16/09/2009

Buenos Aires - dia 7

28/agosto

21h30

Ontem voltamos para o hostel e eu simplesmente capotei. Quase que não acordo para ir a uma milonga que uma garota do hostel recomendou. É um baile na Villa Malcolm, segundo um professor de tango, milonga "alternativa". Achamos muito legal, mas tango é realmente difícil. Eu e o Thomaz tentamos bailar uma música, mas só demos vexame. Voltamos e dormimos.

Só consegui sair da cama às 11h30. Então começou a jornada do "tudo dá errado". Passamos no Itaú e descobrimos que não se pode sacar aqui, tem que ter o cartão de débito internacional. O Thomaz foi literalmente "rechazado" no caixa eletrônico.

Fomos a San Telmo para almoçar no La Brigada (outro link), sugerido pela Jordi. A carne estava absolutamente incrível, mas, nós, completamente deslocados no restaurante, frequentado basicamente por engravatados e executivas. Tudo bem. Somos turistas mesmo... Eu pedi um bife de chorizo (foto - imenso! metade foi para o Thomi) e o Thomaz, lomo. Uma saladinha caprese para acompanhar e, dessa vez, cerveja. Porque estamos meio enjoados de vinho.

Depois do almoço tentamos resolver essa questão dos saques no Itaú, mas chegamos às 15h01 na "caja central" do banco, que já estava fechado. Havia 1 minuto. Que raiva! Bateu um desespero forte e o Thomaz pediu socorro para os pais: transferiram dinheiro para a minha conta, porque eu consigo sacar nos bancos argentinos com o cartão do Santander. Ufa! Se bem que o Santander Río, que tem aqui, é outra empresa e eu pago um absurdo de tarifa. Melhor que ficar sem dinheiro - da próxima vez, vamos trazer reais.

Então realmente relaxamos e fomos a Puerto Madero (na foto acima, eu tomando um helado), conhecemos o museu naval (que fica dentro de um navio ancorado, na foto) e passeamos muito, ao longo dos 2km do porto!! Para relaxar, fomos ao cinema - assistimos Coco antes de Chanel. Muito bom. Puerto Madero é super bonito, mas bem diferente do resto da cidade. Ainda cultiva parte da arquitetura antiga, dos antigos galpões do porto, mas está tomado do prateado da arquitetura pós-moderna.

Voltamos com o 152, que já virou uma mãe para a gente (o 29 é o pai) e demorou um pouco por causa do trânsito, para variar. Agora, acabamos de comer no Club Eros, um restaurante bom, barato e barulhento em Palermo, também sugestão da Jordi. Apesar da localização, é uma construção antiga, pé direito alto, sujão, superiluminado e com uma quadra de futebol de salão dentro (foto abaixo, por isso ele é um clube). Inusitado. Acho que fizeram o restaurante para alimentar os esportistas famintos. Pedi um milanesa e berinjelas para acompanhar. O TO+ foi de sorrentinos recheados de mussarela com molho vermelho com carne (estofado, na foto, com recheio derretendo. hum!). Tudo muito bom e barato. Com a Quilmes de 1 litro, deu 40 pesos - 10 reais para cada.

Fomos para o hostel fazer as malas e dormir. Amanhã vamos para Colônia, no Uruguai. De madrugada, os jovens entravam e saíam da casa a toda hora, o que não nos deixou dormir. O colchão ruim, em "U" ajudou a piorar a noite de sono.

14/09/2009

Buenos Aires - dia 6

27/agosto

17h05

Hoje fez mais calor que o verão de São Paulo! Tá bom, nem tanto, mas está muito quente. O Thomaz tomou café com tostado mixto. Muito bom o sanduíche, num pão fininho, de miga, e recheio na quantidade certa. Pegamos o ônibus 152 em direção ao Caminito - descemos na garagem da viação. Estávamos a duas quadras de nosso destino. É uma região muito pobre, abandonada e com muitos cortiços.

O Caminito é como o pelourinho: bonito, colorido, cheio de lojinhas de lembrancinhas e com muita gente abordando os turistas para comerem no restaurante X ou Y. Mais ou menos como na Calle Florida, mas sem as lojas de couro. Compramos algumas coisas e fugimos das pessoas que assediavam os turistas. Eles também cobravam para tirar fotos com dançarinos de tango e com um sósia do Maradona. Fomos à La Bombonera, mas não fizemos o tour dentro do estádio porque o chato do TO+ não gosta de futebol, apesar de alegar que torce para o Curíntia.

Partimos em direção a um restaurante muito antigo e numa região abandonada do antigo porto, El Obrero (e tem este outro link aqui). Eu pedi meia porção de rabas (anéis de lula, na foto) gigantes que foram as mais tenras e carnudas que já comi ever! (por apenas 9 reais) O Thominho foi de peixe ao molho de roquefort e batatas cozidas. Não sabíamos, mas o prato dava para dois e custa só 13 reais. Resultado: comemos pra cacete, de novo. O peixe chama algo como Boroton, Brejon, Boro-alguma-coisa, bem branquinho e de filet alto. Hum! A conta: 21,50 para cada, com 2 Quilmes de 650 ml.

Voltamos para o nosso pagamento de promessa diário (andar como uns camelos para conhecer a cidade) só que debaixo de um sol desértico! E as árvores que poderiam abrandar o calor estão todas secas, como no resto da cidade. A região do restaurante também não contribui muito para fazer do caminho um passeio prazeroso.

Queríamos visitar o Museo de Arte Moderno. Para chegar até lá, subimos uma das únicas ladeiras de Buenos Aires - e era só uma quadra de subida (ladeira para os padrões porteños, não para os paulistanos). Depois de camelar muito e passar tanto calor, foi frustrante ver que o museu estava fechado para reforma. Já estávamos em San Telmo.

Foi reconfortante ver que a linha 29 passava por lá. É uma linha de ônibus que passa por todos os lugares, de Olivos até a Boca, ziguezagueando pelo centro. Enfim, passa em Palermo e lá fomos comprar sabonetes para levar de lembrança, e para nós também. Gastamos 108 pesos em sabonete - nunca havia gastado tanto com isso! É uma lojinha tradicional, bem simples, num lugar onde tudo é descolado/chique, chamada Sabater Hermanos (na foto). Nosso dinheiro acabou e fomos para a Plaza Cortazar, tomar 1,5 litro de cerveza Quilmes e descansar. Fomos abordados por inúmeros vendedores e pedintes. A diferença em relação ao Brasil é que não entendíamos uma só frase do que diziam.

Abaixo, outras fotos do Caminito e da Plaza Cortazar



11/09/2009

Buenos Aires - dia 5

26/agosto

16h30

Ontem à noite fomos ao show do Narcotango na Florida, um grupo muito bom. O lugar estava cheio de gente, de todas as idades. Foi engraçado ver os velhinhos dançando eletrotango. Muito legal! É como se os velhinhos daqui dançassem D2, em busca da batida perfeita... Para jantar, seguimos a dica do Chicabelo: restaurante Reyes, na Av. Santa Fé. O Thominho comeu bife de chorizo con calabaza grilladas (abóbora grelhada) e eu fui de matambrito de cerdo (lombo de porco) con salsa crema y papas. Tudo muito gostoso - o Thomaz ainda comeu metade do meu cerdo... :) O melhor: a conta ficou 100 pesos, com um malbec San Rafael e o couvert - pãezinhos quentinhos e um patê de fígado delicioso que o Thomi rejeitou.

Voltamos a pé para o hostel, num caminho de uns 2,5 quilômetros, em nossa promessa diária de andar como uns camelos.

***

Hoje tomamos um cafezão reforçado para só jantar. Fomos a um café muito gostoso na Santa Fé ao lado do Jardim Botânico, que visitamos depois. Do outro lado da rua, adentramos o Jardín Zoológico, que tem alguns animais soltos e curiosos, que vêm "conversar" com o visitante (foto). Foi muito divertido. Mas bicho preso é sempre deprê. De qualquer maneira, vimos urso polar, panda vermelho, hipopótamo pigmeu, cabras, puma e pinguins (ounnn!), pouco usuais nos zoos do Brasil. Também visitamos o museu Eva Perón, bonito, instalado em um casarão antigo, que era a matriz da Fundação Eva Perón e acolhia pessoas carentes. Muito legal a história dessa mulher (eu tinha um bode violento por causa do filme da Madonna, mas agora passou).

O dia foi bem verde: conhecemos o Jardín Japonés, que é absurdamente lindo e transmite uma paz deliciosa (na foto, uma carpa tomando ar). Tentamos o Planetario, mas já estava fechado quando chegamos, no fim da tarde. De lá, seguimos a dica da Jordi e fomos ao Hipodromo de Palermo. Para isso, atravessamos um parque maravilhoso, com lago, roseiral, aluguel de bikes, muita gente patinando e descansando sob as árvores.

O Hipodromo é imenso, dá umas duas vezes o de São Paulo. Queríamos sentar para beber algo, ou assistir a uma corrida. Mas não rolou. Acabamos no cassino (na verdade, só de caça-níquel) e tomamos umas Quilmes chicas. O cassino é gigante e só tem idosos que não veem a luz do sol. Bizarro! Fora que se ficar muito tempo lá dentro é capaz de dar um ataque de epilepsia. Perdi 4 pesos no jogo (foto).

Voltamos de ônibus, o TO+ comprou umas empanadas para matar a fome até o jantar, que seria umas 21h. Descansamos e saímos. O restaurante, La Cabrera, fica em Palermo Viejo. O primeiro em que fomos estava lotado; o bom é que tem uma filial a meia quadra do anterior, muito cheio, mas com uma mesinha para nós. O lugar só tinha estrangeiro e pensamos se tratar de um típico "pega-turista". Ainda bem que nos enganamos. A carne - ojo de bife com roquefort e mil acompanhamentos - saiu por 59 pesos, deu e sobrou (eram 700g de carne).

A carne estava divina, macia, e os acompanhamentos também. Eram pequenas porções de tomate cereja, champignons temperados, funghi, ervilha ao molho, purê de batata e de maçã, maçã cozida, batata com maionese, azeitonas, palmito ao molho ranch, alhos confitados e outras delícias (a foto não ajuda, mas estava tudo divino!). O vinho até que ficou caro: 58 pesos um syrah Septima. Caro se comparado a outros restaurantes. Mas o jantar saiu 140 pesos, ou 70 reais, para dois. Com direito a faca especial para carne (na foto, a decoração do resto). De volta ao hostel, estava passando Adeus, Lenin na TV. Lindo!

10/09/2009

Buenos Aires - dia 4

25/agosto

15h40

Resolvemos fazer um passeio mais preguiçoso, afinal, andamos Buenos Aires inteira a pé ontem! Fomos à estação de trem do Retiro e pegamos um para o Barrio Mitre. Lá, pegamos o masterturístico Tren de la Costa (foto), que vai até o Rio Tigre. É um passeio bonito, o trem é confortável e a paisagem, um Alphaville porteño - mas que mescla com bairros pobres. Impressionante como um bairro é tão pobre e outro, atravessando a rua, é imponente. Paramos no Tigre e passeamos pelas redondezas. Comemos uma carne deliciosa em um restaurante muito simples, Benito, que fica na porta da estação do Tren de la Costa. Nunca tinha comido o "asado de tira", muito bom. Acho que é um corte diferente da costela. O Thomaz foi de milanesa, bem arrentino.

Para chegar ao Tigre, pode-se pegar outro trem na estação Retiro, que vai direto e custa 20 vezes menos, mas não é tão confortável e o caminho não deve ser bonito e com atrativos turísticos. Nos fins de semana, as estações do Tren de la Costa possuem feirinhas e uma movimentação maior, restaurantes, bares etc. Lá no Tigre, podíamos ter feito um passeio de barco que dura uma hora, no mínimo, mas estávamos preguiçosos. Parece que é muito bonito e custa uns 60 pesos (cuidado para não ser levado pela primeira oferta que aparecer, pode ser muito mais cara). (na foto, um cruzamento da linha Retiro-B.Mitre)


19h10

Voltamos para o centro porque terá show do Narcotango, de eletrotango, na antiga Harrods. A apresentação faz parte do Festival e Mundial de Tango que acontece até o dia 31 de agosto. Atravessamos a Plaza San Martín (na foto, manifestação dos vegans), passeamos pela Florida, tomamos café onde só tinha idoso e até comprei um casaco de lã muy belo! Saímos do burburinho da Florida e entramos num bar supermoderno na Calle San Martín, com música alta (que oscila entre hip hop e raggae), elevador para "discapacitados" e papel de parede vintage/cyber (que brilhou nos olhos do Thomaz). A "pinta" (pint) de Budweiser é 8 reais.

O banheiro, entre todos aqueles que fui na viagem, foi o primeiro a ser 100% aprovado. Limpo e bonito. Dos outros restaurantes e bares, eram feios e velhos, exceto das Galerías Pacífico. O banheiro daqui é tão bom que os clientes se sentem à vontade para satisfazerem seu apetite sexual. Hummm! Palmas de mãos marcadas na parede (com textura espelhada) e embalagem de camisinha no lixo. Hummmm! Aliás, 95% dos banheiros têm aquelas máquinas de vender camisinha. (na foto, a janela de vidro imensa da entrada do bar)

09/09/2009

Buenos Aires - dia 3

24/agosto

15h

Acordamos às 9h30 e saímos para tomar café da manhã na Av Santa Fé. O meu 'combo' custou 18 pesos (9 reais) e vinha café com leite, salada de frutas enorme, um copo de iogurte e corn flakes. Muita coisa! E muito barato.

Pegamos um ônibus para ir ao centro, mas nos desesperamos porque ele dava muitas voltas, e pensamos que tínhamos passado do ponto. Conclusão: mais 8 pesos pagos no táxi para chegar ao nosso destino, a Plaza del Congressio (foto). Caminhamos pela Avenida de Mayo, que é maravilhosa, tiramos foto com o Don Quijote e tomamos café no Tortoni, o mais antigo de Buenos Aires. Belo!

Caminhamos até a Florida, insuportavelmente cheia de gente e vendedor laçando brasileiros para comprarem cashmeires e casacos de couro. A Galería Pacífico é linda, mas como não temos paciência para andar em shopping, saímos logo.

Passamos pela Plaza San Martín, que é super grande, bonita, verde... Queríamos comer no El Mirasol, mas achamos o preço meio salgado, também porque ontem compramos muita coisa na feira de San Telmo. Ainda bem. Porque comemos a melhor empanada de Buenos Aires, no San Juanino. Pedimos um ciervo a la cazadora, veado mesmo. O Thomaz disse que nunca tinha comido veado antes... rs O prato é uma delícia! Vem com um molhinho muito gostoso com funghi. E bebemos um litro do vinho da casa, que veio em uma jarra em formato de pinguim (o pinguinzinho 'vomita' o vinho). O melhor: 20 reais para cada.

Saímos e andamos pelas ruas suntuosas da Recoleta, com lojas carésimas, hotéis luxuosos e prédios imponentes até o Cemitério da Recoleta. O lugar parece uma vila com pequenas casas, que na verdade são enormes mausoléus. Do lado direito do cemitério eles são muito grandes e imponentes, parecem capelas. Do esquerdo, menores, até mesmo abandonados. Para a nossa surpresa, Eva Perón está enterrada do lado esquerdo. Caminhamos o cemitério todo atrás do maior túmulo, pensando ser o dela. Mas não, é pequeno, revestido por granito preto e está cheio de flores e plaquinhas em bronze. Afinal, ela era a mãe dos pobres... (o túmulo é de sua família, Duarte, do interior da Argentina)

Depois, fomos ao Buenos Aires Design, que é mais bonito por fora do que dentro, mas tem algumas lojas de coisas para casa e decoração muito interessante. A mais legal é a Morph, e tem a SR.MOR também (onde compramos um porta-sacola que é uma galinha preta de cabeça pra baixo!). Na saída, tomamos umsorvete enorme no Freddo, que fica do outro lado da praça. Uma delícia! Mas da próxima vez pediremos a casquinha "más chica". Finalmente acertamos o ônibus para voltar para a casa, mas para isso tivemos que andar 1km... Acho que não acertamos tanto assim!

Na andança, eu comprei uma bota! 65 reais. Poderia ser 55, mas paguei com cartão e aqui em Buenos Aires quase todas as lojas de roupas e acessórios cobram mais barato quando se paga em cash, ou efectivo. A diferença chega a ser de 30 a 300 pesos, dependendo do valor do produto.

Voltamos, compramos um vino no mercadinho ("chino") e empanadas em uma rotisserie (que só vendem salgados, tortas e doces). Jantamos como porteños: empanada, torta e vinho. O Thomaz saiu para comprar outro vinho e voltou com uma Brahma de 1 litro! (os argentinos sabem das coisas...). Agora, ela repousa na geladeira.

08/09/2009

Buenos Aires - dia 2

23/agosto

12h

Ontem à noite fomos a um bar de jazz super gostoso, Thelonious Club, de música ao vivo. Era quase meia-noite e a fila, imensa. Pensei que não fôssemos entrar. Mas quando a banda fez uma pausa, o bar esvaziou e todo mundo que estava aguardando lotou o lugar novamente. Curioso. Quando voltamos, os jovens do hostel estavam fazendo um esquenta que durou até 3h da manhã! Se fosse eu, desistia de sair... ehehe

Hoje decidimos fazer um passeio a pé: ir de Palermo até a feira de San Telmo, pelas avenidas Santa Fé e 9 de Julio, ruas Florida e Defensa (detalhe no que está escrito no asfalto na foto). Paramos no meio do caminho para comer medialuna (croissant) e tomar café. Muy rico! Detalhe: os croissants aqui são doces, mesmo os recheados de presunto e queijo. O café é servido com água - com ou sem gás - em todos os lugares e muitos também dão um copinho de suco de laranja. Havia um homem no café que colocou uma camiseta no cachorro de estimação. Camiseta! Passamos pelo Obelisco, Calle Florida, Plaza de Mayo - Casa Rosada, e um sem fim de prédios antigos e lindos.


21h (no restaurante Cornileone)

Andamos umas 5h seguidas, a cidade é toda plana e o tempo passa rápido. Meus pés pediram socorro, minhas costas faziam questão de avisar que existiam. Enfim, cansaço total; mas valeu a pena.

Chegamos a San Telmo sem saber direito para onde estávamos indo. A feira é sensacional, com muitos artistas de rua, artesãos realmente originais, pessoas vendendo sanduíche de bife à milanesa e loucos de todos os tipos. Achamos incríveis os bonecos de um casal gordinho dançando tango, à la Botero (depois vimos os mesmo bonecos em vários lugares). Compramos um trapezista de papel marché super delicado, para pendurar no teto da sala. O restaurante em que almoçamos, Vintage Bar, era mais bonito do que bom. Mas barato.

O Mercado de San Telmo é um show à parte - assim como todo o bairro, só tem quinquilharia e coisas antigas, mas incrivelmente interessantes. Obviamente, trombamos com um monte de senhoras perfumadas. Lá também vende legumes, verduras, cosméticos, roupas, luvas, artigos em lã... Eu queria comprar tudo o que via, principalmente óculos vermelhos de todos os tipos, mas o Thomaz me desestimulou.

Tomamos um café delicioso no Havanna, que também tem doces do todos os tipos. Só de olhar engorda. É tudo lindo e gostoso nesse café. Aliás, é impressionante como em Buenos Aires tem confeitarias e padarias que vendem quase que exclusivamente doces, tortas e facturas (doces folhados e recheados). Muito doce gigante de encher os olhos. (na foto, o Mercado de San Telmo e os óculos)

Um programa no mínimo bizarro para fazer em San Telmo é visitar o Museu Penintenciário, na Humberto Primo. Que lugar macabro! Havia bonecos tipo manequins representando a polícia (quase sempre bravos) e detentos (sempre infelizes). Os bonecos mais horrorosos que já vi na vida, muito feios. Tinha representação de como eram as celas, enfermarias, boticas, armas, roupas, algemas (daquelas imensas, para pés e mãos) etc, etc.

Enfim, fomos embora. Eu, mais que o Thomaz, estava podre. Pegamos o metrô lá na 9 de Julio para voltar o hostel - parecia a locação de um Blade Runner latino. Sujo, velho, mofado e cheio. Os trens passam de 8 a 12 minutos, é um baita intervalo.

Depois de caminharmos tanto, certamente mais de cinco quilômetros, concluímos que a cidade é linda! Mas com muitos lugares sujos, do caixa eletrônico às ruelas próximas à Plaza de Mayo em direção a San Telmo. Uma pena. "Parece Europa", mas tem pobreza - como qualquer cidade latinoamericana. No balanço geral, adoramos cada quadra por onde passamos. Ao contrário do Brasil, pouquíssimos mendigos e pedintes.

Também vimos muitos cachorros andando com seus respectivos donos pelas ruas. E, pasme: um dálmata dentro do metrô. Como no Brasil, esses passeios na rua acabam deixando muito cocô na calçada.

O dia estava lindo, o passeio, maravilhoso. E nem escutamos tanto português assim. Voltamos para o hostel e eu fui tomar um ar na varanda. Vi um maluco levando o gato para passear. Juro! O gato! Na verdade, o gato estava sendo arrastado, coitado... (na foto, um mini carro parado no farol da 9 de Julio)

Jantamos no restaurante Cornileone (algo parecido com Corleone), em Palermo, próximo ao hostel - que fica numa parte mais sossegada do bairro, e não no burburinho de Palermo Soho e Palermo Hollywood. Eu pedi uma tilápia e o Thomaz foi de lomo ao molho de pimentas verdes - muito suave e delicado. Tudo muito delicioso!

07/09/2009

Buenos Aires - dia 1

22/agosto

11h30

O voo atrasou 40 minutos e a mocinha da Gol disse que foi por conta do "tráfico" aéreo. O Thomi foi barrado no raio-x porque levava um shampoo na bagagem de mão: o problema é que o frasco tinha mais de 100 ml (será que estão fazendo tráfico aéreo de shampoos? Ou de potinhos transparentes de 100 ml? Ou ainda, de nitroglicerina? 100 ml de nitroglicerina explode um avião?). Explico: não pode embarcar no avião com líquidos nem objetos cortantes ou perfurantes: alicates, canivetes, pinça, facas...

Será que vão servir barrinha de cereal? Estou morrendo de fome!!

***

Antes de decolarmos, a aeromoça passou no corredor com um spray fedido para matar os H1N1 do ar viciado do avião. Pobres influenzas.

***

A "refeição" foi sanduíche de tomate, manjericão e mussarela de búfala. Uma delícia, não fosse o pão massento e ressecado que roubou todo o frescor do recheio.


15h30 (em Buenos Aires)

O aeroporto de Ezeiza avisa para não pegar táxi na porta, mas contratar o serviço nos quiosques dentro do aeroporto. Mas o taxista que nos abordou foi tão gentil conosco... maior roubada. Primeiro ele não sabia onde tinha estacionado o carro. Depois, o veículo estava caindo aos pedaços. Para sair, empacamos na cancela da segurança porque ele não tinha o cartão de saída. Muito azar. Pegamos nossas malas e descemos do carro - ele ficou puto, é claro. Voltamos a pé até o terminal para pegar outro táxi, agora, oficial. Ficou 98 pesos até o bairro de Palermo. (na foto, a gente já no hostel)

Tudo certo com o transporte, abrimos o chocolate que havia comprado no free shop. O Thomaz gentilmente ofereceu ao motorista, que recusou, dizendo que iria sujar o estofado do carro. Ops...

Depois ele foi legal. Disse que se conhecêssemos uma brasileira solteira, iria para o Brasil (?!?!?!). Contou que no dia anterior havia conversado com uma mineira pelo MSN, que deu um perdido depois de vê-lo na webcam. Ah, ele também deu muitas dicas de como não ser enganado pelos motoristas de táxi (que trocam notas altas de peso por outras falsas) e pelos mostazeros - meninos que batem carteira e desviam a atenção da vítima derrubando mostarda (mostaza) em sua roupa. Por isso o nome "mostazero". Não vimos nada disso na cidade.


17h15

Chegamos ao hostel (Casa Buenos Aires), um simpático sobrado com quintalzinho em Palermo. Demos um passeio pelo bairro, fomos à Plaza Palermo Viejo, onde tem muitos pais com filhos pequenos e até um carroussel à moda antiga. Almoçamos no Caldén Del Soho e fomos recebidos por um garçom muito simpático e paciente com nosso portunhol. De entrada, comemos uma provoleta recheada de tomate seco e cogumelos, acompanhada de rúcula, que, de pronto, satisfez a fome do Thomaz, que costuma ser enorme. Como entrada, dava para seis pessoas. Tomamos um malbec da Patagônia, Newen, que no aeroporto de Congonhas custa 33 reais. Aqui, é 34 pesos (17 reais).

volta a São Paulo

Voltamos!
A viagem foi incrível e cansativa. As cidades planas te convidam a caminhar, e caminhar, e caminhar... Ficar em hostel é bom se você já conhece... senão, pode ser barulhento, ter banheiro com vazamento, colchão péssimo...
Mas valeu a pena!
A seguir, postarei, por dia, cada dia de nossa viagem!

24/08/2009

buenos aires - primeiras impressoes

Estou fazendo um diário por escrito, porque fica mais fácil. Mas deixo algumas impressões daqui:

- A cidade é plana, linda, linda, linda! Dá para andar a pé por todos os lugares, o que te deixa mais cansado do que você imaginaria. Afinal, uma linha reta e plana parece não cansar tanto, a princípio.

- Aqui tem sujeira, vi muita. Não sei se é porque estamos num fim de semana... espero que melhore amanhã (segunda).

- Também tem pobres e casas abandonadas, com tapumes. Muitas no centro. Os caixas eletrônicos estao cheios de papéis no chão. Sujeira feia. São Paulo também tem muito disso, muito mais. América do Sul é América do Sul...

- A comida é boa, mesmo nos restaurantes razoáveis. Pode-se comer bem, muito bem, pagando a metade do que se paga em São Paulo. Isso é bom, muito bom.

- O hostel é em Palermo, um bairro tranquilo, seguro m gostoso. Muitos restaurantes perto, lojas, vendinhas 24h e muito transporte.

- Os ônibus são velhacos. Não andamos ainda, mas muito até apitam... rs. Outros são modernos, mas têm pintura retrô. Adorei!

- Algumas linhas do metrô são bem velhas. Pé direito baixo e muito mofo. Sujeira também. As mais novas são mais modernas, mas é engraçado porque eu sempre comparo a São Paulo: super limpo, novo e a linha é pequena demais para o tamanho da cidade. Aqui o metrô deve ter começado antes... Em algumas estações parece Blade Runner. É louco, diferente. O trem demora a chegar de 7 a 9 minutos. Por isso costumam ficar cheios.

- Además, estoy feliz!!!!

21/08/2009

Promessa

Ok, ok. Estou escrevendo muitíssimo pouco no blog. Isso dispersa leitores, eu sei. Mas juro que não é por falta de vontade. Às vezes me pego indo para o trabalho e pensando no texto que iria postar no blog e simplesmente não tenho tempo para isso. Saio tarde do trampo e, quando chega a hora, fico xiliquenta para ir embora, afinal, muitas vezes só estou eu e as paredes na 'firma'. Preciso de gente por perto!! E o blog fica para depois.

Mas estou saindo de férias! Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuu Depois de um período de 7 anos - as últimas férias foram em 2006, quando eu me dediquei ao TCC (=sem férias) e, antes, fiquei sem trabalhar apenas em 2002 -, eu tenho o meu regozijo. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh

É como se eu sentasse na 'cadeira do papai' e ficasse assistindo ao 'Domingão do Faustão' todos os dias. Ahhhhhhhhhhhh

Mas não. Vou viajar e ser muito feliz. Desde que eu era criança, não me lembro de ter passado 15 dias viajando, passeando, dormindo ou qualquer outra coisa que as pessoas fazem nas férias. Vou para a Argentina 'bailar tango y tomar vino'. E sem medo da gripe suína! Uhuuuuuuu

Pretendo fazer um diário de viagem que registrarei aqui.

Keep in contact.

08/08/2009

Especial dia dos pais

De uma jornalista que não quis se identificar. O que o Dia dos Pais significa para ela?


"Eu nasci em julho. Mas fui registrada em 8 de setembro. Minha mãe morava em São Paulo e, meu pai, no interior. Eles namoraram, foram, voltaram e terminaram definitivamente. Depois, minha mãe descobriu que estava grávida. E não contou para ele. Eu nasci e, com a pressão da família, ela decidiu contar. Mas não por telefone, por carta. Quando ele soube, correu para a capital e eu fui registrada.

Quando eu ainda era criança, voltamos para o interior. Ele nunca aparecia, nem nos aniversários, nem nunca. Eu ficava pronta esperando a visita e ele dava o cano. Minha mãe não queria que eu nutrisse raiva, então dava desculpas, mil desculpas. Certa vez ele me deu uma boneca de aniversário. Eu a deixei de lado e fui brincar com outra coisa. Até hoje minha tia se lembra disso com orgulho. Os presentes do Dia dos Pais que fazia na escola eram sempre nomeadas a ela, o que causava certa apreensão nas professoras.

O tempo passou e ele nunca se aproximou, nem mesmo ajudou com os gastos - eu estudava em colégio particular e fazia todas as aulas que uma criaça poderia fazer: de ballet a karatê, passando por natação, coral, flauta... Minha mãe era tudo para mim: além de inteligente e culta, esclarecida e batalhadora.

Ela morreu quando eu tinha 22 anos. Nessa época, meu pai resolveu ajudar e me deu uma grana para eu comprar um apartamento. Uma ajuda, apenas, porque ela tinha feito um seguro de vida (embora nunca tenha conseguido comprar a sonhada "casa própria"). Ele nunca foi de luxos, mas sempre viveu bem. A gente (eu e minha mãe) sempre teve uma vida econômica, e com algumas dívidas. Uma, aliás, que eu tive que pagar quando ela se foi. Depois da compra do apê, e isso já vai fazer sete anos, ele me ajudou outra vez. E depois passou a me ignorar: não atendia o telefone, não retornava, mesmo quando eu ia visitá-lo (e ele nunca estava).

Decidi que ele nunca fez e nunca fará parte da minha. É triste, mas uma decisão realista. Sinto falta de alguém para me dar colo e conselhos, mas acho que consigo ter muito do que ele não me deu por meio da minha família, amigos e namorado. A relação que eu tinha com minha mãe jamais terei com qualquer pessoa. Éramos próximas, amigas, mas com todo o respeito que existe entre mãe e filha - e vice-versa. Minha mãe foi extraordinária até onde pode. Meu pai, inexistente. Isso deixará sequelas para sempre, por mais que eu tente afastá-las.
"

30/07/2009

xixi no escuro

Você já fez xixi no escuro?

Hoje um poste caiu na região do prédio onde eu trabalho e, por isso, peguei um congestionamento mala - 25 minutos no que eu faria em 2. Também subi sete lances de escada - tudo bem, isso deveria ser um hábito, mas não é. E, no banheiro, só a luz de emergência (que mal ilumina a pequena área sobre a porta, onde foi instalada).

Como eu bebo muita água, foi inevitável fazer xixi no escuro. E sabe que foi bom? Depois que eu limpei bem a tampa do vaso, e me certifiquei de que estava 101% limpa, eu sentei. E, sem a visão para nos distrair, uma vez que estava tudo meio dark, eu comecei a pensar na vida. É gostoso. O xixi saindo e, você, pensando na vida; nos bastonetes (células do olho) trabalhando a milhão, na bexiga mandando o xixi embora, na porta que, antes, era branca e, agora, cinza-empretecida.

É algo interessante fazer xixi no escuro. Você se sente mais suscetível a coisas que jamais aconteceriam - com a luz acesa ou apagada. Dá um pouquinho de medo porque você não enxerga com tanta desenvoltura. Medinho bom.

29/07/2009

não tenho um favorito

Eu não sei eleger uma coisa favorita. Não sei o meu filme favorito, meu livro favorito, minha música favorita, o homem mais bonito, a comida mais gostosa, o diretor mais importante... Eu simplesmente não sei! Não sei, não sei, não sei!!!!

Minha amiga Magá disse que, para ela, é ruim ficar fazendo listas (ela é viciada em listas!!). Já do meu lado, também é ruim não chegar a uma conclusão do que é mais legal ou não. Talvez seja pelo mesmo fato de eu não ter tido ídolos...

É uma coisa a se pensar. Essa de eu não ter favorito. Bem melhor ter favoritos, com "s", e poder mudar frequentemente!!!