhã, além de não ter dormido direito, é bom poder fazer nada, descansar. As coisas aqui não são baratas como na Argentina, apesar da desvalorização do peso uruguaio - 1 para 0,08 real. E com temos pouco dinheiro, e também não podemos exagerar nos gastos com cartão de crédito, então o melhor a fazer é descansar.


Colonia tem muitas lojinhas e me incomodou muito o fato da maioria (ao menos na parte histórica da cidade) apresentar o preço dos produtos em dólar - o que mostrava que aquelas lojas só vendiam para turista, e eu não queria ser mais um comprador de souvenir inútil. Ficamos uns 30 minutos apreciando a paisagem de um pier, com sol forte e vento mais forte ainda (foto). Muito bom! Confesso que, nessa hora, dormi, deitada no banco e no colo do Thomi. Ah, aqui, dia 29 também é dia do nhoque da sorte, mas preferimos ficar no peixinho.

O tempo passou... Se o Thomaz não conseguir tirar dinheiro do Itaú na segunda-feira, quando estaremos de volta a Buenos Aires, iremos apelar para o saque no cartão de crédito, que cobra taxas fenomenais! (na foto, estou tentando me esconder do sol ardido)






22h20

Voltamos à rodoviária de Colonia (na foto, os dois, morrendo de calor) e a atendente tinha errado o horário da passagem. Fui reclamar, pensando que seria inútil, mas me surpreendi: eles trocaram a passagem sem duvidar. Aqui no Brasil seria a maior burocra... O ônibus tinha ar condicionado e poltrona que deitava até uma posição bem confortável. Eu dormi praticamente a viagem toda! A não ser pelas vezes que fui acordada pelos berros de umas crianças uruguaias pentelhas. O Thomi ficou acordado a viagem toda e fez alguns filminhos. A estrada é totalmente plana!

Chegamos ao terminal Tres Cruzes e corri para o telefone: se o hostel no qual reservamos o quarto não aceitasse tarjeta de credito, teríamos que ir para outro. Alívio: aceita!!! O hostel fica em frente ao Teatro Solis e ao lado da Plaza Independencia. Suuuper no centro. Caminhamos pela 18 de Julio, uma avenida central, e vimos trocentos uruguaios carregando uma garrafa térmica debaixo do braço e uma cuia pequena de chimarrão na mão. Mesmo nesse puta calor. Passamos por uma praça que havia um baile de velhinhos ao som de música típica. Muy bonito!

Ah, e nossa cama é dura! Muito boa (na foto, a felicidade de estar sobre uma cama que não forma "U")! Estamos jantando num restobar ao lado do hostel e está tocando Jorge Aragão!! E o Thomaz pediu nhoque na sorte, quem sabe a nossa sorte muda... Porque ontem foi foda!