01/08/2008

Agência de Turismo dos Curíntia

Eu recebo todo tipo de email por dia: lançamento de livros, cozinha adaptada para idosos, exercícios de relaxamento de tai chi para quem está preso no congestionamento (!!!), resultados de pesquisas, informes...

Mas hoje foi demais: recebi um email da TimãoTur. Isso aí! Agência de Turismo do Timão. E vc tá pensando que é só destinho curíntia, como Praia Grande, Foz do Iguaçu e Miami??? Está muito enganado, meu amigo. Olha só os pacotes dos amigos do Parque São Jorge: Galápagos, Patagônia Chilena, Cancun, Itacaré, Montevidéu... Tem até cruzeiro!! (mais parece uma parceria com Submarino Viagens, ou Decolar.com) Tá... vocês ainda não acreditam? Então olha só: www.timaotur.com.br.

Mas eu tenho uma explicação: eles aproveitaram as viagens insólitas que a torcida tem que fazer pelo Brasil atrás dos jogos da série B para ganhar know how em turismo e, obviamente, uma grana a mais. Floripa, Goiânia, Taguatinga, Alagoas... virxe! Não tem uma cidade com tradição no futebol. E dá-lhe turismo!!!

PS: atenção para o áudio do site - os jogadores ficam no mesmo hotel da cidade (provavelmente o único) que os torcedores, tomam café juntos e podem até embarcar no mesmo avião de volta para São Paulo. Uhuuuu!!! "Ótima oportunidade para ver seus ídolos de perto". argh!

24/07/2008

macumbaboa

Estou fazendo uma matéria sobre "a hora certa de sair da casa dos pais". Vou conversar com uma psicóloga, mas já comecei a pesquisar informações na internet - leia-se: Google. Digitei 'quando sair de casa' e chegaram inúmeras variantes do 'sair de casa'. Diploma sem sair de casa, viaje por dois mundos sem sair de casa, ganhe dinheiro sem sair de casa, aprenda CSS sem sair de casa, estudar no exterior sem sair de casa (essa é fisicamente impossível, mas...), como destruir a Amazônia sem sair de casa (o negócio vai ficando pior...) e, o link campeão: Faça sua macumba sem sair de casa!!!!

Diésus!!! Esse povo corre sério risco de morrer de obesidade mórbida. Carai, véi! Até pra viajar e fazer macumba os caras ficam em casa. Mas quem quiser tentar uma fézinha na galinha preta, www.macumbaonline.com. O máximo que eu tinha vista era o www.macumbavirtual.com.br, do Pai Toninho, que sugere um monte de simpatias engraçadas e nada sérias. Um site divertidíssimo.

22/07/2008

27 anos que não têm volta

Quando completou 27 anos, uma grande amiga mandou um email para convidar os amigos para um almoço. Escreveu ela:

"Meus Amados Amigos do Coração!
Hoje estou completando 27 anos de um caminho que não tem volta!..."

É isso aí. De um caminho que não tem volta.

No meu aniverário, há menos de 10 dias, coloquei no meu nick do MSN: "Próxima da realidade dos 30, distante dos sonhos dos 20..." Muita gente achou que existia um ar melancólico na mensagem, outros viram algo de positivo em ser pé no chão.

Eu ainda não descobri: o copo está meio cheio ou meio vazio? Depende do tamanho da sua sede!

14/07/2008

HIV no farol

Ultimamente tenho andado mais de carro. Espero voltar logo para o transporte coletivo, mas, enquanto isso não acontece, é impossível passar por certas coisas de olhos fechados. Nos últimos dias, umas quatro pessoas vieram pedir dinheiro no farol alegando ser HIV positivo. Dois homens de meia idade, uma velha senhora magricela e uma jovem bonita e cheia de vida.

Em todas as ocasiões, eles pediam dinheiro para comer. Uma moeda, qualquer coisa. Eu me sinto tocada com esse tipo de condição, mas mesmo assim não dei dinheiro. Não gosto de esmola. Em um dos casos, a mulher alegava que a doença a impedia de trabalhar. Isso é o mais triste: a Aids não deveria ser um impedimento de contratação. E, com um bom tratamento, é possível viver saudável durante anos a fio - e nunca faltar ao trabalho por conta do quadro de saúde.

Vendo por outro lado, pode ser o golpe do HIV. "Sou soro positivo, tenha piedade de mim e me dê um trocado"... Sei lá. Só sei que é triste. HIV, esmola ou pobreza.

06/07/2008

labilidademente labili

Mais uma que eu aprendo por conta do trabalho...

Se você acha que é uma pessoa diferente das outras, que seu problema é único e que seu comportamento é uma incógnita para a psicologia, não tente suicídio, mas para tudo tem uma explicação psico-científica. Infelizmente. Acabo de descobrir que meu ímpeto emocional e minha instabilidade tão caracteristicos são elementos do que se ousou chamar de labilidade emocional. Acho que sofro disso, labilidade emocional. Palavrinha difícil, né? Labilidade...

Enfim, vamos à sua definição:

"Volatilidade; instabilidade. A labilidade emocional refere-se a emoções que são inusita­damente móveis e que, portanto, não estão sob controle adequado; é observada mais comu­mente nas síndromes cerebrais orgânicas e nos estágios iniciais das esquizofrenias"(ãhn??).

É, também, "um estado especial em que se produz a mudança rápida e imotivada do humor ou estado de ânimo, sempre acompanhada de extraordinária intensidade afetiva. Esta forma súbita de reagir diante dos estímulos do meio exterior revela pessoas incapazes de controlar a intensidade de suas reações."

Pronto! Estou à beira da esquizofrenia e com risco de passar a não suportar conviver em sociedade. Lindo. Parabéns, Laura. É isso aí. À beira do abismo...

03/07/2008

"tia"

Sempre quando alguém chama outro alguém de "tia", me vem à mente minha mãe dizendo "não sou sua tia", em tom de brincadeira-com-fundo-de-verdade. Ok, ela não tinha lá muito bom humor, principalmente em relação a isso, mas é fato: a maioria das pessoas que são chamadas de "tia" não são tias, realmente, de quem as chamam.

A não ser as minhas tias mesmo, e uma ou duas mães de amigas muito queridas, não costumo chamar de tia qualquer mulher que atravesse meu caminho. Eis que hoje, parada num farol, tinha uma "tiazinha", dessas bem mirradinhas, magricelinhas, e na "melhor idade", pedindo dinheiro aos motoristas. E não é que essa "tiazinha" veio me chamar de tia? "Tia, tem uma moeda?"

Antes que eu respondesse o costumeiro "não", fiquei alguns segundos pensando sobre o que ela disse. Poxa, ela é que é a tiazinha! Não eu!!!

online x offline

Sabe o que é mais engraçado nessa história de pane no Speedy? As notícias avisavam pessoas conectadas que outras tantas estavam offline. Para as primeiras, que não se sentiram prejudicadas, outras notícias diziam que seria possível processar a Telefônica pelos danos causados. E, repito, as notícias eram lidas pela população online. Quando o grupo offline ficasse online, os noticiários de internet já teriam caducado as notícias que ao grupo interessasse...

Não é curioso?

01/07/2008

ling-ling-alô

Hoje eu liguei para o Centro Social Chinês de São Paulo, para falar com algum ser humano sobre, obviamente, a China. Disseram para ligar amanhã, das 10h às 12h, e falar com a secretária – ÚNICA chinesa que trabalha lá. Coisa de louco: só a secretária vai bater ponto, de vez em nunca e em horário apertado. Parece que a diretoria (que tem chineses) nem tchum; não aparece. Desliguei o telefone me perguntando por que uma associação chinesa não tem chineses com quem eu possa conversar. Mas esse problema se resolveu rapidamente.

Liguei, então, para a Associação Cultural Chinesa do Brasil, que parece agremiar o maior número de sociedades chinesas que existem por aqui. Uma tal de Li atendeu. Ela sabia dizer "alô" e "o quê você quer". Me apresentei e disse a que vinha... e nada. O telefone ficou mudo. Mudinho da Silva.

"Alô", disse eu. "Alô", disse a Li. "Você entendeu o que eu disse?". "Você que-loquê?". Que roubada!!! Expliquei de novo e, é óbvio, ela não entendeu bulhufas. "Vou chama-loutla pessoa". E começou a falar em chinês, muito rápido e alto. Escutei um homem respondendo, no mesmo tom, um monte de sons que, para mim, não significam absolutamente nada: chin, shon, shuin, lin, long, gong, chee, lao, lui...%¨@&% $$*(*)$#@ ªº¢£ é a mãe!!

E o homem atendeu o telefone. "Alô? O que quel?". "Q-u-e-r-o f-a-l-a-r s-o-b-r-e c-u-l-t-u-r-a c-h-i-n-e-s-a", bem pausadamente, para não confundir. "No tem ninguém agola. Liga amanhã, fala com a Felnanda".

Incrível! Ou tem porteiro que não sabe nada de China ou tem chinês que não entende uma vírgula de português... até parece que eu estou em outro país...

27/06/2008

pobre-burguesa-pobre

Ultimamente, ao contrário do que acontecia há alguns meses, não tenho tido tempo nem para respirar. Muito trabalho... quero guardar dinheiro. E fico pensando "para quê"? Não sei. É o velho hábito da classe pobre: guardar para usar quando faltar. Quem é rico não pensa que vai faltar dinheiro. Só pobre.

Enfim, o mais importante é que estou trabalhando. Produzindo. E reproduzindo uma idéia burguesa e cretina de que o trabalho dignifica o homem. É mentira! O trabalho cansa o homem, fisicamente, psicologicamente e sexualmente (quem trabalha demais não tem vigor...). Deixa as pessoas sem sono, mergulhadas em preocupações. Só burguês que quer se tornar nobre é que pensa assim.

Acho que estou um pouco confusa hoje.

13/06/2008

Desabrochar

Despertou. Mas não acordou. Os olhos, inchados, custavam a abrir totalmente. Estava com aquela preguiça preguiçosa das manhãs de domingo. Mas era segunda, dia em que não há espaço para sonhar. Mudou de idéia...

Agora, queria ficar mais próxima do mundo, da correria, do pulsar da cidade. Talvez fosse a hora de deixar a segurança das quatro paredes e dos pés da cama que a fixavam ao chão. Era hora de se levantar para o mundo.

Queria mais e mais. Queria não depender, queria escolher, queria por asas em sua imaginação. Queria que todo dia fosse aquela segunda-feira. Queria que todas as horas fossem dias de sol, ou tardes de chuva.

Sentou-se na cama. Molhou a garganta com água fresca. Sorriu timidamente. Calçou os chinelos e saltou energicamente do colchão, que a abrigara nas últimas confortáveis horas do fim de semana.

Abriu a janela e, com a luz emoldurando as belas curvas de sua face, enxergou à frente uma passarela sem fim, que a levaria onde quisesse chegar.

Despertou do sono de menina. Acordou mulher.

12/06/2008

Casas da Banha

O meu trabalho é divertido. Fico sabendo da existência de umas coisas engraçadíssimas, como a "Casas da Banha", uma das maiores redes de varejo do Brasil da década de 70 até o fim dos anos 90.

Depois de ser uma das maiores redes de supermercados do Brasil, com mais de 8 mil empregados, 230 lojas e faturamento anual de US$ 700 milhões, a Casas da Banha teve sua falência decretada em 1999. A empresa ficou famosa por ter patrocinado durante vários anos o comunicador Chacrinha.

05/06/2008

A ansiedade, o telefonema e o guarda-chuva

Tem dias que começam super bem. Parece que tudo vai dar certo e há apostas para isso. A confiança é grande, o estado de espírito é ótimo e a companhia, agradabilíssima. Foi assim que começou o dia dela. Apesar do frio e da garôa fina.

Mas, como ela bem sabe, nem um radicalismo acaba bem. Confiar demais, amar demais e ficar muito feliz, todos essas sensações podem ter um fim trágico. E foi o que aconteceu. Lá pelo meio da tarde, começou a ficar ansiosa. O telefone não tocava e ela aguardava uma resposta decisiva - achava, obviamente, que tudo ia terminar bem. Achava. Estava confiante.

Demorou algumas horas e, então, o telefone tocou. Já não sentia ansiedade, preparava-se para o pior. Mas a esperança... Estava dentro no ônibus, levantando-se para descer, cheia de coisas penduradas pelos braços. Não sabia se ficava feliz ou triste com o toque - sentia que a resposta não ia agradar. Ao menos, mataria sua curiosidade.

O diálogo no telefone nem foi tanto um diálogo. Do outro lado da linha, a pessoa se justificando. Do lado de cá, ela só no "Ahã, eu entendo. Tudo bem. Muito obrigada...".

Pulou do ônibus como um tiro. A passos largos e apressados, chegou em casa. Subiu as escadas e começou a chorar. Decepção, tristeza, desabafo. Aquele choro era melancólico e, sim!, um desabafo. Tirou toda a ansiedade do peito com os primeiros murmúrios. Depois, deixou que as lágrimas lavassem o rosto. Sentiu-se desolada.

Passou um tempo, algumas horas. E ela se animou. "Paciência, da próxima vez eu não aposto tanto assim", pensou, longe de ser Pollyana, apenas tentando ultrapassar mais um obstáculo. Pequeno ou grande, era ela quem definia seu peso e seu tamanho.

Saiu de casa. Foi para uma festa. Encontrou pessoas queridas, amigos do peito e colegas que há muito não via. Recebeu um telefonema, mas não atendeu. Retornou a ligação, mas não consegui falar. Tentou outra e outra e outra vez. Passou muitos minutos ligando. Nada. Ficou preocupada. "Melhor ir embora e ver o que aconteceu." Foi, acompanhada de uma amiga.

Num local meio escuro e afastado da rua, foram abordadas por um homem de mochila. "Isso é um assalto. Fiquem bem quietas, não gritem. Passem o celular e a carteira." "Hã? Como assim? Não vamos passar nada", responderam as duas. "Estou armado", disse o homem, colocando a mão no bolso da calça. "É um guarda-chuva? É um guarda-chuva. ahahahha, como assim, armado?", disseram em coro. O homem foi embora. E disse que não deveriam segui-lo.

Cada uma em seu carro, o susto começou a tomar forma, cor e textura. Seu corpo balançava, suava frio, o celular na mão direita, enquanto trocava as marchas de posição. Sentiu um frio na espinha, um medo de nada, mas um medo latente. Um descontrole controlado, um medo do susto e da preocupação. Queria chegar logo ao destino combinado.

Chegou. Cansada, preocupada, assustada, neurótica. Aquela noite ia acabar mal, pior ainda. E lembrou-se: o dia começou tão bem... "É assim. Não tem como ficar sempre bem. Ou é o equilíbrio por ele mesmo, ou pelo contra-balanço de dois lado opostos, de instabilidades extremas." O dia seguinte seria melhor. Ou não.

03/06/2008

Reflexos da alma

Estou devagar esses dias, em dívida com o blog. Muitas mudanças ao mesmo tempo me deixaram sem tempo para escrever. Os momentos ociosos estão mais escassos: para o bem e para o mal. Fico sonhando, imaginando, conjecturando sobre minha vida daqui uns meses e enxergo algo realmente bonito e sereno. Aquela paz gostosa, que não é nem de longe tediosa. Muito pelo contrário: é a paz que se sente quando se está feliz e em busca de mudanças positivas. Porque elas não podem cessar.

É um contra-senso eu pensar isso num dia de frio. Um frio de rachar. Mas o sol parece iluminar meus pensamentos e minha alma. Sigo bem, sigo feliz, sigo até um pouco mais leve. Ou meus ombros é que ficaram mais fortes...